Motos puxam indústria para cima

Em: 18 de maio de 2023

A indústria de motocicletas do PIM fechou o primeiro quadrimestre com os maiores números de produção e vendas dos últimos nove anos. No total, foram fabricadas 513.879 unidades, 16,8% a mais do que o obtido nos quatro meses iniciais de 2022 (439.817). O resultado de abril (116.809) foi 23,4% mais fraco do que o de março (152.450) – que teve cinco dias úteis a mais. Mas, superou em 3,7% a marca do mesmo mês do ano passado (112.678). Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta terça (16), durante coletiva de imprensa realizada em Manaus.

Com isso, as projeções da entidade para 2023 foram novamente reafirmadas. A estimativa é que o Polo Industrial de Manaus deve fabricar 1.550.000 motocicletas até dezembro, o que representaria uma elevação anual de 9,7%. A confirmação de uma nova evolução recorde no ritmo das vendas domésticas, vai ao encontro da projeção da Abraciclo de fechar o ano com 1.490.000 emplacamentos, número 9,4% superior ao apresentado em 2022. E, embora as exportações tenham mostrado novo recuo, o cálculo sobre as vendas externas ainda vislumbra um aumento de 6,6% (59.000) na mesma comparação.

Durante a coletiva, o presidente da entidade, Marcos Antônio Bento, confirmou que o ritmo atual das linhas de produção está dentro do planejado para o cumprimento da meta, e avaliou que o segmento deve continuar aquecido pelos próximos meses, em face do aquecimento dos serviços de delivery, e de novos investimentos das empresas em tecnologia e na ampliação de seus parques fabris, entre outros motivos. “Temos diversos fatores que favorecem o mercado de motocicletas, como o menor custo de aquisição e de aquisição, a economia de combustível e a agilidade nos deslocamentos urbanos”, listou. 

Ao citar dados da Suframa, Marcos Antônio Bento lembrou que o polo de duas rodas já acumula bons resultados desde 2022. O subsetor cresceu 29,9% no período e faturou US$ 26,1 bilhões, ao representar 15% das vendas da indústria incentivada de Manaus. Lembrou também que o segmento responde por 16,3% (15.300) dos empregos e 23,8% (R$ 153,5 milhões) de da massa salarial do Distrito, além de gerar mais 150 mil postos de trabalho diretos em todo o país, e negócios para 1.500 fornecedores brasileiros de componentes. 

O presidente da Abraciclo lembra que o mercado brasileiro de motocicletas ainda está longe do pico de produção de 2,14 milhões de motocicletas, atingido em 2011. Diante disso, o dirigente avalia que o cenário ainda é de recuperação para o segmento, que ainda enfrenta reveses, como alta nas taxas de juros, dificuldades de acesso ao crédito e “diminuição do poder aquisitivo da população”. E acrescentou que a entidade acompanha de perto os desdobramentos da reforma Tributária. “Nossa expectativa é positiva, seguindo em um diálogo. Confiamos que as autoridades estão sensíveis para a importância da competitividade da Zona Franca de Manaus”, afiançou.

Vendas em alta

O volume comercializado nos 7.800 pontos de vendas e concessionárias do mercado interno atingiu o melhor resultado em dez anos, ao somar 120.969 unidades. A comparação com o mesmo mês de 2022 (107.707) representou acréscimo de 12,3%, embora tenha ocorrido queda de 17,2% frente a março (146.035). Em quatro meses, os emplacamentos avançaram 25,1% (478.178), indicando incremento de 30% e o maior número desde 2014. A média diária de emplacamentos em abril, que teve 18 dias úteis, foi de 6.721 unidades por dia. Foi 5,8% superior ao mês anterior (6.349 p/dia) – que teve 23 dias úteis – e 18,6% mais elevada do que o dado de 12 meses atrás (5.669 p/dia). 

A região brasileira com mais emplacamentos ainda é o Sudeste, representando 37,9% (45.884) das vendas, em abril. Na sequência, estão o Nordeste (37.105 e 30,7%), Norte (15.176 e 12,5%), Centro-Oeste (11.666 e 9,6%) e Sul (11.138 e 9,2%). As posições foram mantidas no quadrimestre. Com alta de 39,8%, a região Norte (60.912) teve o maior incremento no acumulado do ano – sendo que a expansão chegou a 38,5% no Amazonas.

A Street se manteve como a categoria mais licenciada no mês, com 63.449 unidades e 52,5% de participação no mercado. Foi seguida pela Trail (23.115 e 19,1%) e pela Motoneta (16.190 e 13,4%), entre outras. As motos de baixa cilindrada (até 160) representaram 80,9% (97.818) das vendas do mês. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam 15,9% (19.265) e foram os que registram maior alta ante o mesmo mês de 2022 (+31,8%). A categoria acima de 450 cilindradas contribuiu com apenas 3,2% (3.886) do total. 

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“Gradual e consistente”

O vice-presidente industrial da Moto Honda, Julio Koga, informou à reportagem do Jornal do Commercio, por meio de assessoria de imprensa da empresa, que a fábrica do PIM produziu mais de 384 mil motos, nos primeiros quatro meses do ano, o que corresponde a um crescimento 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em abril, mais de 87 mil motocicletas saíram das linhas do parque industrial da Honda em Manaus.  

O dirigente confirmou que os impactos nas cadeias de suprimentos e no setor de logística têm gerado desafios para a produção, mas reforçou que a empresa vem trabalhando “continuamente” junto aos fornecedores para manter os volumes estabelecidos. “Não temos nenhum impacto programado na produção por falta de insumos, mas a empresa monitora a situação constantemente”, enfatizou. 

Segundo Julio Koga a produção acompanha a tendência dos resultados comerciais e a expectativa é de que o mercado siga aquecido. “A projeção para 2023 é de um crescimento gradual e consistente, com um volume mais de 10% superior ao de 2022. É um resultado positivo, que demonstra o quanto a demanda por motocicletas está aquecida, tanto em função do setor de entregas, quando a busca por modais de transporte individuais e ainda pela procura por uma opção de mobilidade mais econômica”, concluiu.

Boxe ou coordenada: Exportações seguem em baixa

As exportações esboçaram reação, ao subir 30,1%, entre março (2.813) e abril (3.659). Mas, ficaram 7,3% abaixo do dado de 12 meses atrás (3.946). Conforme o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os embarques foram liderados pela Colômbia (1.109), que respondeu por 40,8% do total. Em seguida, estão a Argentina (810 e 27,8%) e os Estados Unidos (225 e 7,7%). De janeiro a abril, as vendas externas caíram 4,1%, de 14.533 (2022) para 13.935 (2023), sendo que os destinos preferenciais também foram Colômbia (5.130 e 27,9%), Argentina (5.036 e 27,4%) e EUA (2.462 e 13,4%).

O presidente da Abraciclo salientou que a expectativa é de recuperação das exportações, nos próximos meses. “O Brasil exporta para mais de 40 países. Nosso principal mercado são os países da América do Sul, porém, os negócios com outros países têm crescido nos últimos anos. A conquista de consumidores desses países é muito importante, pois mostra que nossos produtos possuem alto valor agregado e atendem aos altos níveis de exigência dos consumidores”, enfatizou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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