Marco Dassori
Twitter: @marco.dassori
As vendas das concessionárias amazonenses de veículos zero quilômetro esboçaram recuperação, em maio. Os emplacamentos somaram 7.137 unidades e resultaram em uma escalada de 21,90% ante abril (5.855). O confronto com igual período de 2022 (6.003) confirmou expansão de 18,89%. No acumulado do ano, o segmento já cresceu 24,39%, somando 29.533 unidades. O desempenho positivo se deveu principalmente às motocicletas, em detrimento dos veículos pesados. Mas, automóveis e comerciais leves também avançaram, no mês de anúncio do retorno do programa federal de incentivo ao carro popular.
Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), que se amparou nos emplacamentos do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) e levou em conta todos os tipos de veículos – incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus e motocicletas. Vale notar que os dados locais devem ser levados também sob a perspectiva do transit time (tempo de trânsito) entre faturamento e emplacamento, um hiato que pode durar 30 dias, em virtude da logística de translado entre as fábricas do Centro-Sul e as concessionárias no Estado.
O Amazonas acompanhou a média nacional. Maio registrou o licenciamento de 357.266 veículos, de Norte a Sul do país, 20,35% a mais que em abril (296.853). O saldo brasileiro também veio 5,57% mais elevado do que o de 12 meses atrás (338.429). Em três meses, as vendas expandiram 14,80%, totalizando 1.532.906 unidades. A performance positiva contrastou com mais um mês de paralisações na produção das montadoras. Empresas como a Hyundai, General Motors e Renault anunciaram novas interrupções em suas linhas de montagem neste mês, mesmo depois do anúncio do programa federal.
Em comunicado à imprensa, a Fenabrave lembrou que o crescimento mensal de maio foi favorecido pelos quatro dias úteis a mais. A média diária de vendas de automóveis e comerciais leves vem retrocedendo, tendo passado de 8.420 para 7.560, entre abril e maio, uma diferença de 10,21% – o pior desempenho para o período desde 2016. De acordo como a entidade, que preferiu não falar de projeções, a queda só foi amenizada pelo “bom volume de motocicletas emplacadas”. De janeiro a maio, o segmento teve vendas 42% mais fortes do que as contabilizadas em igual período de 2019 – antes da pandemia. Automóveis e comerciais leves despencaram 27,1% na mesma comparação.
Automóveis x motocicletas
Em maio, cinco das sete categorias listadas pela Fenabrave registraram elevação de vendas no Amazonas, na variação mensal. O melhor desempenho proporcional veio dos implementos rodoviários, que escalaram 94,74%, com apenas 37 unidades comercializadas. Outro destaque veio de “outros veículos” (+55,56% e 42) – que inclui tratores, máquinas agrícolas e carretas. Na sequência estão as motocicletas (+28,93% e 4.893), comerciais leves (+18,40% e 605) e automóveis (+4,52% e 1.481). Em contraste, ônibus (-10% e 18) e caminhões (-7,58% e 61) foram na direção contrária.
O número de categorias com expansão de vendas é menor no confronto com o mesmo mês do ano passado. A lista inclui apenas “outros veículos” (+35,71%), motocicletas (+25,69%), comerciais leves (+16,12%), “outros veículos” (+5%) e automóveis convencionais (+4,96%). No acumulado do ano, o rol de segmentos no azul incluiu motos (+35,21% e 19.326), ônibus (+23,21% e 138), carros de passeio (+10,73% e 6.914), “outros” (+8,82% e 185), implementos rodoviários (+5,20% e 182) e comerciais leves (+5,06% e 2.510).
Em sintonia, as motocicletas voltaram a aumentar a diferença em relação aos veículos de quatro rodas no ranking das categorias veiculares mais comercializadas no Amazonas. A participação das motos no bolo de vendas do Amazonas continuou predominante, avançando de 60,20% (2022) para 65,44% (2023), no comparativo do acumulado ano. Em sentido contrário, a soma dos automóveis e comerciais leves voltou a reduzir sua fatia na mesma comparação, com 31,91% (2023) contra 36,36% (2022).
“Juros e dificuldades”
Em entrevistas anteriores à reportagem do Jornal do Commercio, o sócio diretor da Kodó Veiculos, Diogo Augusto Maia da Silva, apontou que as vendas avançaram em ponto morto neste ano, e que os crescimentos pontuais se deveram principalmente à normalização gradual no fornecimento de alguns modelos e o faturamento de veículos que já estavam em listas de pedidos antigos – principalmente aqueles efetuados por pessoas jurídicas.
Em nova entrevista, o empresário reforçou que a pressão dos aumentos de preços dos carros e a escalada dos juros aumentaram o gargalo de vendas do setor. Segundo a Anefac, o CDC para financiamento de automóveis foi um dos que mais encareceu em maio (+0,92%) e já está onerando os contratos em 2,19%, ao mês, e em 29,69%, ao ano. “Estamos esperando melhoras para o setor, porém ainda esbarramos nas altas taxas de juros e dificuldades no crédito. Esperamos que, com essa baixa nos valores relacionada à MP do Carro Popular, comecemos a ter mais giro nos negócios. As lojas estão cheias de carros”, desabafou, sem entrar em mais detalhes.
Em entrevista recente à reportagem do Jornal do Commercio, o gerente regional de Seminovos do Grupo Revemar, Rubem Lima, disse que o ano está sendo de vendas “acima do esperado” para a empresa, que trabalha nos segmentos de carros novos e usados. O dirigente ressalvou, no entanto, que o crescimento foi uma realidade apenas para estes últimos. “O problema não é de demanda, mas de inadimplência. O crédito está muito difícil e só costuma sair para o cliente com perfil AA, com as dívidas em dia e renda adequada. Já os usados e seminovos tiveram reduções de preços”, avaliou.
“Compasso de espera”
Em comunicado à imprensa, o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Jr, destacou que o mercado ainda não sofreu os reflexos da espera do consumidor pelos incentivos prometidos pelo governo federal, para acelerar as vendas de automóveis e comerciais leves. Na análise do dirigente, a retração em âmbito nacional pode ser atribuída à restrição de crédito e à queda no poder de compra do consumidor.
“O anúncio do governo foi feito em 25 de maio, a poucos dias do encerramento do mês. Como há um certo intervalo entre a data da compra do carro e seu registro pela Senatran [Secretaria Nacional de Trânsito], devemos sentir maior retração nos emplacamentos apenas nos primeiros dias de junho”, amenizou, acrescentando que a “celeridade” governamental no anúncio e implantação das medidas é a saída para a retomada.
Andreta Jr lembrou que a Fenabrave representa 54 associações de marca e mais de 7.300 concessionárias. Diante disso, informou que tem recebido ligações de seus filiados, alegando paralisação nas vendas e que o consumidor está em “compasso de espera” pelo projeto do governo. “Essa é uma situação muito difícil. Além das metas, estabelecidas pelas montadoras, as concessionárias têm compromisso com mais de 310 mil colaboradores diretos”, encerrou.







