O comércio de Manaus já passou pela prova de fogo do Dia das Mães e do Dia dos Namorados e se prepara para o Dia dos Pais. A boa notícia é que oito em cada dez consumidores confirmam que vão comprar presentes, conforme aponta a pesquisa do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas). Apenas um respondeu que vai decidir na última hora. Mas, em sintonia com os tempos de incertezas, a maior parte dos entrevistados avisa que vai limitar os gastos a R$ 100, priorizando bens semiduráveis e não duráveis, em detrimento de produtos de maior valor agregado.
Embora 10% digam que vão recorrer ao comércio online para se abastecer de presentes, a escolha do consumidor ainda recai principalmente sobre os estabelecimentos presenciais. O destaque é para os shoppings centers da cidade, repetindo a tendência esboçada nas datas comemorativas mais recentes. Na hora de escolher, a “qualidade dos produtos” é apontada como fator primordial de decisão – além de preços, promoções e ofertas. Mas, diante da escalada dos juros e da manutenção do endividamento e inadimplência em patamares elevados, 61% dos entrevistados apontam preferência pelos meios de pagamento à vista.
Ao menos 43% dos consumidores está disposta a gastar entre R$ 80 e R$ 100 na compra do presente para o Dia dos Pais deste ano. O percentual de entrevistados pelo Ifpeam que espera estender os dispêndios a uma faixa que vai um pouco mais longe, de R$ 101 a R$ 200, é pouco menor que isso e chega a 37%. Uma parcela minoritária, mas significativa, espera que as compras somem cifras entre R$ 201 e R$ 400.
Na lista de compras, predominam itens tradicionais e de menor valor agregado, nos segmentos de vestuário (27%), calçados (19%) e de perfumes e cosméticos (17%), além de bolsas e acessórios (10%), ou mesmo uma homenagem singela em almoço/jantar (5%). Há quem esteja disposto a investir mais e adquirir smartphones (4%), joias e relógios (4%), artigos esportivos (4%) ou viagens e passeios (3). Mas, 7% ainda estão indecisos. Os três primeiros itens também encabeçam a lista de desejos dos homenageados, que também manifestam vontade maior de ganhar produtos mais caros, como celulares e produtos de relojoaria/ourivesaria, além de viagens.
Locais e pagamentos
Diante do risco de cair nas listas de endividamento e inadimplência, a maioria dos manauenses busca fugir do crédito. O grupo que inclui as modalidades à vista, como dinheiro, Pix, transferência bancária e boleto bancário conta com a simpatia de 31% dos entrevistados. O percentual supera a metade, se forem incluídos os consumidores que escolhem o cartão de débito (20%). Na outra ponta, 32% avisam que vão usar cartão de crédito, enquanto a escolha de outros 7% está no crediário, carnê ou cartão da própria loja.
“O pagamento via Pix, dinheiro ou transferência bancária registrou aumento no uso, e se tornou o meio mais usado, tendo em vista que em 2022 o cartão de crédito ainda ocupava o primeiro lugar. O pagamento por aproximação também começa a caminhar para se tornar mais comum nos estabelecimentos. Essa ampliação dos métodos de pagamentos oferece boas perspectivas, atendendo ao interesse dos consumidores, que buscam por uma experiência com maior autonomia no varejo”, pontuou o Ifpeam, no texto da sondagem.
Uma boa notícia para os lojistas é que, a despeito da mudança de costumes estabelecida pela pandemia, 90% dos consumidores manifestaram preferência pelas compras no comércio presencial – um percentual maior do que o do Dia dos Namorados (79%). Dentro desse grupo, a preferência é pelos shoppings (49%), seguidos pelo varejo do Centro (31%), lojas de rua e de bairros (17%) e hipermercados (3%). Entre os 10% que vão comprar online, as escolhas são sites/lojas virtuais (55%), Instagram (32%) e WhatsApp (13%).
O principal critério decisório nas compras é, segundo os entrevistados, a “qualidade dos produtos” (26%). Fatores econômicos, como preço (19%) e “promoções e ofertas” (12%), entretanto, ainda se mantêm em destaque, assim como o “frete grátis” (4%). O consumidor também está de olho no atendimento (11%), variedade de produtos (7%), segurança (6%), facilidade de pagamento (5%), localização (4%), climatização (3%) e pronta entrega (3%)
O Ifpeam perguntou também quais fatores fazem o cliente desistir da compra. A “má qualidade de relacionamento com o cliente” aparece com 27% dos votos, sendo seguida por “taxas de frete elevadas” (16%), “lojas ou sites não confiáveis” (13%), “falta de informações dos produtos” (13%), “falta de segurança” (11%), “má reputação em sites ou nas redes sociais” (11%) e “prazos longos de entrega” (9%).
“Consumidor cauteloso”
Em entrevistas recentes à reportagem do Jornal do Commercio, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, salientou que o varejo está combalido por aumentos da carga tributária, dos juros e da contenção das vendas pelo endividamento do consumidor. Mas manifestou esperança de que a votação do arcabouço fiscal no Congresso traga estabilidade econômica e permita ao BC iniciar um ciclo de baixa na Selic.
Procurado novamente, o dirigente avaliou que o estudo ainda captura, assim como nas datas comemorativas mais recentes, um consumidor mais comedido diante das dificuldades econômicas. “O Dia dos Pais não foge aos moldes das datas comemorativas. Há uma adesão maior de consumidores, mas as formas de pagamento, assim como outros fatores listados na pesquisa, continuam seguindo o mesmo padrão de comportamento”, comentou.
O presidente da assembleia geral da ACA, Ataliba David Antonio Filho, lembra à reportagem do Jornal do Commercio que o Dia dos Pais é uma das datas mais importantes do calendário do comércio, embora seja voltado mais para produtos com “perfil de consumo masculinos”. No ranking do varejo brasileiro, a data comemorativa aparece na quarta posição. Mas, segundo o dirigente, as mudanças de comportamento decorrentes da pandemia e da crise econômica limitam o alcance das vendas.
“No calendário do comércio, o Dia dos Pais tem sido uma data de aquecimento significativo. Mas, no atual cenário de incertezas institucionais das políticas econômicas, os juros inviabilizam as compras de longo prazo [e de maior valor agregado]. Os consumidores estão retraídos e se arvoram a compras módicas até R$ 100. Ainda vejo o consumidor com um perfil cauteloso e resguardando a sua adimplência no mercado”, arrematou.
Boxe ou coordenada: Saiba mais sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada com 1.714 consumidores de Manaus, entrevistados nos 6, 7 e 9 de junho, via Google Formulários, aplicativo de mensagens instantâneas e entrevistas pessoais em locais de “grande fluxo”. Mulheres são 61% e homens, 39%. As faixas etárias predominantes são as que vão de 25 a 39 anos (52%), e entre 18 e 24 anos (28%), seguidas por aqueles que têm 40 a 39 anos (14%) e 50 anos ou mais (6%). A maioria tem renda até dois salários mínimos (59%), de dois a três mínimos (23%), de quatro a cinco mínimos (11%) e acima de cinco mínimos (7%). Os entrevistados moram nas regiões Norte (28%), Oeste (22%), Sul (20%), Leste (19%), Centro-Oeste (7%) e Centro-Sul (4%).







