No dia 5 de novembro de 2025, o Brasil sediará pela primeira vez a cerimônia global do The Earthshot Prize, o “Oscar Ambiental” criado pelo Príncipe William. Este artigo apresenta 6 dos 15 finalistas, incluindo dois brasileiros, e convida o leitor para uma palestra sobre como participar da edição de 2026.
Entre 2021 e 2024, o The Earthshot Prize já destinou cerca de £20 milhões (R$ 146 milhões) a 20 vencedores. A premiação ocorre em rodízio continental: Londres (2021), Boston (2022), Cingapura (2023), Cidade do Cabo (2024) e, em 2025, pela primeira vez, na América Latina, com o Rio de Janeiro, no Museu do Amanhã, como sede.
A competição de 2025 recebeu 2.426 soluções inscritas, das quais 232 vieram da América Latina e 142 do Brasil. No início de outubro de 2025, foram anunciados os 15 finalistas, e os cinco vencedores serão revelados em cerimônia transmitida pela Rede Globo, em 5/11/25, com Luciano Huck como mestre de cerimônia.
A seguir, apresenta-se o perfil resumido de seis dos quinze finalistas, organizados por categoria.
- Proteger e Restaurar a Natureza
- GREEN (Brasil)
Particularmente, acredito que a Re.Green (https://re.green/) tem um grande potencial de ser uma das vencedoras, por isso dedicarei mais espaço para ela.
Esta organização foi fundada em 2021, com sede no RJ, fundada e liderada pelo CEO Thiago Picolo e pelo Dr Bernando Strassburg, os quais desenvolveram um modelo de gestão que alia Ciência, Tecnologia e Gestão para tornar a restauração da Mata Atlântica financeiramente viável. Seu modelo inovador combina IA, drones e dados ecológicos e financeiros para identificar áreas prioritárias e restaurá-las com espécies nativas, gerando créditos de carbono e madeira sustentável. Desde 2021, já restaurou 12 mil hectares, plantou mais de seis milhões de mudas, criou 230 empregos e atraiu investidores globais como Nestlé e Microsoft, provando que é possível regenerar ecossistemas e economias ao mesmo tempo.
- Tenure Facility (Suécia)
O segundo forte candidato é o Tenure Facility (https://thetenurefacility.org/) fundado formalmente em 2017 na Suécia. Basicamente, é um mecanismo global de financiamento e apoio jurídico dedicado a garantir os direitos fundiários e florestais de povos indígenas, afrodescendentes e comunidades locais. Combinando assistência legal e financiamento direto, a iniciativa fortalece a gestão comunitária de florestas e ecossistemas.
Para se ter ideia, em 2024, atuou em 20 países, apoiando direitos territoriais em 34 milhões de hectares, uma área equivalente à da Alemanha, e assegurando posse legal sobre um quarto desse território, com US$ 100 milhões já destinados diretamente a povos indígenas. Seu impacto inclui o mapeamento de 1 milhão de hectares de floresta primária e o reconhecimento oficial de 500 mil hectares na Papua, Indonésia.
Até 2027, o Tenure Facility pretende garantir direitos sobre 60 milhões de hectares e, até o fim da década, chegar a 70 milhões, consolidando a proteção duradoura de territórios tradicionais.
- Tropical Forest Forever Facility – TFFF (Brasil)
Como Nomeador e Especialista Conselheiro do prêmio, observo com certa reserva a escolha do The Tropical Forest Forever Facility (TFFF – https://tfff.earth/) como finalista, considerando que o fundo ainda não está operacional e terá seu lançamento oficial apenas na COP30, em Belém.
Embora o regulamento do The Earthshot Prize preveja que as soluções apresentem protótipos com resultados comprovados, é possível que a indicação do TFFF tenha se baseado em critérios políticos, estratégicos e diplomáticos, diante de seu potencial transformador global.
Em síntese, o TFFF é uma iniciativa liderada pelo Governo do Brasil e conduzida por países do Sul Global com florestas tropicais. Este é um fundo global de US$ 125 bilhões a ser financiado por governos, filantropia e investidores para alcançar a meta de salvaguardar mais de 1 bilhão de hectares em 70 países até 2030.
2) Limpar Nosso Ar
2.1 Cidade de Guangzhou (China)
Creio que esta é a forte candidata a vencer nesta categoria. Com mais de 24 milhões de habitantes, Guangzhou, no sul da China, é um dos maiores centros comerciais do país, mas seu rápido crescimento trouxe graves problemas de poluição urbana. O aumento das partículas PM2.5 ameaçava a saúde da população e exigia ações alinhadas às metas nacionais de transição energética.
Para enfrentar o desafio, a cidade promoveu uma revolução no transporte público: desde 2017, o Guangzhou Public Transport Group eletrificou toda a frota de 12 mil ônibus e implantou 10 mil táxis elétricos, apoiados por 400 estações de recarga. Em apenas oito anos, as emissões de carbono caíram em quase 1 milhão de toneladas e a poluição por PM2.5 foi reduzida em 40%, melhorando significativamente a qualidade do ar e a saúde dos moradores. Além disso, as baterias de ônibus desativadas passaram a armazenar energia solar e eólica, reforçando a rede elétrica local. Hoje, Guangzhou é reconhecida como um laboratório vivo de mobilidade e energia limpa, servindo de modelo global de transporte urbano sustentável.
2.2 Cidade de Bogotá (Colômbia)
A 2ª forte candidata é a Cidade de Bogotá, que, entre 1998 e 2005, enfrentou grave crise de poluição, com níveis sete vezes acima do limite da OMS. Para reverter o cenário, lançou um amplo plano urbano voltado a pedestres, ciclistas e transporte limpo. A cidade criou a primeira Zona Urbana de Ar Limpo (ZUMA), ampliou áreas verdes e investiu US$ 19,9 bilhões em transporte elétrico e infraestrutura sustentável. Hoje, conta com 1.400 ônibus elétricos, a maior rede cicloviária da América Latina e 100 km de corredores de baixa emissão. Desde 2018, a poluição caiu 24%, e até 2028 a cidade espera evitar 300 mil toneladas de CO₂ por ano, o equivalente a uma floresta dez vezes maior que Manhattan.
2.3 Estado de Gujarat (Índia)
A industrialização impulsiona empregos e riqueza, mas também agrava a poluição do ar e os riscos à saúde. Em Gujarat, no oeste da Índia, o rápido crescimento trouxe altos níveis de partículas tóxicas, tornando inviáveis os métodos tradicionais de controle. Para enfrentar o desafio, o Estado criou o Esquema de Comércio de Emissões, que estabelece um limite total de poluentes e permite que indústrias negociem suas cotas, premiando quem emite menos. Testado em Surat, o modelo reduziu as emissões em 20% a 30% e aumentou os lucros industriais.
Em resumo, o The Earthshot Prize 2025 no Brasil destaca soluções ambientais inovadoras com impacto global, da restauração de florestas à redução da poluição urbana, mostrando como ciência, tecnologia e políticas públicas podem transformar o planeta.
No próximo artigo, destacarei os finalistas das demais categorias e aproveito para convidar quem possui soluções ambientais comprovadas a participar da edição 2026. A 2ª chamada pública e informações sobre inscrição estão disponíveis em https://www.jgsilva.org/earthshotprize. Haverá também uma palestra explicativa no dia 20 de outubro de 2025, no auditório Rio Jutaí, da FT/UFAM, das 18h às 20h, sobre o prêmio e o processo de inscrição.















