Polo Industrial de Manaus entregou 122.867 unidades no mês passado

Em: 14 de fevereiro de 2023

O PIM começou 2023 com taxas de crescimentos na escala de dois dígitos em suas linhas de produção de motocicletas. O Polo Industrial de Manaus entregou 122.867 unidades no mês passado, montante 44,4% superior ao de dezembro de 2022 (85.117 unidades) e 46,7% maior do que o registrado em janeiro de 2022 (83.743). Foi o melhor resultado para o mês desde 2014 (146.557), a despeito das fracas bases de comparação. Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta segunda (13). 

As projeções para 2023 foram mantidas. A estimativa é que o Polo deve fabricar 1.550.000 motocicletas até dezembro, o que representa uma elevação anual de 9,7%. A mesma base de dados mostrou que as vendas domésticas também começaram com o pé direito e acima do índice de crescimento esperado. O mesmo pode ser dito das exportações. A Abraciclo projeta 1.490.000 emplacamentos para este ano, 9,4% a mais do que o apresentado em 2022. O cálculo sobre as exportações vislumbra um aumento de 6,7% (59.000) na mesma comparação.

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o presidente da entidade, Marcos Fermanian, destacou que, passados três anos, este é o primeiro mês de janeiro que a indústria operou normalmente, após as dificuldades impostas pela crise da Covid-19. “Tanto o início de 2021, como o de 2022, foram marcados pela pandemia, que impôs restrições ao funcionamento das fábricas e freou a produção. Agora estamos acelerando o ritmo de produção para atender a demanda que se mantém em alta”, lembrou.

Na avaliação do dirigente, o mercado de motocicletas deve seguir aquecido nos próximos meses, seja pelas vantagens inerentes ao produto, seja pela atual dinâmica do mercado interno, que ainda tende a favorecer os serviços delivery no curto prazo. “A motocicleta representa hoje uma ótima opção para deslocamentos urbanos, pois é ágil, tem baixo custo de manutenção e é fácil de estacionar. Além disso, pode ser utilizada como instrumento de trabalho ou para complementar a renda para quem atua nos serviços de entrega”, explicou.

Vendas e exportações

No mês passado, foram licenciadas 110.561 motocicletas, volume 23,3% superior de janeiro de 2022 (89.661), embora o quantitativo tenha ficado 16,4% abaixo de dezembro (132.204). Ainda assim, este foi o melhor resultado do varejo doméstico de motocicletas para meses de janeiro, desde 2014 (133.632). Fermanian diz que, apesar dos esforços das fabricantes, ainda não foi possível equilibrar a oferta e a demanda por motocicletas. “Existe fila de espera para modelos de baixa cilindrada e para as scooters. Nossa expectativa é regularizar o abastecimento nos próximos meses”, afiançou  

A média de emplacamentos em janeiro, que teve 22 dias úteis, foi de 5.026 unidades por dia. Em relação ao mesmo mês de 2022, com um dia útil a menos, houve alta de 17,7% (4.270). Na comparação com dezembro, com o mesmo número de dias úteis, foi registrada queda de 16,4% (6.009). A região brasileira com mais emplacamentos ainda é o Sudeste (42.260), o que representa 38,2% do mercado. Na sequência estão o Nordeste (33.129 e 30%), Norte (13.997 e 12,7%), Centro-Oeste (10.650 e 9,6%) e Sul (10.525 e 9,5%). A região Norte foi a que apresentou a maior taxa de crescimento em relação ao exercício anterior, ao avançar 48,3% nas vendas, na variação anual.

A Street se manteve como a categoria mais licenciada, com 58.423 unidades e 52,8% de participação no mercado. foi seguida de longe pela Trail (20.681 e 18,7% de participação) e pela Motoneta (14.560 e 13,2%). As motocicletas de baixa cilindrada (até 160) representaram 82,4% (91.053) das vendas. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam 14,8% (16.346) e as motos acima de 450 cilindradas contribuíram com apenas 2,9% (3.162). “A procura por modelos de média e alta cilindrada está crescendo e as fabricantes preparam uma série de lançamentos para este ano. Esses modelos são bastante utilizados para o lazer”, salientou o presidente da Abraciclo.

Já as exportações aceleraram 8,6%, na virada de dezembro de 2022 (3.926) para janeiro de 2023 (4.265) e ficaram 28,2% acima do dado de 12 meses atrás (3.328). Conforme o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os embarques foram liderados pela Argentina (2.209), que respondeu por 37% do total. Na sequência vieram Colômbia (1.004 e 16,2%) e Estados Unidos (616 e 9,9%), em uma lista de 41 países.

Recuperação gradual

Por meio de sua assessoria de imprensa, o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino, destacou à reportagem do Jornal do Commercio que a perspectiva de produção traçada para a fábrica da multinacional japonesa implantada no PIM vem sendo cumprida “sem surpresas”. Dados da Abraciclo informam que a Yamaha produziu 30.061 unidades em janeiro, 93,32% a mais do que no mesmo mês de 2022 (15.550). Para o executivo, o mercado de 2023 segue em crescimento gradual e em ritmo de recuperação, sustentado na percepção do público que reconhece ser a motocicleta um veículo versátil e com ótima relação custo-benefício.

“Ainda enfrentamos os reflexos do período mais agudo da pandemia, e o fluxo de insumos ainda não está regularizado. Mas, com inteligência nossos profissionais vêm conseguindo ajustar a produção às disponibilidades de nossos fornecedores. O ritmo de procura não se alterou nos últimos 18 meses, e a expectativa é que siga a mesma frequência ao longo do ano. O mercado sofreu graves impactos entre 2009 a 2019 e, aos poucos, recupera patamares mais elevados. Estamos apenas ocupando o espaço que já ocupamos, mas agora, com produtos mais eficientes e seguros do que há dez anos”, ponderou. 

A Honda Motos informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que sua unidade fabril de Manaus produziu mais de 87 mil unidades em janeiro, o que corresponde um crescimento 36% em relação ao mesmo período do ano anterior. E acrescentou que, depois de três anos, este é o primeiro janeiro que a empresa operou normalmente, sem restrições devido pandemia de covid-19.

“A Honda é uma empresa que mantém investimentos constantes, com uma estratégia voltada para a qualidade do negócio e de sua relação com clientes e parceiros de negócios. A marca segue acreditando na relevância da motocicleta para o Brasil e, para 2023, projeta um crescimento gradual e consistente, com um volume mais de 10% superior a 2022”, finalizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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