Prévia do BC mostra que PIB do Amazonas começou ano de  2023 em alta

Em: 3 de maio de 2023
Prévia do PIB mostra baque econômico no Amazonas

A prévia do PIB mostrou aceleração para a economia do Amazonas em janeiro, segundo o BC (Banco Central). A variação mensal da virada do ano ficou positiva em 4,39%, em números livres de influências sazonais. O resultado veio em sentido inverso ao da média nacional, além de eliminar parte da perda anterior (-2,65%). A comparação com o mesmo mês de 2020 –época de terceira onda de Covid-19 –rendeu uma expansão de 4,93%. É o que aponta o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central). Dados do IBGE confirmam avanços para serviços, indústria e comércio –nessa ordem –, enquanto as arrecadações da Sefaz e da Receita Federal desaceleraram.

A base de dados do BC registrou 154,09 pontos para o Amazonas, sendo esta a maior pontuação desde outubro de 2022 (154,75 pontos). A economia do Estado desacelerou 2,42% na média móvel trimestral, embora ainda tenha permanecido 1,91% acima da marca do mesmo trimestre da virada de 2021/2022. O Produto Interno Bruto amazonense nos 12 meses encerrados em janeiro de 2023 cresceu 4,20%, na comparação com igual intervalo imediatamente anterior. Vale notar que as comparações trimestral e anualizada costumam ser apontadas por especialistas como a melhor forma de captar tendências. 

O Estado ficou à frente da economia brasileira em todas as comparações. Em âmbito nacional, o indicador do BC não passou dos 142,28, ao apontar decréscimo de 0,04% ante dezembro de 2022, ficando estatisticamente estável. Foi o sexto recuo consecutivo, nesse tipo de comparação. No confronto com janeiro do ano passado, o resultado ficou positivo em 3,03%. No acumulado dos 12 meses, o IBC-Br brasileiro ainda ficou positivo em 3%, mas a média móvel trimestral confirmou retração de 1,28%.

O IBC-Br é um indicador criado para antecipar o resultado do PIB e ajudar a autoridade monetária na definição da taxa Selic. Visto pelo mercado como uma antecipação do resultado do PIB, o indicador do BC também é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica e ajuda a autoridade monetária a decidir sobre a taxa básica de juros, além de ajudar investidores e empresas a adotarem medidas de curto prazo. A metodologia é diferente da empregada pelo IBGE, que calcula o PIB brasileiro –e cuja próxima divulgação nacional está prevista para 1º de junho de 2023.

Setores e arrecadação

O cálculo do IBC-Br leva em conta estimativas para as atividades econômicas no Estado, acrescidas das arrecadações de impostos. Mas, sua divulgação não inclui o desempenho de cada rubrica. Em sintonia com a recuperação do indicador, números do IBGE apontam crescimentos acima do esperado para indústria e serviços e um resultado positivo também para o comércio –em que pesem as oscilações. Os recolhimentos de tributos da Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) da Receita Federal desaceleraram, embora tenham aumentado na comparação com a fraca base de comparação em 2022.

Segundo o IBGE, a indústria amazonense começou 2023 com o pé direito, ao acelerar pela terceira vez consecutiva. Mês tradicionalmente mais fraco para o setor, janeiro ficou 2,4% acima do patamar de dezembro de 2022, em crescimento mais vigoroso do que o anterior (+1,6%). O confronto com janeiro do ano passado confirmou uma escalada de 13%, no melhor resultado do país. O desempenho positivo foi puxado pelos fabricantes de bebidas e de motocicletas, enquanto o maior tombo veio da indústria química. Em 12 meses, o incremento foi de 5,1%.

O setor terciário da economia amazonense também emplacou altas. Em um mês sem datas comemorativas, o varejo amazonense subiu 0,8%, na variação mensal, e 1,1% na variação anual. As médias nacionais foram mais fortes, sendo impulsionadas pelo segmento de tecidos, vestuário e calçados. Já o crescimento do setor de serviços do Amazonas (+0,5% e 8,4%, respectivamente) foi mais vigoroso e suplantou o dado nacional –que foi amparado especialmente pelos serviços prestados às famílias pelo subsetor de informação e comunicação. Em 12 meses, o varejo praticamente empatou (+0,2%) e os serviços escalaram 8,9%, em âmbito estadual.

Os números da Sefaz indicam que o recolhimento estadual encolheu 6,25% nominais, na passagem de dezembro (R$ 1,44 bilhão) para janeiro (R$ 1,35 bilhão), sem levar em conta a inflação. O confronto com o primeiro mês de 2022 (R$ 1,27 bilhão) rendeu elevação real de 6,81%. A arrecadação federal, por outro lado, totalizou R$ 2,03 bilhões em janeiro, o que equivale a uma redução nominal de 4,24% em relação ao último mês de 2022 (R$ 2,12 bilhões). No confronto com o dado de 12 meses atrás (R$ 1,95 bilhão), houve acréscimo líquido de 4,16%.

Retomada e ajustes

Para a ex-vice-presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), e professora universitária, Michele Lins Aracaty e Silva, lembra que, além de refletir o desempenho da atividade econômica do país e de suas unidades federativas, o indicador também serve como balizador para a elaboração de estratégia de política monetária. Na análise da economista, os dados positivos do Amazonas foram puxados pelo desempenho do PIM, mediante números positivos dos setores estratégicos e com maior representatividade, em sintonia com o aquecimento para o Dia das Mães.

“Além da indústria, o setor terciário também foi relevante para os resultados, com destaque para o quantitativo de mão de obra ligado à atividade. Apesar dos pagamentos de IPVA e IPTU, as compras de material escolar de início de ano promoveram aquecimento da economia no início do ano. Os números refletem uma retomada. Para os próximos meses, acredito que seguiremos a mesma trajetória, uma vez que os ajustes no cenário macroeconômico já são conhecidos pelos setores e estes já detêm conhecimento para traçar novos investimentos”, ponderou.

Otimismo e liquidações

A consultora empresarial, professora, conselheira do Cofecon (Conselho Federal de Economia) e integrante da seção regional da Associação Brasileira de Economistas pela Democracia, Denise Kassama, observa que os indicadores positivos de janeiro foram uma grata surpresa e concorda que o empurrão da indústria foi decisivo para o resultado, principalmente no caso das linhas de produção de motocicletas. “É um valor agregado bem significativo e talvez este seja o subsetor de maior faturamento do PIM, além de ser um dos maiores exportadores. O mesmo pode ser dito no caso do segmento de bebidas/concentrados”, avaliou.

A economista lembra ainda que, embora o mês seja atípico e não marcado por datas comemorativas, o comércio costuma faturar com liquidações de ponta de estoque. “É um período em que o consumidor aproveita as promoções para fazer compras, além de adquirir material escolar. E o setor de serviços vai acompanhando o bonde. Quem tem sobra de 13º aproveita para cuidar da saúde, etc. Mas, os números não deixam de ensejar otimismo, comparado aos meses e anos anteriores. Mas, temos de acompanhar e ver como o trimestre vai fechar”, concluiu.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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