Pesquisa da AutoInforme revela que o álcool combustível foi responsável pela elevação de 3,51%, em novembro, no preço do uso e manutenção de automóveis. No acumulado do ano, o índice chegou a 7,38%, ficando 3,45 pontos percentuais abaixo da inflação (3,93%) do período calculada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O estudo é realizado desde 2004 e no mês de novembro registrou a segunda maior inflação do carro, perdendo apenas para a marca de 3,62% em setembro de 2005. Os itens que mais subiram em novembro, além do álcool (13,21%), foram o filtro de óleo (2,68%), seguro total do veículo (2,19%) e filtro de ar (2,09%).
Entre os itens que tiveram seus preços reduzidos o destaque ficou com a bateria (- 2,13%), lavagem simples (- 1,32%), lona de freio (- 0,42%) e pneus (- 0,24%). A análise do ano apresentada no relatório da pesquisa indica variação de menos de 1% de janeiro à junho. A partir de julho, o gráfico ficou no azul e cresceu mensalmente a taxa média de 0,81%.
“Os maiores aumentos do custo para os motoristas acontecem no segundo semestre, período de entressafra da cana-de-açúcar”, informa a pesquisa. Nos primeiros 11 meses do ano, o aumento do álcool atingiu 17,3%, segundo o levantamento de dados da AutoInforme, empresa especializada em pesquisa, produção e divulgação de informações sobre automóveis no Brasil.
O álcool aumentou o gasto do motorista para utilizar o carro e, como consequência prática, se manteve desvantajoso sobre a gasolina quando o assunto é abastecimento. Segundo os números da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgados na sexta-feira, 11, o litro da gasolina comercializada em Manaus estava R$ 2,614, contra R$ 1,905 do álcool, entre os dias 6 e 11 – diferença abaixo da cota de 30% indicada pelos especialistas.
Enquanto o percentual de diferença entre o preço da gasolina e álcool praticados em Manaus na segunda semana de dezembro era de 27,11%, em Tefé (há 525 km de distância da capital) o valor foi de 21,98%. O gerente de negócios da Ticket Car, Marcelo Nogueira, lembra que quando a diferença é inferior a 30% “não vale a pena optar pelo álcool”.
“O álcool é consumido mais rápido que a gasolina e se o preço não for superior a 30%, abasteça com gasolina”, disse Nogueira. Informações da Reman (Refinaria de Manaus), da Petrobrás, mostram que apenas 30% da gasolina consumida em Manaus é produzida na cidade, elevando o preço do combustível comprado do Rio de Janeiro.
Etanol ainda é preferido por motoristas
A gerente do posto de abastecimento de combustíveis DNP da avenida Tefé, bairro Japiim, zona sul, Ana Lopes, afirmou que a maioria dos clientes não sabe quando é melhor escolher álcool ou gasolina. “Algumas pessoas até nos perguntam e orientamos que os frentistas expliquem a diferença de 30%. Mas, mesmo assim, a maioria coloca sempre o álcool porque é visivelmente mais barato”, contou.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medidor da inflação oficial no país, encerrou o mês de novembro com alta de 0,41%. O resultado é 0,13 ponto percentual superior ao de outubro, quando foi registrada elevação de 0,28%. Em novembro de 2008, o IPCA havia ficado em 0,36%. De janeiro à novembro, a inflação acumula alta de 3,93%, abaixo dos 5,61% registrados no mesmo período de 2008. Considerados os 12 meses encerrados em novembro (índice anualizado), a alta é de 4,22%, pouco acima dos 4,17% verificados no período encerrado um mês antes.
Em relação aos combustíveis, o litro do álcool ficou 4,61% mais caro em novembro (em outubro, a alta foi de 10,61%) e influenciou também no aumento do preço da gasolina em 0,58% depois do crescimento de 1,06% em outubro.







