Varejo do Amazonas acelera

Em: 17 de março de 2026
Crescimento em janeiro supera média nacional e sinaliza retomada gradual do consumo no Estado, segundo dados do IBGE.
"Comércio amazonense inicia ano em alta." Crédito: Fred Novaes

As vendas do comércio varejista do Amazonas dispararam em janeiro. O varejo restrito avançou 4,8% diante de dezembro, o segundo melhor placar do país. O desempenho foi favorecido por um dia útil a mais, a despeito da desvantagem sazonal, eliminado a perda anterior (-4%). O confronto com janeiro de 2026 apontou expansão de 0,9%, após três quedas consecutivas. Em 12 meses, a alta foi de 0,4%. Em um mês sem datas comemorativas, e com o consumidor endividado com contas de IPTU e IPVA, o volume comercializado pelo varejo ampliado – que inclui bens de maior valor agregado e dependentes de crédito – se saiu ainda melhor (+2,9%, +2,1% e +1%, respectivamente).

O varejo brasileiro como um todo teve números menos animadores do que os do Amazonas. Puxado por quatro de suas oito atividades, subiu 0,4% na variação mensal, em resultado assimétrico ao de dezembro. A elevação foi sentida principalmente em “artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria” (+2,6%). As vendas aumentaram 2,8% em relação a janeiro do ano passado, induzidas por seis segmentos comerciais, com destaque positivo para “móveis e eletrodomésticos” (+6,1%). O acumulado dos 12 meses fechou com elevação de 1,6%. A mesma dinâmica se deu no varejo ampliado (+0,9%, +1,1% e +0%). É o que revela a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.

Ao menos 21 unidades federativas conseguiram se manter no azul, na virada de dezembro de 2025 para janeiro de 2026. O varejo do Amazonas (+4,8%) decolou da 19ª para a segunda colocação, ficando atrás apenas de Pernambuco e Rondônia (ambos empatados com +5,5%), e com a Bahia (-1,4%) apontando o pior resultado. Com o acréscimo de 0,9% na variação interanual, o Estado subiu do penúltimo para o 22º lugar, em um rol com o melhor desempenho em Pernambuco (+11,4%), e o pior, no Piauí (-0,6%). Em 12 meses, o varejo amazonense (+0,4%) desceu da 19ª para a 20ª posição, tendo Amapá (+7,7%) e Tocantins (-2,9%) nas duas pontas.

 

Inflação e crédito

O aumento do IPCA de janeiro (+0,33%) manteve o descolamento das vendas efetivas em relação à receita nominal, que não contabiliza a inflação. A diferença é mais significativa nas comparações de longo prazo, e se tornou mais pesada no Amazonas após as crises hídricas/logísticas das vazantes. Nesse cenário, o faturamento bruto cresceu 2,1% perante dezembro. O varejo amazonense ampliou suas receitas em 2,8% em relação a dezembro, com reflexo positivo no aglutinado dos 12 meses (+4,6%). A média nacional (+0,5%, +4,7%, +6%) só superou o Estado no acumulado.

Em razão do tamanho da amostragem, o IBGE ainda não segmenta o desempenho do comércio no Amazonas. Sabe-se apenas que, diferente do mês anterior, os subsetores de veículos, autopeças e material de construção ajudaram a mover as vendas do comércio amazonense como um todo. O varejo ampliado progrediu 2,9% sobre dezembro de 2025. Em relação a janeiro de 2025, o acréscimo foi de 2,1%, confirmando o acumulado dos 12 meses (+1%) no azul. A média brasileira (+0,9%, +1,1% e 0%) foi mais fraca em todas as comparações.

Os dados nacionais da PMC mostram que apenas metade das oito atividades do varejo nacional conseguiu avançar em janeiro: artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (+2,6%); tecidos, vestuário e calçados (+1,8%); artigos de uso pessoal e doméstico (+1,3%); e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+0,4%). Os dados negativos incluiram os segmentos de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%); livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%); e combustíveis e lubrificantes (-1,3%). Já móveis e eletrodomésticos (0%) estagnaram.

Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, salienta que, “apesar da variação baixa, a variação mensal positiva faz janeiro atingir o ponto mais alto da série da pesquisa nesse tipo de comparação. “Esse desempenho [da PMC], de variação próximo à estabilidade e patamar alto a médio e longo prazos, tem como protagonista a atividade farmacêutica, que, à exceção de dezembro, tem apresentado crescimento constante na série da margem desde julho de 2025, registrando em janeiro a maior variação (2,6%) dentre as oito atividades pesquisadas”, destacou.

 

“Fôlego renovado”

O chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que a “recuperação expressiva” reverteu as quedas do fim de 2025 e sinaliza possível retomada do setor no Estado. O pesquisador aponta ainda que a interrupção de uma sequência de quatro meses de taxas negativas na comparação anual é um marco para o varejo local, com “evidente melhora na tendência de curto prazo”. E acrescenta que os indicadores de longo prazo revelam que o setor ainda busca recuperar o vigor do início do ano passado, em “momento de transição, fôlego renovado, cautela”.

“O Amazonas demonstra resiliência ao abrir o ano com resultados positivos e competitivos no cenário nacional. O desempenho do varejo ampliado no Amazonas foi significativamente superior à média brasileira em todas as métricas analisadas, impulsionando a economia local. Já o país apresenta estagnação no acumulado de 12 meses, o estado mantém uma trajetória de alta. A média móvel trimestral, por outro lado, aponta para uma importante reversão de tendência, saindo de um campo negativo para o positivo. O indicador agora se alinha à estabilidade nacional. Essa mudança reflete uma normalização gradual na confiança do consumidor”, analisou.

Em sua mais recente entrevista à reportagem, o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, se mostro otimista em relação aos próximos levantamentos do comércio. “Apesar de todo o quadro de dificuldades representadas pelo endividamento das famílias, negatividade do consumidor e juros altos, a prestação o comércio mantém destaque. Isso é o alvissareiro e confirma que a economia está em processo de recuperação. As perspectivas para 2026 são muito boas, não obstante termos Copa do Mundo, eleições e feriados. Esperamos que esse momento de guerra internacional não venha a prejudicar, mas avaliamos que a tendência é de crescimento”, finalizou. 

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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