A ACA (Associação Comercial do Amazonas) fez aniversário neste domingo (18), comemorando 152 anos de lutas e conquistas. Trata-se da mais antiga entidade empresarial do Estado, atuante desde os anos do primeiro Ciclo da Borracha (1880-1910) e do crepúsculo do Brasil Império (1824-1889). Nesse período, a entidade enfrentou e continua enfrentando muitos desafios, da retomada pós-Ciclo da Borracha à luta pela manutenção da ZFM às portas da reforma Tributária, e passando pelos impactos econômicos de duas pandemias globais.
A Associação Comercial do Amazonas foi fundada em 1871, para apoiar a produção de borracha. Foi pioneira em representar o empresariado amazonense, com o objetivo de reivindicar e incentivar a economia local. Foi presidida inicialmente por José Coelho de Miranda Leão (1871-1873), João José de Freitas Guimarães (1873-1877) e Guilherme Moreira (1877-1880) – que batizou a rua onde se encontra sua sede, no Centro de Manaus.
No mesmo período, a associação solicitou a criação de um banco e a construção de um trapiche para apoiar a exportação. O Ciclo da Borracha propiciou um curto período de prosperidade a Manaus, resultando em exposições no Brasil e no exterior. A perda de competitividade para a Ásia, contudo, encerrou esse capítulo. Durante a Primeira Guerra Mundial, a ACA sugeriu a aquisição do prédio dos Correios para abrigar seu museu.
Apesar das dificuldades decorrentes da epidemia de Gripe Espanhola e da crise que se seguiu ao fim da economia da borracha, nos anos 1920, a ACA conseguiu estimular a criação de novas indústrias, com destaque para a produção de chicle, açúcar e aguardente. É consenso entre as lideranças do setor que, ao longo dos anos, a ACA teve papel fundamental em diversos momentos da história do Estado, contribuindo para o seu desenvolvimento, além de exercer papel relevante na atualidade, como uma das principais instituições representativas do empresariado amazonense.
Defesa de interesses
O presidente da ACA, Jorge de Souza Lima, reforça que a entidade foi a guardiã de todos os setores econômicos atuantes no Estado, desde a sua fundação, até o advento da Zona Franca de Manaus, em 1967. “Isso inclui a defesa dos interesses da indústria, comércio, extrativismo. Ela se tornou, na época, um órgão consultivo. Nossa revista era lida internacionalmente, no auge do Ciclo da Borracha. Até hoje, continuamos com esse mesmo intuito. E a ACA não abrange apenas os interesses do comércio, mas representa também os profissionais liberais de nosso Estado”, destacou.
O dirigente lembra que a entidade foi criada principalmente para defender a navegação de cabotagem, mas acabou abrindo seu leque de atuação. De acordo com Jorge Lima, a ACA ajudou na criação das demais entidades de classe do Amazonas, décadas mais tarde. A lista inclui a Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas), Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas), FCDL-AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus), Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e Amase (Associação Amazonense de Supermercados).
“Tudo o que você pensar em termos de entidades, associações, e até mesmo sindicatos patronais que atuam em nosso Estado, foram criados na ACA. Funcionou por lá a Jucea [Junta Comercial do Estado do Amazonas] e a rádio Baré. Então, ao completar 152 anos de existência, ela já é muito rica nesse acervo, e defendendo o comércio. Falo sempre que quis Deus que eu estivesse nessa época, para festejar o aniversário desta casa com muito orgulho”, exclamou.
Gestão de crise
Na mesma linha, o vice-presidente da ACA, Paulo Souto, assinala que a ACA vem prestando “relevantes serviços” há 152 anos, tanto para a comunidade comercial “jurisdicionada”, quanto para a sociedade amazonense em geral. E lembra que, como órgão consultivo dos governos federal, estadual e municipal, a entidade participa “ativamente” na sugestão de políticas públicas em defesa da livre iniciativa.
“A Associação possui representações em diversas comissões ligadas à órgãos públicos nos três níveis de governo, tendo inclusive representação na Jucea [Junta Comercial do Estado do Amazonas] e no Conselho de Recursos Fiscais do Município de Manaus. Também presta serviços de informações sobre créditos e restrições por intermédio do SCPC, além de fornecer atestado de exclusividade para as empresas e certificados digitais”, acrescentou.
Indagado a respeito de momentos mais recentes em que a atuação da entidade foi marcante, Paulo Souto lembrou que, na “época forte” da pandemia, a ACA integrou o grupo de gestão de crise, tendo atuado na proteção à saúde e na preservação das empresas e empregos, além de ter distribuído cestas básicas em várias municípios do Amazonas.
“Em sua estrutura física, a ACA possui excelentes instalações para palestras e reuniões aos interessados. Tem apoiado a implantação do CMEC [Conselho da Mulher Empreendedora no Amazonas] e fomentando o empreendimento feminino. Merece destaque que a fundação da ACA teve forte participação da comunidade portuguesa e da maçonaria. De seu quadro de associados, grandes empresas participam e apoiam suas atividades. Enfim é uma luta constante que exige de sua diretoria muita dedicação e comprometimento com a causa empresarial e com o bem estar da sociedade”, frisou.
Revoluções industriais
O presidente da assembleia geral da ACA, Ataliba David Antonio Filho, destaca que a mais antiga entidade empresarial do Estado nunca perdeu o foco na certeza de defender os interesses empresariais do Estado. “Ela surgiu após a primeira Revolução Industrial, com a descoberta da navegação a vapor, defendendo o comércio através dos rios amazônicos. E a segunda Revolução Industrial, colocou a economia gomífera na cadeia produtiva, com o surgimento da produção em série”, citou.
Segundo o dirigente, até o advento Zona Franca de Manaus, a ACA era a guardiã da economia do Amazonas, até que o leque de entidades começasse a se abrir, a partir dos anos 1960. “Com a terceira Revolução Industrial, consolida-se o parque industrial de Manaus e o comércio como protagonista e importador de eletrônicos. A ACA, juntamente com suas coirmãs, passou a defender a preservação do modelo, que permite 97% da floresta em pé e que perdura até hoje. A Associação continua viva e atuante, às portas da quarta Revolução Industrial, que terá um impacto mais profundo, com a fusão do mundo físico, digital e genético”, enfatizou.
Para Ataliba David Antonio Filho, o maior desafio da ACA é manter viva e pujante a luta pela manutenção do modelo econômico existente, mantendo todas as vantagens comparativas e o apoio institucional pela manutenção do modelo econômico. “Apesar da reformas Tributária anunciadas, e a promessa de manter o modelo, a luta é para que o modelo ZFM esteja realmente consolidado e que venham a proporcionar um bom ambiente de negócios e para atração de investimentos”, concluiu.







