Andreia Leite
De acordo com o Censo Brasileiro de Shopping Centers 2023-2024 da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), o setor registrou recorde de faturamento em 2023, atingindo R$ 194,7 bilhões. Reflexo da recuperação das vendas no ano passado, mesmo diante das dificuldades macroeconômicas do país durante o período, este é o maior valor já registrado pelo segmento. A associação apresentou um crescimento de 1,5% em comparação ao ano anterior, quando o setor movimentou R$ 191,8 bilhões. O resultado também superou a marca de 2019, a maior até então, com R$ 192,8 bilhões faturados.
O número de lojas também cresceu e chegou a 121 mil, um acréscimo de 4,5% na comparação com 2022 (115 mil lojas). Com isso, a taxa de ocupação ao longo de 2023 alcançou 94,6%, ante o patamar de 94,4% em relação a 2022 e bem próxima da marca de 2019, a maior até então (95,3%).
Embora o censo não revele recorte por região em relação ao faturamento, o segmento em Manaus colheu bons frutos no ano passado. Ao longo de 2023, vários nichos e lojas concentradas nos centros de compras confirmaram essa tendência nacional.
O Norte está também entre as regiões com destaque para a inauguração de quiosques. Em todo país, o estudo evidencia sua crescente relevância, com um total de 15.612 unidades em operação ao longo de 2023, correspondendo a uma média de 24 quiosques por shoppings.
Outro indicador relevante é o referente aos supermercados. O Censo revela que 49% dos shoppings brasileiros abrigam alguma atividade desse segmento, seja atacarejo, hipermercado, minimercado ou supermercado. Isso mostra o quanto os empreendimentos no Brasil têm se esforçado para oferecer um mix completo para os clientes, indo além do consumo tradicional e trazendo operações que facilitam o dia a dia das pessoas. Nesse contexto, os shoppings das regiões Sudeste, Norte e Sul lideram, seguidos por Nordeste e Centro-Oeste.
Para o presidente da Abrasce, Glauco Humai, mesmo diante dos desafios macroeconômicos enfrentados pelo país, o setor revelou resiliência e capacidade de crescimento em diversos aspectos. “O maior comprometimento da renda de muitas famílias com dívidas bancárias, somado aos elevados patamares de juros e às dificuldades para quitar débitos, impactaram o comércio ao longo de boa parte do ano. Contudo, em contrapartida, o arrefecimento dos preços de alimentação, que resultou em um aumento da renda disponível da população, e o dinamismo observado no mercado de trabalho em 2023 foram fatores que proporcionaram um alívio para a população, influenciando positivamente os padrões de consumo ao longo do ano”, ressalta.
Para o executivo, “o crescimento observado reflete a resiliência e a capacidade adaptativa do setor de shopping centers diante dos desafios econômicos, consolidando-se como um indicador positivo para a vitalidade e recuperação contínua da economia brasileira”.
Apesar de não informarem sobre faturamento, alguns representantes do setor no Amazonas confirmam essa tendência de alta em relação a 2022. Mesmo porque 2022 foi um ano desafiador para vários segmentos, mas foi praticamente o primeiro ano após a pandemia em que o fluxo dos visitantes fez a diferença. Houve ao longo daquele ano um aumento médio nas vendas em torno de 20% ao longo do ano. E 2023 já sinalizava um aumento desse percentual.
Bons resultados
Para quem atua no ramo de confecção e calçados afirma que o resultado foi positivo. “Apostamos em estratégias promocionais ao longo de 2023 em diferentes datas comemorativas, isso foi fundamental para alcançarmos índices favoraveis”, disse o gerente de uma loja de vestuário, Álvaro Mota.
Na percepção da vendedora de uma loja de calçados, Lais Silva, o shopping apresentou um maior fluxo de visitantes, o que refletiu no aumento no volume de vendas. “Muitas vezes o cliente nem vem ao shopping comprar, mas, entre um passeio e outro acaba sendo motivado pelas promoções, descontos e rende a compra”, analisou ela.
Por essa ótica, a pesquisa também aponta que o fluxo de clientes também foi positivo, apresentando um número médio de visitantes por mês de 462 milhões, um aumento de 4,3% em comparação a 2022, quando a média mensal foi de 443 milhões. As vagas de estacionamento registraram um crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior, totalizando 1.056.633 unidades, assim como as salas de cinema, que cresceram 0,7% em 2022, somando 3.073 em todo o país ante as 3.051 salas registradas em 2022.
“Que excelente notícia sobre as vendas em 2023 nos shoppings. Parece que o setor teve um desempenho muito positivo, especialmente durante o período natalino. É animador ver o aumento nas vendas e a contribuição significativa de diferentes segmentos, como hipermercados, vestuários, calçados e acessórios, além da comercialização de artigos pessoais e domésticos. Também é interessante saber sobre a inauguração de novos shoppings em diferentes regiões do Brasil”, avaliou o diretor institucional da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping ), Luis Augusto Ildefonso.
Números
No ano passado, foram inaugurados cinco shopping centers, sendo dois no Sudeste, um no Sul, um no Centro-Oeste e um no Nordeste. elevando o número total de empreendimentos em operação para 639 shoppings. Em Área Bruta Locável (ABL), essa expansão representa um aumento de 1,9% sobre o ano de 2022, com um total de 17,8 milhões de metros quadrados, ante os 17,5 milhões apontados em 2022.
O número de lojas também cresceu e chegou a 121 mil, um acréscimo de 4,5% na comparação com 2022 (115 mil lojas). Com isso, a taxa de ocupação ao longo de 2023 alcançou 94,6%, ante o patamar de 94,4% em relação a 2022 e bem próxima da marca de 2019, a maior até então (95,3%).







