Imóveis e obras estão mais caros no Amazonas

Em: 13 de outubro de 2022

Reportagem: Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori

O custo da construção civil do Amazonas desacelerou, entre agosto e setembro, mas marcou mais um mês de alta. O preço do metro quadrado passou de R$ 1.628,37 para R$ 1.639,92, ao subir 0,71%. O índice de reajuste estadual veio bem mais fraco do que no mês anterior (+3,19%), mas se manteve acima do nacional (+0,44%). Em ambos os casos, o passivo voltou a deixar para trás o IPCA, que registrou seu terceiro mês seguido de deflação (-0,29%). Os dados são da pesquisa mensal do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.

O aumento se concentrou no custo dos materiais, que pontuou 1,74% de acréscimo, em elevação mais agressiva do que a precedente (+0,13%). Com isso, os dispêndios médios das construtoras amazonenses com insumos aumentaram de R$ 993,24 para R$ 1.010,50, superando a média nacional (R$ 999,96). Em contraste, o custo da mão de obra (R$ 629,42) interrompeu a trajetória de alta dos meses anteriores, ao ficar 0,90% mais baixo do que o valor contabilizado em agosto (R$ 635,13), embora em ritmo insuficiente para barrar a escalada anterior (+8,37%). Em todo o país, a média ficou em R$ 669,23.

A taxa registrada pelo Amazonas no Sinapi superou novamente a inflação oficial, conforme o mesmo IBGE. Pressionado pela retração artificial dos preços dos combustíveis, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo encolheu 0,29%, em queda já menos intensa do que as de agosto (-36%) e de julho (-0,68%). O IPCA acumulado no ano (+4,09%) voltou a perder para os indicadores local (+12,51%) e nacional (+10,22%) do custo da construção civil, que foram em direção oposta. Na análise dos últimos 12 meses, a correção dos dispêndios (+15,65% e +13,11%, na ordem) também superou a inflação oficial (+7,17%).

Mesmo com reajuste acima do apresentado pela média brasileira (+0,44%), a taxa de aumento do custo do metro quadrado no Estado (+0,71%) caiu do terceiro para o quinto lugar do ranking nacional, mesmo percentual alcançado por Tocantins, Maranhão, Rondônia e Sergipe. Santa Catarina (+2,8%) despontou com o maior valor em um rol encerrado com duas estabilidades –Bahia e Espírito Santo. No acumulado do ano, o Amazonas (+12,51%) subiu da sexta para a quinta colocação, em uma lista liderada novamente pelo Rio Grande do Norte (+16,23%) e encerrada pelo Pará (+6,36%). Em 12 meses (+15,65%) despencou da segunda para a oitava colocação. Rio Grande do Norte (+18,90%) e Bahia (+10,13%) protagonizaram os extremos.

Abaixo da média

O custo por metro quadrado no Amazonas (R$ 1.639,92) segue abaixo do valor da média nacional (R$ 1.669,19), embora venha reduzindo essa diferença nos últimos meses. Ainda assim, se manteve na 14ª posição entre os maiores valores do país. O pódio ainda é ocupado por Santa Catarina (R$ 1.880,86), Rio de Janeiro (R$ 1.839,08) e São Paulo (R$ 1.796,91). Na outra ponta, os valores mais baixos ficaram em Sergipe (R$ 1.463,49), Alagoas (R$ 1.471,20) e Piauí (R$ 1.504,45).

O acréscimo do custo de materiais (R$ 1.010,50) levou o Estado a galgar da 15ª para a 13ª posição do ranking e superar novamente a média nacional (R$ 999,96). Acre (R$ 1.168,89), Mato Grosso (R$ 1.098,70) e Tocantins (R$ 1.094,87) ficaram no topo, enquanto Sergipe (R$ 926,81), Alagoas (R$ 931,09) e Espírito Santo (R$ 946.95) ficaram nas últimas colocações. Mesmo com a redução no custo da mão de obra (R$ 629,42), o Amazonas se segurou  no 12º lugar, em uma lista com o valor mais elevado em Santa Catarina (R$ 861,11) e o mais baixo em Sergipe (R$ 536,68) e média brasileira em R$ 669,23.

“Menos consistente”

O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à reportagem do Jornal do Commercio que, embora o país já registre seu terceiro mês seguido de IPCA negativo, os dados do Sinapi do mês indicam que as altas nos dispêndios da atividade não devem arrefecer nos próximos meses. O pesquisador acrescenta que já são dois anos e meio seguidos de aumentos nos preços do metro quadrado da construção do Amazonas, mas reforçou que o Estado não está sozinho nesse movimento. 

“Os preços continuam em crescimento para a construção civil do Amazonas, o que leva a crer que não há perspectiva de queda, pelo menos no curto prazo. Mas, a redução da inflação e dos combustíveis pode forçar os preços de balcão a se estabelecer, em algum momento. Já em setembro, embora tenha variado para cima, o custo da construção teve aumento menos consistente do que nos meses anteriores. Mesmo assim, o acumulado do ano atingiu quase 13%. Dessa vez, apenas os materiais de construção tiveram reajustes dentro do mês”, analisou.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, avalia que os números de setembro apontam para uma equivalência dos custos do setor ao patamar pré-pandemia, em âmbito nacional. “Houve uma trajetória de alta a partir de junho de 2020, passando de 0,14% para 1,94% em dezembro. Em 2022, tivemos um pico em maio (2,17%) até iniciar a desaceleração para os atuais 0,44%. Alguns Estados já apresentam deflação, caso de Espírito Santo (-0,11%) e (-0,01%) na Bahia, que pode ser considerado estabilidade”, explicou, acrescentando que 14 Estados registraram desaceleração nos dispêndios, no mês.

“Tendência é estabilizar”

Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente do Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Amazonas), Frank Souza, lembrou que, historicamente, a tendência da mão de obra do setor é se manter estável até julho, mês da Convenção Coletiva de Trabalho. Mas, observou que, embora tenham sido aplicados 8% em cima dos salários de julho, é previsto um novo reajuste de 3,92% sobre os vencimentos dos trabalhadores da categoria em janeiro, indicando uma nova elevação no custo da mão de obra nesse período.

O dirigente avaliou também que, a despeito das oscilações, a tendência é que o custo dos materiais se estabilize até o fim do ano. “Aposto que os insumos devem se equilibrar, até porque o mercado não está muito consumidor. A guerra da Ucrânia já não impacta tanto e o combustível baixou de preço, apesar de o diesel não ter caído. Podemos ter algumas pequenas variações, mas essa é a consideração para o último quadrimestre do ano”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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