Solar Hub é projeto de conectividade de Dell e Intel na Amazônia

Em: 15 de junho de 2023

Falar de tecnologias de ponta é uma rotina a qual estamos acostumados. A explosão de Inteligência Artificial, processadores inovadores com chiplets, novas propostas de arquiteturas, entre tantos outros anúncios que mostram um pouco do futuro. O fato é que nem todos têm acesso a essas inovações futuristas — algo que nem sempre consideramos.

Grandes corporações estão cada vez mais cientes disso, e têm trabalho na adoção de práticas conhecidas como ESG, que incluem maior preocupação ambiental, responsabilidade social e governança. Em resumo, a proposta dessas práticas é tornar uma empresa mais sustentável e inclusiva, exercendo impactos sociais positivos na sociedade.

Um exemplo de projeto que trabalha o ESG são as chamadas Solar Community Hubs da Dell, unidades que levam de forma sustentável centrais conectadas a regiões isoladas em todo o mundo, visando dar voz e oportunidades a quem raramente é lembrado nas políticas públicas. São mais de 27 unidades em funcionamento, sendo uma das mais recentes a da comunidade de Boa Esperança, localizada no coração da floresta amazônica, a 350 km da capital Manaus.

A convite da Intel, uma das principais parceiras da Dell no projeto, o Canaltech visitou a primeira central do tipo no Amazonas, vendo de perto a importância da “Solar”, como ficou conhecida entre os habitantes, para auxiliar a população local a ter acesso facilitado a serviços essenciais, sem deixar de lado o respeito e o cuidado com a natureza.

O que é o Solar Community Hub?

O Dell Technologies Solar Community Hub é um projeto desenvolvido pela gigante norte-americana em parceria com a britânica Computer Aid, organização sem fins lucrativos focada em proporcionar tecnologia para mais pessoas, cuja primeira unidade foi estabelecida em meados de 2013 na Nigéria.

A central concentra não apenas computadores e conectividade para a população das áreas isoladas que atende, como também funciona de forma autossuficiente e sustentável. Entre as tecnologias implementadas para garantir essas características está a alimentação por painéis solares off grid, aspecto que dá nome às unidades.

Desde a estreia há 10 anos, mais 26 unidades foram abertas, com a 25ª delas tendo sido instalada no Brasil, na comunidade de Boa Esperança, visitada pelo Canaltech no início de junho. A proposta tem um forte impacto social e beneficia não apenas as empresas por praticamente atender a todos os requisitos estabelecidos pelas práticas de ESG, mas também populações nas situações mais delicadas, e tem um grande potencial de se adaptar.

Prova disso é a presença de unidades nos arredores da Ucrânia, que têm servido de abrigo para refugiados da guerra, e o próprio Solar Hub no Brasil, que atua em sinergia com a natureza ao estar presente em uma reserva de proteção ambiental e possuir tecnologias sustentáveis desenvolvidas pelos moradores, integradas o suficiente para servir de exemplo para atuais e futuras instalações no restante do mundo.

O projeto da Amazônia: desafios e adaptações

Apesar da vista excepcionalmente linda em uma imensidão de verde da floresta amazônica, o trajeto até Boa Esperança é complexo. Partimos de Manaus em um pequeno avião de 9 lugares para chegar cerca de 1h30 depois na cidade de Manicoré, ponto mais próximo da comunidade, de onde é feita a etapa seguinte do trajeto. Em uma lancha de alta velocidade, levamos mais uma hora para então chegar ao local.

É justamente esse o ponto que destaca a importância do projeto para a população. Pessoas que buscavam estudar, fazer um tratamento médico ou até realizar tarefas consideradas “básicas” por nós, como pagar as contas, precisavam viajar por horas para chegar a Manicoré ou Manaus. Com a instalação do Solar Hub, foi possível reduzir o número de viagens e até eliminá-las por completo em alguns casos.

As dificuldades de acesso também é vista no próprio processo de instalação da unidade, que precisou viajar por dias em duas balsas e ser levada por tratores até a área em que seria estabelecida. Por outro lado, a verdadeira odisséia mostra um dos aspectos mais bonitos da iniciativa — muito engajada, a comunidade se propôs a ajudar no transporte dos equipamentos e trata o Hub com muito carinho, algo perceptível no olhar e nas palavras de gratidão da presidente da associação de moradores, Maria Ana Hipi da Costa, a dona Ana.

O Solar Community Hub da Amazônia se estabelece em quatro pilares: Infraestrutura Comunitária, Educação, Saúde e Monitoramento Ambiental. A proposta da Infraestrutura Comunitária é melhorar a qualidade de vida da população, através das iniciativas desenvolvidas pelos próprios moradores. Entre elas estão o tratamento de água da chuva para consumo e o uso do esgoto do banheiro para adubar um pequeno grupo de bananeiras, e até o estudo do uso de IA para a criação de um “ChatGPT da floresta”.

O pilar de Educação se baseia na tecnologia oferecida, incluindo cursos do básico ao avançado sobre pacote Office e informática em geral, e até formação acadêmica à distância — jovens que querem ingressar na faculdade já não precisam viajar por horas ou mesmo mudar de cidade para se formarem. A Saúde também tira proveito das máquinas e impressiona pelos números registrados.

As consultas são feitas via teleatendimento no mesmo dia em que são marcadas, e totalizam uma média de 20 a 25 por mês, o que faz de Boa Esperança o ponto com maior número de consultas virtuais no estado do Amazonas. Isso facilitou a logística da população, que agora só precisa ir a Manicoré ou a Manaus para a realização de exames, sem ter de ir e voltar diversas vezes. Os resultados são enviados ao médico por escaneamento, e há um estoque de medicamentos no ambiente para agilizar o tratamento.

Por fim, o Monitoramento Ambiental mostra o impacto que a iniciativa de Dell, Intel e Computer Aid tem não apenas para os moradores, como também para a sociedade. Agentes de fiscalização usam a conectividade do Hub para avaliar dados coletados do banco de dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável, entre outras coisas, por acompanhar o estado do desmatamento da Amazônia.

A tecnologia por trás do Hub

Para os entusiastas de tecnologia de plantão, temos alguns detalhes interessantes sobre o Hub. A internet atualmente utiliza sinal de rádio da RealNet, mas a transição para a Starlink, a internet via satélite de maior velocidade, já foi iniciada, com os jornalistas que visitavam o local tendo a oportunidade de testá-la durante a visita.

O conjunto de computadores usados é composto em sua maioria dos notebooks Dell Latitude 14 Rugged, modelo especial com corpo espesso e certificação militar de resistência preparado para ambientes extremos, algo importante para os agentes ambientais, mas o gerenciamento e o restante das máquinas utiliza o Dell Wyse, um servidor local de baixo consumo melhor dimensionado para a energia solar.

O Hub é estabelecido em um contêiner de navio feito em aço — essencial para resistir às temperaturas e características ambientais da floresta —, mas possui toques pessoais dos moradores. As salas são construídas em madeira e a decoração foi feita por um grafiteiro profissional, mas possui uma área pintada pela população, outros dois símbolos do engajamento da comunidade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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