Amazonas: A Floresta Resiste, a Gestão Afunda

Em: 17 de junho de 2025

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) afirma que o desmatamento aumentou no Amazonas. Já o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) garante que os números mostram queda. Afinal, quem está falando a verdade? O que diz o titular da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA)? E o presidente do IPAAM? Se eu fosse governador, já teria convocado uma coletiva de imprensa com ambos para esclarecer imediatamente o que de fato está acontecendo.
É inaceitável que um estado como o Amazonas — reconhecido mundialmente como o mais preservado do planeta — siga vivendo esse tipo de contradição pública. Nosso povo, que historicamente protegeu o verde e preservou a floresta, paga o preço da incompetência técnica de sucessivas gestões na área ambiental, em especial os oriundos da ONG FAS.
Como pode o Amazonas, mesmo com mais de 97% da sua cobertura florestal intacta, figurar entre os piores estados do Brasil na emissão do Cadastro Ambiental Rural (CAR)? Sem concluir o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), sem acessar qualquer centavo de recursos de créditos de carbono ou de projetos de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD+), e ainda por cima ser liderado por gestores que vieram de Organizações Não Governamentais, como a Fundação Amazônia Sustentável (FAS)?
Pior ainda: chega a ser uma piada de mau gosto ver o titular da SEMA, oriundo justamente da FAS, comandar um comitê estadual responsável por discutir estratégias de regularização ambiental e avanços no CAR, quando o Amazonas é justamente um dos maiores exemplos de fracasso nessa pauta.
O atual governador Wilson Lima — e isso infelizmente é uma continuidade dos tempos de Eduardo Braga e Omar Aziz — insiste em entregar a gestão ambiental do estado a pessoas que, há mais de uma década, demonstram absoluta incapacidade de avançar em pontos básicos como o ZEE, o CAR e o acesso ao crédito de carbono. Sem falar das irregularidades que já vem sendo apontadas pelo MPF-AM.
Enquanto isso, o caboclo que mora no interior segue pagando o preço: sem acesso a políticas públicas que incentivem a produção sustentável e sem receber o mínimo retorno financeiro por ter protegido a floresta.
Pessoalmente, acredito no trabalho técnico do IPAAM, mas o silêncio da instituição diante de matérias de grande impacto — como a recente reportagem do jornal A CRÍTICA, que expôs os problemas ambientais do estado — só aumenta a desconfiança e prejudica ainda mais a imagem do Amazonas.
A verdade é que está na hora de o Amazonas ter um gestor ambiental com formação sólida, oriundo da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) ou da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), alguém que conheça a realidade do estado, tenha compromisso técnico e saiba que, por trás de cada dado, existe um povo que merece respeito, desenvolvimento e justiça ambiental.

17.06.2025
THOMAZ ANTONIO PEREZ DA SILVA MEIRELLES, Servidor Público Federal Aposentado, Administrador/UFAM e especialista na gestão do Agronegócio.

Thomaz Meirelles

Servidor público federal aposentado, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: [email protected]
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