Marco Dassori
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A Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) reforçou suas apostas para a produção de motocicletas do PIM, neste ano. A expectativa agora é que o Polo Industrial de Manaus feche dezembro com 1,42 milhão de unidades fabricadas, 18,8% a mais do que o registrado ao longo de 2021 (mais de 1,19 milhão) e já próximo ao de 2014 (quase 1,52 milhão de unidades). É a segunda vez que a entidade refaz seus cálculos para cima, embalada pela resposta do mercado. Até então, a projeção era de 1,32 milhão de unidades e alta de 10,5%.
Segundo a Abraciclo, a produção do PIM se manteve ascendente em setembro e registrou o segundo melhor resultado do ano. O Polo fabricou 139.622 motos no mês passado, perdendo apenas para o recorde anual de agosto (145.852) – que teve dois dias uteis a mais –, por uma diferença de 4,3%. Na comparação com setembro do ano passado (123.722), a produção escalou 28,2%. O acumulado do ano sustentou expansão de 18,4%, com 1.061.543 (2022) contra 896.558 (2021) unidades.
Os números foram divulgados em coletiva de imprensa realizada pela Abraciclo, nesta quinta (13). A base de dados confirma ainda que a média de vendas diárias se manteve aquecida e que as exportações voltaram a decolar. Diante disso, a entidade também corrigiu para cima suas estimativas em ambos os casos. A nova projeção é que sejam licenciadas 1,35 milhão de motocicletas, um aumento de 16,7% ante as quase 1,16 milhão de unidades comercializadas em 2021. Para as vendas externas, espera-se que sejam embarcadas 59.000 motos, volume 10,3% superior ao do ano passado (53.476).
“Curva ascendente”
Durante a coletiva, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, explicou que, ao avaliar diversos fatores e tendências de mercado, a entidade aposta agora em uma retomada ainda mais forte do segmento. “As unidades fabris mantêm a curva de produção ascendente e o mercado pede por mais motocicleta”, destacou. “Hoje, o consumidor procura por um veículo ágil, econômico e com baixo custo de manutenção para seus deslocamentos. E muitas pessoas utilizam o modal como instrumento de trabalho [para serviços de entrega], seja como fonte de renda ou para complementar o salário”, emendou.
Com a nova previsão, o segmento de motocicletas deve ficar próximo aos patamares alcançados em 2014 (quase 1.52 milhão). “Mas, ainda estamos bem distantes do recorde de 2,1 milhões de motos produzidas em 2011. Acreditamos que, devido ao aquecimento do mercado, a indústria estará gradualmente retomando sua produção”, ponderou.
Ao avaliar o cenário econômico, no entanto, Fermanian ressalva que os fabricantes estão atentos às variáveis que podem comprometer a meta, como a inflação e as taxas de juros, que comprometem o poder aquisitivo das famílias. Embora tenha registrado seu terceiro mês de deflação em setembro (-0,29%), o IPCA ainda acumula 7,17% em 12 meses e segue acima da meta do BC. A Selic, por outro lado, encerrou o ciclo mais longo de altas desde 1999, ao estancar em 13,75% ao ano, o nível mais elevado desde janeiro de 2017. “São fatores que podem fazer o consumidor deixar de adquirir um produto”, frisou.
Vendas aceleram
Conforme a Abraciclo, o varejo nacional de motocicletas também acelerou. Em setembro, foram licenciadas 123.641 motocicletas, volume 4,3% maior do que o de agosto (118.545), mesmo com dois dias úteis a menos. Também foi 13,6% mais forte do que a marca de 12 meses atrás (108.816). O resultado foi o melhor para o mês desde 2011 (174.487). Os emplacamentos somaram 986.250 unidades de janeiro a setembro, o que corresponde a uma elevação de 17,3%, o maior número desde 2014 (quase 1,07 milhão).
Com 21 dias úteis, setembro registrou média diária de vendas de 5.888 unidades. Na comparação com agosto do mesmo ano (5.154 unidades vendidas/dia), que teve 23 dias úteis, houve aumento de 14,2%. Em relação ao mesmo mês do ano passado (5.441 motocicletas licenciadas/dia), que teve 20 dias úteis, os licenciamentos subiram 8,2%. Em números absolutos, a região que mais emplacou motocicletas foi o Sudeste (48.129), o que representa 38,9% do total do mercado. Na sequência estão o Nordeste (35.676 e 28,9%), Norte (15.914 e 12,9%), Centro-Oeste (12.433 e 10,1%) e Sul (11.489 e 9,3%). O ranking do acumulado teve apenas as trocas de posições entre o Sul e o Centro-Oeste.
As motocicletas de baixa cilindrada (até 160) representaram 82,1% das vendas no varejo, com 101.549 unidades comercializadas em setembro. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam por uma fatia de 14,6% do mercado, com 18.033 unidades. Já as motos acima de 450 cilindradas reduziram sua participação, ao totalizar 4.059 licenciamentos, 3,3% do total. A Street (52.878 e 48,6%) foi a categoria mais emplacada, seguida pela Trail (23.241 e 21,4%) e pela Motoneta (14.966 e 13,8%).
“Estamos normalizando o abastecimento das revendas e atendendo o consumidor que espera por uma motocicleta. Ainda existe fila de espera para as modelos de baixa cilindrada e scooters, o que deve ser normalizado em breve”, asseverou.
Insumos e instabilidades
Para o presidente da Fieam, Antonio Silva, os números da Abraciclo refletem um momento econômico de “relativa estabilidade e retomada”, além de mudanças de hábitos de consumo. “Os consumidores têm buscado alternativas para a alta nos preços dos carros, bem como opções para o desenvolvimento de serviços autônomos. Não fosse a crise no fornecimento de alguns insumos, entendo que os números poderiam ser ainda melhores. A expectativa é de que a produção anual, assim como de outros importantes setores do PIM, feche em alta”, comentou.
Procuradas pelo Jornal do Commercio, por meio de suas assessorias de imprensa, a Moto Honda da Amazônia e a Yamaha Motor da Amazônia não conseguiram retornar as perguntas da reportagem, antes do fechamento desta edição. Em entrevista anterior, o vice-presidente industrial da Moto Honda da Amazônia, Julio Koga, assinalou que a base de comparação foi enfraquecida pela segunda onda, mas a demanda segue aquecida.
“Os impactos da pandemia nas cadeias de suprimentos e logística geram desafios, mas a empresa vem trabalhando junto aos fornecedores para manter os volumes estabelecidos. Até o momento, não temos impacto programado na produção, mas a empresa monitora a situação. Apesar das expectativas positivas, a Honda segue monitorando o ambiente de negócios, em função das incertezas e possíveis fatores de instabilidade”, analisou.
Na entrevista mais recente, o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino, informou que o desempenho da produção segue em linha com a alta de 8% e 10% aguardada para 2022. “O fornecimento não voltou aos níveis de antes da pandemia, mas estamos conseguindo arranjar o fluxo de produção aos esforços dos fornecedores e às dificuldades logísticas que ainda precisamos enfrentar. Não vislumbramos paralisações”, finalizou.
Boxe ou coordenada (se couber): Exportações avançam em ritmo menor
As vendas externas emendaram um novo mês de alta. As exportações brasileiras de motocicletas desaceleraram 25,9%, entre agosto (7.807) e setembro (5.786), mas ficaram 18,8% maiores no confronto com o dado de 12 meses atrás (4.872). De acordo com o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os embarques se concentraram nos Estados Unidos (2.010 unidades e 28,4% do total exportado), Argentina (1.832 e 25,9%) e Colômbia (1.500 e 21,2%). A mesma base de dados informa que as vendas do acumulado do ano subiram apenas 2,1%, ao somar 43.670 unidades.







