O Amazonas teve mais mortes e divórcios, no segundo ano da pandemia. Os óbitos chegaram a 23.083 e avançaram 16,4% entre 2020 e 2021, renovando o recorde do ano anterior. Foram os maiores números da série histórica, desde 1974. A taxa de crescimento na média nacional (1,8 milhão) foi ainda maior e chegou a 18%. Ao menos 37,67% das ocorrências estaduais se concentraram no primeiro bimestre, período marcado pela segunda onda e pela crise de oxigênio. O Estado, no entanto, foi na contramão do Brasil em números de nascimentos, que aumentaram 6% (+4.041) na mesma comparação.
A quantidade de divórcios judiciais concedidos em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais chegou a 5.772 no Amazonas, em 2021. A taxa de expansão em relação ao primeiro ano da pandemia foi de 61%, sendo a maior desde 2011 (+67,7%), além de bem mais expressiva do que a brasileira (+16,8%). Em contraste, o número de casamentos recuou 0,8% no Estado, e não passou de 13.199 registros, em sentido contrário do ocorrido no restante do país (+23,2%). É o que revelam os dados da pesquisa de Estatísticas do Registro Civil 2021, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Dentre o total de mortes no Estado em 2021, 75,18% (17.355) ocorreram em Manaus. A alta registrada pela capital em relação a 2020 foi de 12,9%, ficando abaixo do percentual do Estado. Foi também um crescimento muito menor do que o apresentado pela cidade em 2020 (+36% e 15.110). O IBGE acrescenta que a análise da série histórica no período anterior à crise sanitária, indica que o crescimento médio anual de óbitos no Amazonas foi de 3,6% entre 2010 e 2019, em nível acima da média nacional (+1,8%).
As estatísticas se concentraram em janeiro (22,48% e 5.863) e fevereiro (15,19% e 3.963) de 2021, meses que marcaram o auge da mortalidade pela covid-19 no Estado. A comparação com o primeiro bimestre de 2020, mostrou escalada de 74,1%. As mortes ocorreram principalmente em hospitais (73,8%), mas também em domicílios (14,2%) e “outros locais” (10,8%). As vítimas preferenciais tinham 80 anos ou mais (19,9% e 5.188), sendo que as faixas com maiores variações foram as de 60 a 69 (+903) e entre 50 e 59 anos (+810). Morreram mais homens (15.236) do que mulheres (10.844), sendo que o acréscimo foi maior para o contingente feminino (+2.049).
Vale notar que 93,6% dos óbitos do Amazonas em 2021 foram considerados como ocorridos por “causas naturais”, e apenas 5,2% foram classificados no grupo de ocorrências por causas externas (homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos, quedas acidentais, etc.). Em 1,16% não foi possível obter a causa. “Como esperado, tendo em vista o aumento atípico da mortalidade em função da pandemia, o percentual de mortes naturais é superior ao período anterior à pandemia (89,4%, em 2019)”, assinalou o IBGE-AM, no texto de divulgação da pesquisa.
Nascimentos e casamentos
Em 2021, foram registradas 80.208 pessoas no Amazonas, sendo que apenas 70.850 eram crianças nascidas naquele ano e registradas até o primeiro trimestre de 2022. O número de “nascidos vivos” aumentou 6% ante 2020, sendo esta a segunda maior taxa do país que, de forma geral, sofreu queda de 1,6%. Amapá (+9,1%), e São Paulo (-4,9%) ficaram nos extremos do ranking. Ainda assim, o dado de 2021 ficou abaixo da média anual compreendida entre 2015 a 2019, confirmando redução de 1,6% (-1.134) em relação ao período pré-pandemia.
A média mensal de nascimentos foi de 5.904 registros no Amazonas, com picos em março (6.323) e agosto (6.116). Nasceram mais crianças do sexo masculino (36.262) do que do feminino (34.586). A maioria das mães possuía de 20 a 24 anos, mas a fatia das que estavam abaixo dessa idade chegou a 20,4% (14.439), a terceira maior do país – atrás apenas do Acre (22,1%) e do Maranhão (20,6%). Em contrapartida, o percentual local de mães com 30 anos ou mais (27,8%) foi o terceiro mais baixo do Brasil, sendo suplantado apenas pelo Pará (26,2%) e Maranhão (27,3%).
O número de casamentos registrados pelo Amazonas em 2021 (13.199) encolheu 0,8% entre 2020 e 2021, em sentido contrário à escalada da média do Brasil (+23,2%). A comparação com 2019 confirmou um recuo ainda maior no Estado (-16,6%). Do total de casamentos registrados no Amazonas, 67 ocorreram entre pessoas do mesmo sexo – 46 para cônjuges do sexo feminino e 21 para pessoas do gênero masculino.
“Nota-se um impacto da pandemia nos registros de casamentos, a partir de março de 2020, no Amazonas. Naquele ano, nos meses em que houve redução de casos, os casamentos voltaram a ser realizados dentro da normalidade, com alto número em dezembro (2.195). Já nos primeiros meses de 2021, a quantidade voltou a cair. Há um aumento de registros, a partir do mês de maio”, pontuou o texto do IBGE-AM.
Os divórcios concedidos em 1ª instância ou realizados por escrituras extrajudiciais foram na direção contrária e decolaram 61%, entre 2020 (3.585) e 2021 (5.772). A maioria (63,4%) foi de natureza consensual, ao passo que 64% dos divórcios não consensuais foram requeridos pela mulher. Considerando o regime de bens do casamento, 98% das ocorrências foram por comunhão parcial. A faixa de idade predominante foi a de 30 a 44 anos, tanto entre homens (51%), quanto entre mulheres (52%). Praticamente metade (48%) das famílias envolvidas tinham filhos menores de idade (48%). A maior parte dos casamentos desfeitos (11%) contava com um a dois anos duração.
“Ano atípico”
O supervisor de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, ressaltou à reportagem que 2021 foi um “ano atípico” para os dados publicados pela pesquisa e reforça que a ocorrência da pandemia afetou o comportamento da população, refletindo nas estatísticas de nascimentos, casamentos, óbitos e divórcios. O pesquisador observa que o número de óbitos teve um “crescimento anormal” a partir de 2020, com o “pico da subida” culminando em 2021.
“Em toda a série histórica, desde 1974, Amazonas e Manaus não alcançavam um número tão alto de óbitos. Certamente que esse fato está relacionado a ocorrência da pandemia. Em 2021, considerando apenas os nascidos no ano, nem o Estado, nem a capital, voltaram ao patamar de nascimentos de antes da chegada da covid-19, embora tenham aumentado em relação ao ano anterior. O dado indica o quanto muitos casais adiaram a chegada de um filho, por conta da ocorrência da crise sanitária e suas consequências”, frisou.
Adjalma Nogueira Jaques acrescenta que os casamentos se mantiveram estatisticamente estáveis entre 2020 em 2021, embora aquém dos patamares anteriores à pandemia. mantiveram-se no nível de 2020 e abaixo dos números de antes da pandemia, tanto no Estado quanto na capital. “Já o número de divórcios aumentou sensivelmente em relação ao ano anterior, e até mesmo na comparação com 2019, demonstrando que as separações ficaram, de certa forma, represadas no período anterior. A maioria dos casais divorciados possuía apenas um filho e optou por compartilhar a guarda da criança”, arrematou.







