Agora sim, as previsões para 2026

Em: 25 de fevereiro de 2026

Agora sim, apresento a previsão de faturamento para o Polo Industrial de Manaus – PIM em 2026. Antes, repito quanto aos fundamentos. São mais importantes que a previsão em si, e é o que deveria ser discutido a cada previsão de número, definição de políticas e decisões estratégicas.

O fundamento essencial do PIM é ter seu desempenho determinado pela economia brasileira. E esta, por sua vez, se guia por fundamentos alheios ao que costumamos discutir para a economia amazonense.

A economia brasileira é guiada por um misto de produção de commodities e mercado interno. Exportações e população. Tanto que a evolução mensal do indicador de desempenho econômico do Brasil, o IBC-Br, tem suas correlações mais fortes com o indicador de São Paulo (IBCR-SP), ao coeficiente de 0,9905, e com o indicador de Minas Gerais (IBCR-MG), ao coeficiente de 0,9894. São os dois estados com maior população, elevadas exportações de commodities minerais, energéticas e alimentícias, e uma indústria de transformação que viabiliza a apropriação de renda pela população local.

Apesar de ser o 16º PIB do Brasil, o Amazonas tem o terceiro desempenho econômico mais correlacionado com a economia nacional, ao coeficiente de 0,9652. Valor parecido caso substitua o indicador da economia amazonense, o IBCR-AM, pelo faturamento do PIM. Não surpreende, o PIM faz com que o Amazonas tenha a economia mais vocacionada para a indústria – aqui a indústria da transformação corresponde a 32,6% do PIB.

A dinâmica é assim: São Paulo e Minas Gerais produzem commodities, exportam uma parcela ainda primárias e outra parcela beneficiam, e a renda resultante é apropriada pelas famílias que, na medida em que seus orçamentos permitem, adquirem os bens de consumo duráveis produzidos pelo PIM.

Os estados menos correlacionados com a economia brasileira são Santa Catarina e Pará, ambos com coeficiente de 0,92. Santa Catarina é o segundo estado com vocação industrial. Contudo, sua indústria é pouco voltada ao consumo pela população brasileira. O Pará, então, é fortemente voltado à exportação e com diminuta indústria de transformação.

Segundo o boletim Focus a economia brasileira deve crescer 1,8% em 2026. O histórico dessas previsões do início de ano tem subvalorizado o desempenho real, mas numa diferença que vem se reduzindo nos últimos anos. E olhando as séries de dados de modo sistêmico, com muitas variáveis, percebe-se o faturamento do PIM, posto que determinado pelas decisões de consumo da população brasileira, fortemente alavancado pela inflação.

Daí que uso multiplicador de 0,8 para relacionar o PIM com a economia brasileira e 1,5 para inflação, que o mesmo Focus prevê que será de 4,6%. Ponderando essas dimensões por seus multiplicadores obtêm-se R$ 247 bilhões de faturamento para o PIM em 2026. Aumento 8,5% ante os R$ 228 bilhões de 2025.

Trata-se de um ritmo de crescimento um pouco menor. É que o sucesso de 2025 forma base forte de comparação e pede ao analista dose adicional de conservadorismo para apontar sua previsão. A torcida pelas surpresas são quanto a manter elevadas as vendas de motocicletas – tão necessárias aos aplicativos e trânsito estrangulado -, e de condicionadores de ar – com uma nova janela de oportunidade pelo ajuste regulatório na exigência dos compressores. E, neste ano de Copa do Mundo, recuperação no desempenho das “telas” – TVs e telefones celulares.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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