Eles são chamados de artistas marginais, porque vivem à margem dos grandes eventos culturais, mas não se importam com isso, aliás, até gostam de serem identificados assim, mostrando sua força contra o sistema e promovendo arte e cultura sem o patrocínio do dinheiro público, provando que quando se quer, se pode ser artista contando apenas com boa vontade. Proporcionam artes inusitadas em locais inusitados. É o caso do selo Black Chico Records.
“Nós nos aventuramos em múltiplos fazeres artísticos, mas no momento o selo Black Chico Records tem como principal atuação, a produção e lançamentos de fanzines de diferentes artistas e estilos, como na literatura, nos quadrinhos, na fotografia, na colagem e nas oficinas, mas também atuamos em outras frentes da arte urbana, como lambe-lambe, stickers e na organização de eventos, entre diversas movimentações”, falou Francisco Santos (o Japa), idealizador do selo.
O Black Chico Records surgiu em meados de 2022, porém, só se materializou em ações práticas no começo do ano passado, quando foram convidados a participar da ‘Teia de Fanzines Literários’ organizada pelo produtor cultural marginal Max Caracol. Ao Japa se juntaram Francisco Santos e Andressa Giacomin e o selo iniciou suas atividades.
Os três integrantes
Japa é designer, artista visual, estudante de turismo e um entusiasta da cultura alternativa, influência recebida da cultura punk. Se manifesta através do zine, por ser um instrumento de fácil produção e totalmente democrático.
Andressa Giacomin é professora da rede pública de Manaus e atualmente está fazendo doutorado. Seu primeiro trabalho literário foi feito em formato de zine, apoiado pelo Black Chico Records do qual logo se tornou integrante.
Francisco Chagas também é professor da rede pública de Manaus, escritor, músico da banda de rock autoral Poesia Maldita e entusiasta da cultura do zine onde percebe um forte movimento literário marginal de publicações neste formato, em Manaus, o entendendo como uma ferramenta de auto expressão que tem lhe rendido bons frutos.
Lista de eventos
Em 21 de junho de 2024 o Black Chico Records realizou seu primeiro evento, o ‘Black Chico Fest – Festival de Artes Integradas’, no Gringo’s Bar.
“A ideia era juntar diferentes expressões artísticas em um só local, como música, literatura e artes visuais”, informou Japa.
No dia 3 de maio deste ano organizaram o ‘1° Festival de Lambe-Lambe’, também no Gringo’s Bar.
“Dessa vez transformamos o lugar em uma grande galeria com muita música, expositores, e diversos artistas montando um mural coletivo de lambe”, contou.
Do dia 07 ao dia 11 de outubro promoveram a primeira edição da ‘Semana do Zine Manaus 2025’, ocorrida numa escola pública, com oficina de zines e poesia em cordel para os alunos
“O evento foi facilitado pela professora Larissa Reis, parceira do coletivo e atuante na promoção da cultura urbana na escola por meio de projetos e eventos”, lembrou.
No dia 9 de outubro os três amigos estiveram no Espaço Cultural Sereia Mística.
“Foi um bate papo sobre a cultura do zine, literatura marginal e autopublicação”, disse.
A mais recente investida do Black Chico Records ‘rolou’ no dia 1º de novembro com a ‘3ª edição do Festival de Lambe-Lambe do Basquiat’.
“O Basquiat é outro local que também nos abre espaço sempre fortalecendo a cultura independente. Marcamos presença apoiando o evento do Coletivo Borocoxô e do Kuma Espaço de Criação. Realizamos uma colagem coletiva na fachada do estabelecimento”, revelou.

É só ‘colar’
“Antes de mostrarmos nossos trabalhos, já éramos entusiastas e consumidores de arte e a ideia de fazer parte de algo sempre foi nossa vontade. Quando tivemos a oportunidade de expurgar isso, foi algo espontâneo e nesse momento a literatura, os quadrinhos e as artes visuais se tornaram um meio de expressão”, explicou Japa.
Este ano o Black Chico Records encerrou suas as atividades, mas já estão com novos projetos ‘engatilhados’ para o ano que vem.
“Reafirmamos nosso compromisso como um espaço multicultural, dedicado à valorização das diferentes linguagens artísticas da cultura popular e urbana, à promoção da diversidade e à transformação social por meio da produção e intervenção da arte urbana, consolidando-se como um ponto de cultura vivo, atuante e essencial na construção de uma cidade e sociedade mais justa, plural e democrática”, avisou.
“Sempre divulgamos nossos eventos e participações nas redes sociais, portanto quem quiser, é só ‘colar’ no dia que estaremos de braços abertos a todos que queiram conhecer e fortalecer nosso trabalho. É só chegar”, finalizou.

Informações: Instagram, @blackchicorecords; email: [email protected]







