A indústria de motocicletas do PIM consolidou um novo recorde no primeiro semestre de 2023. As fábricas do Polo Industrial de Manaus fabricaram 764.271 unidades, superando em 13,9% a marca do mesmo período do ano passado (671.293). Foi o melhor resultado para o período, desde 2014. A produção de junho (95.274), no entanto, tombou 38,6% diante de maio de 2023 (155.118), que teve a mesma quantidade de dias úteis. Já o confronto com o mesmo mês do ano passado (101.695) indicou um recuo de 6,3% nas linhas de produção.
Os números foram divulgados pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), nesta segunda (10), em coletiva de imprensa online. A despeito da desaceleração mensal, o desempenho acima do esperado no acumulado do ano – assim como as salvaguardas ao PIM no texto da reforma Tributária aprovado pela Câmara – levou a entidade a elevar suas metas para 2023. A estimativa agora é que o PIM deve fabricar 1.560.000 motocicletas até dezembro, o que representaria uma elevação anual de 10,4%. Até então, a projeção de acréscimo era de 9,7% (1.550.000)
As vendas domésticas apresentaram nova evolução e também sofreram correção para cima. A projeção da Abraciclo passou a ser fechar o ano com 1.511.000 emplacamentos, quantidade 10,9% superior à alcançada em 2022. O acréscimo estimado anteriormente era de 9,4% (1.490.000). O único dado negativo veio novamente das exportações, que declinaram em quase todas as comparações. Com isso, expectativa para dos fabricantes trocou o sinal e a perspectiva passou a ser de retração de 11,5% (49.000). Até o mês passado, as empresas esperavam encerrar o ano com alta de 6,6% (59.000).
“Garantia constitucional”
Durante a coletiva de imprensa, o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, destacou que a aprovação da PEC da reforma Tributária na Câmara dos Deputados foi “muito importante” para a ZFM, além de abrir caminho para mais crescimento e investimentos. “O texto reforçou a garantia constitucional da Zona Franca até 2073. Isso garante a competitividade da indústria e colabora com o desenvolvimento socioeconômico regional e a preservação ambiental da Amazônia. Essa segurança jurídica é muito importante não só para o anúncio, mas também para a atração de novos investimentos para a região”, comemorou.
Marcos Bento assinalou também que a conjuntura macroeconômica, é positiva para os fabricantes de motocicletas, com sinalização de queda da cotação do dólar, conforme os números das últimas três semanas, um aumento de taxas de emprego, segundo os dados do Novo Caged, e uma expectativa da equipe econômica do governo federal para crescimento do PIB com menor inflação. “O cenário aponta para uma necessidade de redução da taxa de juros, para melhoria do ambiente de negócios”, frisou.
No entendimento do dirigente, o cenário também apresenta oportunidades setoriais, em virtude do diferencial do produto. “Vale destacar o protagonismo da logística urbana, especialmente com uso para o delivery. É um instrumento importante para os deslocamentos urbanos, principalmente pela economia com baixos custos de aquisição, manutenção e quilômetro rodado. Tudo isso faz com que nossos fabricantes continuem atentos a novos investimentos, com ampliação e modernização dos parques produtivos e adoção de novas tecnologias”, listou.
O presidente da Abraciclo citou números positivos da Suframa para reforçar sua análise, ao informar que o polo de duas rodas do PIM acumulou faturamento de R$ 26 bilhões nos cinco primeiros meses do ano, e média mensal de 16.300 empregos diretos. Acrescentou ainda que o segmento responde por mais de 150 mil postos de trabalho em todo o país, além de gerar negócios para 1.500 empresas brasileiras que fornecem componentes.
Varejo e exportações
O volume comercializado no varejo interno encolheu 13,1% entre maio (161.505) – que foi um número recorde para o mês – e junho (140.387). A comparação com o mesmo mês do ano passado (120.800), entretanto, apontou acréscimo de 16,2%. Em seis meses, os emplacamentos avançaram 22,5% totalizaram 780.070 unidades. O Sudeste concentrou 38,5% das vendas do acumulado, sendo seguido já mais de perto pelo Nordeste (30,3%), e mais de longe pelo Norte (12,8%), Centro-Oeste (9,6%) e Sul (8,8%).
As motos de baixa cilindrada (até 160) representaram 81,8% (114.816) das vendas de junho. Os modelos de 161 a 449 cilindradas responderam 15% (21.120), ao passo que a categoria acima de 450 cilindradas contribuiu com apenas 3,2% (4.451) do total. A categoria Street respondeu por 52% (72.991) dos licenciamentos do mês, seguidas de longe pela Trail (25.918 e 18,5%) e Motoneta (19.767 e 14,1%), entre outras. “As motocicletas elétricas respondem hoje por % do total. A expectativa é que suas vendas cresçam gradativamente mas em um espaço curto de tempo. Todos os dez fabricantes associados têm essa tecnologia em seu radar”, pontuou o presidente da Abraciclo.
Já as exportações aceleraram no mês, mas seguem em baixa. Subiram 19,2%, entre maio (3.020) e junho (3.600), mas houve queda de 21,7% frente ao dado de 12 meses atrás (4.600) e o semestre ficou negativo em 17,6% (20.600). Conforme o portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat, os embarques do acumulado do ano foram liderados pela Colômbia (7.000), que respondeu por 28,9% do total, em uma lista de mais de 40 países. Em seguida, estão a Argentina (6.200 e 25,5%) e os EUA (4.700 e 19,2%). “Um dos fatores de queda é a desarmonia é a falta de harmonia de nossa legislação de emissões com nossos países vizinhos”, destacou Marcos Bento.
“Conjuntura favorável”
As principais montadoras do PIM também comemoraram. Em comunicado de imprensa, a Moto Honda informou que fechou o semestre com 7% de aumento de produção, o melhor dado desde 2015. Segundo a montadora, o desempenho também se refletiu nas vendas e reflete o fortalecimento de suas estratégias comerciais, com foco na atualização do line up e fortalecimento da marca. “Seguimos monitorando o ambiente de negócios e nossa projeção é encerrar 2023 com um volume mais de 10% superior ao do último ano”, afirmou o diretor de Gestão de Relacionamento com o Cliente da Honda South America, Marcelo Langrafe, prometendo dez lançamentos para os próximos dois anos.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o gerente de Relações Institucionais da Yamaha, Afonso Cagnino, disse à reportagem do Jornal do Commercio que os números confirmam um “bom momento” para o mercado. A fábrica teve alta de 14% no semestre, no melhor resultado desde 2014. Segundo o dirigente, os resultados estão dentro do esperado e dão base a uma alta de 5% a 10% em 2023. “O balanço é positivo, graças a uma conjuntura econômica favorável. Ainda há instabilidades nas cadeias de fornecimento global, mas conseguimos adequar o volume de produção à disponibilidade de insumos, e seguimos sem interrupções. Nossa expectativa é manter o plano de produção e que o segundo semestre siga na mesma trajetória do primeiro”, concluiu.







