Indústria de motocicletas do PIM produziram 155.118 unidades em maio

Em: 15 de junho de 2023

A indústria de motocicletas do PIM bateu novo recorde em maio. As fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus produziram 155.118 unidades, superando em 19,5% a marca do mesmo período do ano passado (129.781). Foi o melhor desempenho para o mês, desde 2012. O número também ficou 32,8% acima do patamar de abril (116.809) – que contou com quatro dias úteis a menos. No acumulado do ano (668.997) o crescimento foi de 17,5%. Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta quarta (14), durante coletiva de imprensa realizada em Manaus.

Com isso, as projeções da entidade empresarial para 2023 foram novamente reafirmadas. A estimativa é que o Polo Industrial de Manaus deve fabricar 1.550.000 motocicletas até dezembro, o que representaria uma elevação anual de 9,7%. As vendas domésticas também apresentaram nova evolução recorde, e veio ao encontro da projeção da Abraciclo de fechar o ano com 1.490.000 emplacamentos, número 9,4% superior ao apresentado em 2022. O único dado negativo veio das exportações, que declinaram em todas as comparações. Ainda assim, a estimativa sobre as vendas externas foi confirmada para um aumento de 6,6% (59.000), na mesma comparação.

Em texto distribuído pela assessoria de imprensa da Abraciclo, o presidente da entidade, Marcos Antônio Bento, disse que os números alcançados nos cinco primeiros meses do ano estão dentro do planejado. “Tivemos um mês cheio em maio, com 22 dias úteis, o que nos permite equilibrar melhor a oferta e a demanda por motocicletas”. Durante a mais recente coletiva de imprensa, realizada em Manaus, no mês passado, o dirigente já havia mencionado que o cenário ainda é de recuperação, já que o mercado está longe do pico de produção de 2,14 milhões de motocicletas, atingido em 2011. 

Bento ressalta que o segmento de motocicletas deve seguir a tendência de alta, ao lembrar que a motocicleta possui atributos que continuam atraindo novos consumidores, como o fato de ser uma “opção ágil e econômica” de deslocamento, além de contar com valor de aquisição e de manutenção. Mas, não deixou de lembrar que ainda há obstáculos à continuidade desse crescimento. “A alta das taxas de juros, o acesso ao crédito e a diminuição do poder aquisitivo da população podem frear o crescimento da demanda por motocicletas”, alertou.

Vendas em alta

O volume comercializado nos 7.800 pontos de vendas e concessionárias do mercado interno atingiu o melhor resultado desde 2011, ao somar 161.505 unidades em maio. A comparação com o mesmo mês do ano passado (133.344) apontou acréscimo de 21,1%, enquanto a variação mensal foi reforçada em 33,5%. Em cinco meses, os emplacamentos avançaram 25,1% (639.683), uma diferença de 24%. 

A região brasileira com mais emplacamentos ainda é o Sudeste, representando 39,2% (63.363) das vendas do mercado, em maio. O Nordeste (49.807 e 30,8%) seguiu na segunda posição e alcançou o maior crescimento na comparação com o mesmo mês de 2022 (+26,9%). Na sequência estão as regiões Norte (21.026 e +13%), Centro-Oeste (14.331 e +8,9%) e Sul (12.978 e +8%). As posições foram mantidas no acumulado de janeiro a maio. 

A Street se manteve como a categoria mais licenciada no mês, com 86.247 unidades e 53,4% de participação no mercado. Foi seguida de longe pela Trail (30.015 e 18,6%) e pela Motoneta (19.555 e 12,1%), entre outras. As motos de baixa cilindrada (até 160) representaram 81,5% (131.551) das vendas de maio. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam 15,3% (24.787), ao passo que a categoria acima de 450 cilindradas contribuiu com apenas 3,2% (5.167) do total. 

“O bom desempenho das vendas no varejo é um reflexo da curva de produção nas unidades fabris, que tiveram produção plena em abril. Com isso, as concessionárias puderam atender ao consumidor que aguarda por uma motocicleta. Dessa forma, estamos reduzindo eventuais filas de espera”, comemorou o presidente da Abraciclo. “A procura pelas motocicletas equipadas com motores mais potentes tem crescido bastante. São consumidores que optam por modelos com mais recursos tecnológicos e usam a motocicleta também para o lazer”, emendou.

“Expectativas otimistas”

A Moto Honda informou à reportagem do Jornal do Commercio, por meio de sua assessoria de imprensa, que sua fábrica de Manaus produziu mais de 504 mil unidades, o que corresponde a um crescimento de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em maio, mais de 119 mil motocicletas saíram de suas linhas de produção, acompanhando a “tendência dos resultados comerciais.

“A projeção para 2023 é de um crescimento gradual e consistente, com um volume mais de 10% superior ao de 2022. É um resultado positivo, que demonstra o quanto a demanda está aquecida, tanto em função do setor de entregas, quando na busca por modais de transporte individuais, e ainda pela procura por uma opção de mobilidade mais econômica.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino, informou à reportagem do Jornal do Commercio que o fluxo de insumos importados vem se regularizando gradualmente, e que sua unidade fabril do PIM conseguiu ajustar a demanda às disponibilidades de peças proporcionadas pela cadeia de fornecedores. E que não houve, nem há nenhuma parada prevista – com exceção das férias coletivas, previstas para o final de junho

O executivo destacou que a Yamaha está batendo todas as metas previstas para o ano. “É a fabricante com o maior ganho de market share, em números absolutos, e isso decorre do esforço de todos da empresa para alcançar esse objetivo. As expectativas seguem otimistas. As vendas de maio foram as melhores desde 2012, o que nos dá perspectiva de que os volumes são crescentes, exatamente como o previsto originalmente”, arrematou.

Boxe ou coordenada: Exportações reforçam baixa

As exportações de motocicletas do PIM seguem em baixa. Recuaram 17,5%, entre abril (3.659) e maio (3.020), além de terem desabado 49,6% frente ao dado de 12 meses atrás (5.990). Conforme o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os embarques foram liderados pela Colômbia (1.632), que respondeu por 33,3% do total. Em seguida, estão a Argentina (1.350 e 27,6%) e o Uruguai (636 e 6,1%). De janeiro a maio, as vendas externas tombaram 17,4%, de 20.523 (2022) para 16.955 (2023). Os destinos preferenciais também foram Colômbia (6.762 e 29,1%), Argentina (6.836 e 27,4%) e EUA (2.762 e 11,9%).

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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