Comércio eletrônico permanece estagnado

Em: 12 de novembro de 2009
No país, o e-commerce cresce , em média, 30% por ano. No Estado, a atividade não deslanha por conta de falta de infraestrutura, apoio governamental e pesquisas
No país, o e-commerce cresce , em média, 30% por ano. No Estado, a atividade não deslanha por conta de falta de infraestrutura, apoio governamental e pesquisas

Falta de apoio governamental, serviços de internet de baixa qualidade e ausência de pesquisas específicas sobre o setor de e-commerce (ou comércio eletrônico) são alguns dos obstáculos para que a modalidade comercial deslanche no Amazonas, segundo os representantes do comércio varejista consultados pelo Jornal do Commercio.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, contudo, espera que o comércio efetivado através da internet ganhe impulso. Ele lembrou que a chegada dos novos cabos de fibra ótica de Boa Vista (RR), em 2010, melhorará a transferência de dados e tornará as atividades eletrônicas que dependem diretamente da internet mais ágeis. “Esperamos que uma conexão mais eficiente inspire os empresários a investirem nesse tipo de venda, que cresce bastante na região Centro-Sul do Brasil, mas parece estagnada aqui”, apostou.
O dirigente acrescentou que uma das barreiras para o desenvolvimento do comércio no ambiente eletrônico é a falta de apoio governamental. “Não temos consultorias permanentes ou incentivos financeiros para saber como dispor os produtos na internet. Ainda tem o problema das constantes devoluções. Quando a compra é feita fora da loja, o cliente pode requerer o dinheiro de volta caso não se satisfaça com a compra, deixando os gastos como o frete por conta da empresa, gerando prejuízos ao lojista”, explicou Antonaccio.
O Sebrae/AM (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas) foi questionado sobre a existência de técnicos competentes para a prestação de consultas a respeito do comércio eletrônico. De acordo com a assessoria de comunicação da instituição, não há demanda. Mas, para incentivar o crescimento desse tipo de comércio, o Sebrae/AM realizou no mês de setembro, o Ciclo de Seminários – Comércio Eletrônico para Micro e Pequenas Empresas.
O evento trabalhou a inserção das micro e pequenas empresas no e-commerce e teve a participação gratuita de 120 empresas amazonenses. Segundo um dos organizadores dos seminários, o analista técnico do Sebrae/AM, Gener Pinheiro, representantes de empresas renomadas no setor de vendas online como UOL, Terra, Intel e Google participaram das apresentações e puderam esclarecer as dúvidas do empresariado local.
“Uma das principais dificuldades que os participantes disseram encontrar foi como transferir corretamente sua empresa para a web e como montar um sistema de entregas eficaz, além da péssima qualidade de sinal de internet na região”, informou Pinheiro.
O superintendente do Sebrae/AM, Nelson Rocha, reconheceu que não há suporte para os empresários do Estado investirem no mercado eletrônico e disse que a entidade já estuda a possibilidade de manter um consultor em regime permanente para atender os futuros empreendedores eletrônicos.
“Nós precisamos receber as demandas dos sindicatos e instituições que representam o comércio amazonense para poder formatar cursos de capacitação e consultoria técnica e tentar diminuir os entraves do segmento”, destacou Rocha, lamentando sobre a falta de pesquisas sobre a situação do comércio online no Estado. Segundo o superintendente, dados estatísticos ajudariam os comerciantes a fundamentarem planos de investimento na área.

Estradas ruins dificultam frete

O presidente da FCDL/AM (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas), Ralph Assayag, conta que entre os problemas relatados pelos lojistas para comprar produtos em grande quantidade e revender em seus estabelecimentos (atacado) estão a insegurança de comprar através da rede mundial de computadores e o custo do frete. “O fato de termos apenas uma estrada para Boa Vista (RR) e outra incompleta para Porto Velho (RO) dificulta bastante o frete, que eleva o preço das mercadorias e atrasa as entregas, que acabam sendo feitas de balsa”, lametou Assayag.
O dirigente contou ainda que, apesar de os empresários buscarem comodidade e rapidez nas compras pela internet, com os problemas estruturais existentes no Estado, as distribuidoras ou representantes comerciais facilitam o acesso a produtos. “Ao invés de comprar diretamente do fornecedor, o lojista passa pela mão dos representantes dos fabricantes, o que onera ainda mais o custo final do bem”, desabafou.

Loja virtual fatura R$ 1 mi

Com dois anos de atuação no mercado o website www.superexclusivo.com.br é o primeiro clube compras online brasileiro e um exemplo que esta ramificação do comercio varejista pode dar certo, como disse a diretora-comercial da empresa, Juliana Messenberg, ao afirmar que no ano passado a loja virtual faturou R$ 1 milhão.
O clube de compras possui 100 mil consumidores cadastrados, sendo que 5% são da região Norte. Destes, 30% são residentes no Amazonas. “Esperamos crescimento de 200% nas vendas de Natal deste ano, comparado com 2008 e a nossa previsão é dobrar o nosso faturamento anual”, adiantou Juliana.
Esse tipo de empresa que leva produtos de vários segmentos para um mesmo website e os oferece diretamente ao consumidor, seja aberto, como as empresas Submarino (www.submarino.com.br) e Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br), ou restrito a sócios, como o Superexclusivo, é comum nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. “A moda ainda não pegou no Amazonas e os empresários locais estão deixando de explorar mais esta área”, comentou o presidente da ACA, Gaitano Antonaccio.

Mercado nacional

Informações da Camara-e.net (Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico) contabilizam que nos últimos cinco anos, o faturamento do comércio feito pela internet cresceu em média 30% ao ano no país. As classes C e D foram as principais responsáveis por esse aumento, mostrando que a busca pelos serviços por meio da rede está ficando mais popular.
A assessoria de imprensa da câmara divulgou que o meio de pagamento mais usado na internet é o cartão de crédito, com 81% na preferência do consumidor, seguido pelo débito, com apenas 9%. Cada cliente gasta em média R$ 361 por compra. E dos 53,6 milhões de internautas que existentes no país, 17,2 milhões são compradores online.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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