Intenção de consumo anima comércio na Páscoa

Em: 26 de fevereiro de 2026
As preferências incluem pagamentos à vista e compras em supermercados. Mas, diferente de outras datas comemorativas a maioria manifesta intenção de comprar com antecedência.

F alta pouco mais de um mês para a Páscoa, mas o comércio de Manaus já se prepara para vendas robustas. Pesquisa do Ifpeam (Instituto Fecomércio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) revela que, apesar dos preços mais altos, 97% dos consumidores vão comprar algum produto de chocolate para presentear neste ano. Embora não deixe de priorizar promoções, 73% dos manauaras demonstram interesse em formatos inovadores, como “ovos em fatias” e “kits de degustação”. As preferências incluem pagamentos à vista e compras em supermercados. Mas, diferente de outras datas comemorativas a maioria manifesta intenção de comprar com antecedência.

Outra boa notícia para os comerciantes é que 63% dos consumidores sinalizam adquirir mais de um produto, neste ano. As faixas prioritárias de gastos são as que vão de R$ 51 a R$ 100 (47%) e de R$ 101 a R$ 200 (33%). Mas, 17% dizem que não pretendem ir além dos R$ 50, e apenas 4% se dizem dispostos a romper a barreira dos R$ 200. Em 2016, os ovos de Páscoa registraram aumentos de preços até seis vezes superiores à inflação oficial acumulada nos 12 meses encerrados em janeiro (44%), dependendo do produto. Chocolate em barra e bombons foram reajustados em quase 25%.

O Ifpeam destaca que a maioria esmagadora dos manauaras vai comprar na Páscoa por força da tradição e ao sabor da variedade de preços e produtos, principalmente para presentear crianças. Dentro do grupo minoritário de consumidores que vão evitar as compras (3%), os principais motivos apontados são justamente econômicos e ligados ao bolso. Embora o entrevistado aponte principalmente “outras prioridades” (48%), outras respostas incluem “falta de dinheiro” (16%) e preço alto (8%). O estilo de vida e a prioridade para a saúde também influenciam, já que as demais opções marcadas foram “não tenho costume” (14%), “restrição alimentar” (11%) e “substituição por outros doces” (3%).

Preferências do consumidor

A intenção de consumo prioriza o chocolate ao leite, preferido por 39% dos consumidores locais, e oferta majoritária nas prateleiras dos supermercados da cidade. Segundo o Ifpeam, a “busca por experiência” e por “algo a mais” orienta a predileção de 20% entrevistados pelo chocolate recheado/trufado, que brilha nas lojas especializadas. Há quem vise a “textura e contraste” (17%) dos chocolates com castanha e “crocantes”, e os “nichos específicos” do chocolate branco (13%) e do chocolate amargo (11%).

Os dados da sondagem informam que, além do bolso, o consumidor se guia principalmente pelo paladar na hora de escolher o que vai adquirir: o sabor é apontado como critério prioritário por 42% dos consumidores. Na sequência estão “embalagem” (21%), “brinde” (18%) –“essencial para o nicho infantil” –, “marca” (17%) e “sustentabilidade” (2%). Na hora de comprar, quase metade das entrevistas (48%) se guiam por visitas físicas às lojas (48%). Instragram/Tik Tok (28%), catálogos de WhatsApp (13%) e anúncios no Google (11%) também ajudam a orientar as decisões de consumo em Manaus.

Indagados sobre qual fator seria decisivo para trocarem de marca ou loja, os entrevistados apontaram principalmente “um desconto progressivo” (43%), embora “brindes exclusivos” (37%), “frete grátis” (13%) e “um sabor nostálgico/edição limitada” (7%) também estejam entre os sonhos de consumo dos manauaras. Em paralelo, 59% confirmaram que embalagens ecológicas têm “alta influência” na decisão do que vão comprar.

Em uma conjuntura de freio nas altas da Selic em um patamar ainda proibitivo, mas com aumentos contínuos dos juros nos bancos, 66% dos consumidores garantem que vão pagar as compras à vista, para fugir da certeza do endividamento e do risco de inadimplência. Principalmente em Pix (57%), mas também em dinheiro (9%). Apenas 34% optam pelo crédito. Na análise do Ifpeam, os motivos estão no poder de negociação de descontos, controle financeiro das próprias contas, e agilidade na operação. Vale observar que essa é uma opção que vem liderando as pesquisas, mas nem sempre se concretiza.

A despeito das mudanças de hábito herdadas pela pandemia, e da concorrência crescente das vendas pela internet, 98% dos entrevistados garantem que vão comprar no comércio presencial, principalmente em supermercados (47%), em função da “praticidade, variedade e promoções”. A lista inclui também lojas especializadas de shoppings (28%) e pequenos produtores locais/Instagram (23%). Em termos de perfil logístico, as preferências se dividem entre compra física (53%), retirada (26%) e delivery (21%). Quem diz que vai comprar online, escolhe o e-commerce tradicional e sites especializados (2%).

“Perspectivas positivas”

Em nota, o presidente do Sindivarejista-AM, Teófilo Gomes, reforça que a pesquisa mostra cenário “amplamente favorável ao comércio”. “A pesquisa confirma a força cultural da data e sua resiliência, mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador. Embora não seja possível apresentar um percentual comparativo de crescimento em relação à Páscoa de 2025 –uma vez que não foi realizada pesquisa no ano anterior —, os indicadores atuais demonstram intenção de consumo elevada e manutenção quase integral do hábito de compra, o que sinaliza expectativa positiva para o desempenho das vendas neste ano.

O dirigente acrescenta que a exposição antecipada dos ovos de Páscoa nas lojas configura estratégia comercial. “A antecipação permite diluir o período de vendas, ampliar o tempo de decisão do consumidor e estimular compras planejadas. Além disso, favorece ações promocionais, formação de combos e estratégias de fidelização, acompanhando o novo perfil de consumo identificado pela pesquisa”, explicou.

O presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, lembra à reportagem que as pesquisas do Ifpeam visam orientar a formação do estoque no setor, que paga ICMS de forma antecipada. “Ainda estamos vivenciando um período de transição e dificuldades, por conta dos juros altos. Não obstante, as perspectivas estão começando a se ampliar. Tenho conversado com os empresários e eles têm se demonstrado mais otimistas. O nível de emprego está se mantendo, assim como a arrecadação, o que demonstra que 2026 pode ser um ano positivo, embora as eleições, a Copa e o número excessivo de feriados tendam a comprometer um pouco a atividade”, arrematou

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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