Sucede, filtrar estímulos estressantes é uma Técnica de Gestão da Emoção vital para proteger a memória. Por certo, ela deve ser operacionalizada tanto contra os ataques de estiímulos estressantes que vêm das janelas killer — portanto, do nosso passado — quanto contra os que vêm do presente.
O território da emoção não pode ser uma propriedade sem proteção mínima, um oceano poluído, um espaço sem oxigênio. Contudo, vários pais se preocupam mais em saber como está o rendimento dos filhos nas provas do que se eles são felizes, se tem pesadelos, se são dominados por algum tipo de fobia; não dão atenção ao fato de os filhos estarem ou não protegidos emocionalmente.
O mesmo acontece entre casais. Parceiros se apressam em trocar presentes em datas especiais, mas raramente se presenteiam com um diálogo profundo; “Como está sua saúde emocional?”, “Está feliz?”, “Tem bebido das águas da tranquilidade?”, “Estímulos estressantes têm sequestrado seus sonhos e seu sono?”.
Ao longo da história, nossa espécie valorizou o bem material e desprezou o essencial; exaltou os fenômenos físicos e minimizou os intangíveis. Filtrar estímulos estressantes é um fenômeno emocional básico e fundamental para ter saúde psíquica, e, ainda assim, raramente se tocar nesse assunto. É um fenômeno tão básico quanto dar os primeiros passos ou falar as primeiras palavras. Mas estamos no tempo da pedra nesse quesito …
Você tomaria água sem ser filtrada ou que poderia estar contaminada? Ninguém faria isso, a não ser em uma situação extrema. Desde que descobrimos o mundo microscópio das bactérias e dos vírus — e que microrganismos podem causar grandes infecções — temos nos preocupado seriamente em tomar água tão pura quanto possível. Bem, agora que sabemos que o processo de arquivamento da memória é automático e invonluntário, produzido pelo fenômeno RAM, (registro automático da memória) e que estímulos estressantes como perdas, contrariedades, frustrações, mágoas, rejeições, críticas, bulling, podem “infectar” a memória com janelas killer, poderemos filtrá-los e evitar que essas janelas sejam lidas e relidas e se multipliquem assustadoramente, como se fossem virus, gerando núcleos traumáticos que sequestram o Eu. Esse mecanismo psicopatológico faz que uma traição, uma humilhação pública, ataques de pânico ou o uo de drogas infectem a mente.
Uma infecção viral ou bacteriana pode ser combatida com medicamentos, mas um núcleo traumático na memória não pode ser combatido com drogas, nem pode ser deletado pelo Eu, como vimos. A única possibilidade de superação é reeditar as janelas traumáticas — por meio, por exemplo, da técnica do duvidar, criticar e deterninar (DCD) — ou construir janelas saudáveis ao redor do núcleo traumático — por meio da técnica da mesa-redonda do Eu. Vimos essa segunda técnica na primeira Mega TGE, que tratou da reedição e da reconstrução da memória.
Proteger a emoção a médio e longo prazo e protegê-la contra os ataques dos estímulos estressantes armazenados na memória é filtrar, ou melhor, reciclar o lixo acumulado em nosso passado. Que lixos foram depositados em seu passado? Fobias, decepções, mágoas, privações, incompreensões, solidão? Ninguém está livre dessas intempéries. Mas devemos sempre lembrar que proteger a memória significa reeditá-la ou reconstrui-la, nunca apagá-la. O inferno emocional está cheio de pessoas que desejam apagar seus traumas.
Posto que acabamos de filtrar os estímulos estressantes relativos à memória, resta agora os estímulos estressantes do presente, em seguida para aumentar os níveis de tolerância e frustrações e, por fim, o que tange o perdão e o autoperdão.
Afinal, celebridades, empresários e líderes, embora invejados socialmente, vivem estressados, que não poucas vezes sonham em trocar de vida com as pessoas mais simples. Reitera-se: o céu e o inferno estão mais próximos se não conseguimos gerir a emoção.
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É advogado (OAB/AM 436). Cursou Direito, Contabilidade, Comunicação Social (Jornalismo), ex-func.BEA e Bco.Brasil, lecionou História, Articulista. Contato:[email protected].















