Maria foi o nome mais registrado no Brasil, em 2021. Entre os dez nomes femininos mais registrados, quatro foram de Maria Alice, Maria Clara, Maria Cecília e Maria Júlia, num total de mais de 45 mil Marias.
Há 16 anos Manaus tem um Lar só de Marias, o Lar das Marias, com um objetivo nobre. Acolher mulheres, que passam a ser denominadas de Marias, com câncer, vindas dos mais distantes lugares do Amazonas, e mesmo de outros estados, em busca de tratamento.
“Desde que inauguramos, em 2006, já atendemos, até o mês passado, 3.819 mulheres, entre idas e vindas. Elas vêm, são acolhidas por nós, encaminhadas para o Cecom e, dependendo do tratamento, podem precisar voltar outras vezes, então, vão para as suas cidades e depois retornam aqui para o Lar”, falou Gláucia Souza, assistente social do Lar das Marias.
A capacidade do Lar das Marias é de 50 mulheres, sendo 25 pacientes e 25 acompanhantes, estas, também precisam ser mulheres e maiores de idade.
“No mês de outubro 40 Marias foram atendidas por nós, no processo de idas e vindas”, acrescentou.
O Lar das Marias foi idealizado e concretizado pelas doutoras Adelaide Machado Portela e Maria Luiza, atuais presidente e vice-presidente da instituição junto com nove outras diretoras. Nenhuma delas recebe remuneração pelo trabalho. O Lar se mantém através de doações e projetos como três cafés da manhã durante o ano; uma festa junina; uma noite dançante (a Noite das Massas), um ano sim, um ano não; e uma feijoada, também anual, que acontecerá neste domingo, 13, no Sesi Clube do Trabalhador, no Coroado.
“A feijoada é realizada há uns dez anos e se tornou o nosso maior evento. Muita gente participa e a renda obtida nos ajuda bastante”, disse Gláucia.
Apoio dos shoppings
Existem apoios, no entanto, que fazem toda a diferença para a manutenção do Lar das Marias. Um deles é o Brechó Chic, que funciona numa loja no Millennium Shopping desde 2019.
“Eles nos cederam uma loja, no shopping, e nós montamos o Brechó, com peças selecionadas, que nos são doadas pelos mais diversos apoiadores. E precisamos cada vez mais desses apoiadores. Não pagamos absolutamente nada para ocupar essa loja e o Millennium ainda nos ajuda na decoração. A renda diária que o Brechó nos proporciona é importantíssima”, afirmou.


“O Amazonas Shopping nos ajuda durante o Outubro Rosa, quando cede um espaço, nesse mês, para colocarmos nosso quiosque vendendo artesanatos utilitários. Falando em artesanatos, temos um grupo de mais de 20 artesãs, profissionais autônomas dos mais diversos segmentos, que disponibilizam um dia da semana, quinta-feira, para virem aqui no Lar das Marias produzir artesanatos, depois vendidos durante nossos eventos, no quiosque e no Brechó Chic. E estamos abertos a receber mais artesãs, e artesãos, que queiram nos ajudar. Estamos, agora, trabalhando as peças para o Natal”, avisou.
“Da mesma forma que o Millennium e o Amazonas nos têm apoiado, queremos contar com a ajuda de outros shoppings, cedendo espaços em seu interior, pois como são lugares de grande fluxo de pessoas, as vendas dos artesanatos e das peças do Brechó aumentariam muito, com certeza”, adiantou.
Histórias de sucesso
Gláucia lembrou que as Marias chegam de todos os interiores do Amazonas, muitas de Roraima e, mais recentemente, venezuelanas. A maior incidência de câncer nessas mulheres é o de cólon uterino, seguido pelo de mama, depois de pele, da tireóide, e outros casos em menor quantidade.
“Geralmente elas vêm referenciadas pela representação do município, em Manaus. A maioria das prefeituras dá apenas as passagens de ida e volta. Algumas poucas dão uma ajuda de custo. Existem também as Marias que vêm por conta própria, porque alguém, na comunidade onde moram, nos indicou”, contou.

No Lar das Marias, além da moradia elas recebem alimento, atendimento psicossocial e nutricional, e realizam atividades aprendendo artesanato e fazendo cursos profissionalizantes de informática, corte e costura, bijuteria, e customização em sandália.
“Já teve Maria que voltou para a sua cidade, montou uma mesinha de café da manhã na frente de sua casa e hoje produz cestas de café da manhã. Outra fez o curso de customização de sandálias, grava vídeos de seu trabalho, e até emprega familiares. Quando ela vem aqui para o Lar, dá cursos de customização. E tem uma que montou uma oficina de bijouterias e está produzindo em larga escala, vendendo bijuterias para revendedores. São inúmeras as histórias de melhora de vida dessas mulheres que, muitas vezes, chegam aqui achando que estão no fim, mas mostramos a elas que estão num recomeço melhor de suas vidas”, declarou Glaúcia.
“As mulheres devem se cuidar sempre. 70% das que buscam tratamento no começo do problema, ou ficam totalmente curadas, ou voltam a ter uma vida normal”, concluiu.
A feijoada deste domingo terá como atrações o Grupo Mureru e a cantora Fátima Silva. O valor do ingresso é R$ 50, e pode ser solicitado pelos fones: 3307-5737 e 9 8556-0918. O Lar das Marias está localizado na av. Dom Pedro I, 984 – Dom Pedro I, e está sempre aberto a receber doações e voluntários.
Por Evaldo Ferreira: @evaldo.am
***







