Vinho de cupuaçu tem aporte de R$ 166 mil

Em: 19 de junho de 2009
Quando se fala em vinho, é comum fazer associação com a uva, porém esta ideia está mudando
Quando se fala em vinho, é comum fazer associação com a uva, porém esta ideia está mudando

Quando se fala em vinho, é comum fazer associação com a uva, porém esta ideia está mudando. Vinho e champanhe de cupuaçu, desenvolvidos pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), e em estudo de comercialização pela Oiram Chocolates, com R$ 199 mil oriundos do programa Pappe Subvenção Finep, são as novas apostas do comércio de bebidas regionais.
A pesquisa que deu origem aos produtos é de autoria da cientista do Inpa Jerusa Andrade e começou há dez anos. O Departamento de Tecnologia de Alimentos do instituto possui uma linha de pesquisa específica para estudos de aplicabilidade para as frutas tropicais, onde foram desenvolvidos vários projetos com frutas como pupunha, melancia, laranja e abacaxi.
O processo de fabricação do vinho e champanhe de cupuaçu é o mesmo utilizado na produção de vinho de uva. Primeiramente, determina-se a composição química da fruta, utilizando da quantidade de polpa de cada unidade e das características necessárias para configurar uma bebida alcoólica, como acidez e teor de álcool. E para finalizar a parte inicial, a acidez e o nível de açúcar são corrigidos.
Após a extração das leveduras (fungos), a fermentação –processo de transformação de uma substância em outra, produzida a partir de microorganismos, tais como fungos e bactérias– é monitorada por análises químicas e, ao final, os resíduos são eliminados, restando a bebida. O vinho e champanhe podem ser armazenados ou consumidos com ou sem adição de açúcar.
A empresa Oiram Cho­colates submeteu o projeto de produção da bebida ao segundo edital do Pappe Subvenção (Programa Ama­zonas de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação em Micro e Pequenas Empresa na modalidade Subvenção Econômica) da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e recebeu R$ 199 mil para o desenvolvimento do produto.
O estudo não foi desenvolvido especificamente para a empresa, como explica a pesquisadora. “Esta pesquisa não foi desenvolvida para a Oiram, o que fizemos foi transferir a tecnologia, da qual o Inpa possui a patente, conforme os processos legais do edital do Pappe”, disse Jerusa.
De acordo com a direção da empresa, o primeiro produto que chegará ao mercado será o vinho de cupuaçu. “O vinho de cupuaçu é o projeto base para a produção do champanhe e chegará ao mercado até o fim deste ano”, declarou Marco Fogaça. Ele disse, ainda, que a fábrica será transferida para o Dimpe (Distrito de Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte), no bairro Tarumã, zona norte de Manaus.

Programa visa ao aumento da inovação

O Pappe Subvenção Finep Amazonas é um programa que apoia o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica com recursos não-reembolsáveis em micro e pequenas empresas do Estado. O programa visa o aumento da cultura de inovação e competitividade das micro e pequenas empresas. O primeiro edital do Pappe Subvenção foi lançado em junho de 2008 e o segundo em maio de 2009.
A segunda edição do Pappe Subvenção destinou R$ 2,69 mi para o desenvolvimento de projetos de 19 empresas que atenderam ao edital da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas).

Parceira de fomentadoras

O programa resulta de convênio firmado entre a Fapeam e a Finep, tendo como co-executoras a Sect/AM (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Amazonas), Seplan (Secretaria Estadual de Planejamento e Desenvolvimento Eco­nô­mico), Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), IEL (Instituto Euvaldo Lodi), Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas) e Sebrae/AM (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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