A prestação de serviços no Amazonas ensaiou recuperação em janeiro, depois de fechar 2025 no vermelho. A variação mensal marcou alta de 0,7% diante de dezembro, que teve um dia útil a menos. O resultado deixou para trás dois meses seguidos de retração, sendo suficiente para repor apenas a perda de dezembro (-0,7%) – e não a de novembro (-3,1%). O confronto com janeiro de 2025 resultou em escalada de 5,7%, após seis meses consecutivos de quedas. No acumulado dos 12 meses, no entanto, os serviços amazonenses (-0,6%) ainda não conseguiram sair do vermelho e marcaram sua pior performance desde janeiro de 2019 (-0,9%), nesse tipo de comparação.
Os serviços de todo o país tiveram arrancada mais modesta. A atividade acelerou 0,3% entre dezembro e janeiro, no segundo aumento seguido. O incremento se disseminou em três das cinco atividades (principalmente “outros serviços”) e 12 das 27 unidades federativas do país. Na comparação com janeiro de 2025, houve elevação de 3,3%, a 22ª consecutiva, situando o setor 20,1% acima do nível pré-pandemia e novamente no pico da série histórica. O desempenho foi induzido por todos os cinco subsetores e 48,2% dos 166 tipos de serviços investigados, em 16 Estados. O acumulado gerou expansão de 3%. Os números são da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços), do IBGE.
O turismo, que é contabilizado a parte, também ganhou velocidade, consolidando o crescimento dos meses anteriores. Entre dezembro e janeiro, o Amazonas avançou 4,7% no IATUR (Índice de Atividades Turísticas), que mede os segmentos de alojamento, alimentação, aluguéis não imobiliários, locação de automóveis, agências de viagens, operadoras turísticas e transporte coletivo. Foi o melhor desempenho do país, e compensou o tropeço anterior (-2,7%). O Estado decolou 13,7% ante o mesmo mês de 2025, mantendo o aglutinado dos 12 meses (+11,8%) à tona e na vice-liderança nacional. A média brasileira (-1,1%, +3,5% e +4,6%) foi mais fraca em todas as frentes.
Estados e atividades
Segundo o IBGE, mesmo com o acréscimo de 0,7% perante dezembro, os serviços do Amazonas caíram da 11ª para a 12ª posição em todo o país, em uma lista com 15 desempenhos negativos, tendo Mato Grosso (+5,6%) e Acre (-20,8%) nos extremos. Em relação a janeiro do exercício anterior, os serviços amazonenses (+5,7%) galgaram da última para a nona colocação, em um rol iniciado pelo Mato Grosso (+44,8%) e encerrado pelo Acre (-9,4%). No acumulado dos 12 meses, Estado (-0,6%) passou do 25º para o 21º lugar, tendo o Mato Grosso (+9,6%) e o Rio Grande do Sul (-3,9%) nas duas pontas.
O fortalecimento do IPCA de janeiro (+0,33%) evidenciou o descolamento das vendas efetivas em relação à receita nominal dos serviços do Amazonas, principalmente nas comparações de longo prazo. Vale notar que essa diferença é maior no Amazonas do que na média do país, e se tornou mais pesada após a crise hídrica da vazante. O faturamento cresceu 3,2% na variação mensal, enquanto a comparação com janeiro de 2025 apresentou incremento de 6,7%. Em 12 meses, houve alta de 3%. O Estado ficou atrás da média nacional (+2,3%, +7% e +7,7%) em quase todas as comparações.
O IBGE-AM reforça que, em virtude do tamanho da amostragem, a pesquisa no Amazonas ainda não apresenta os dados desagregados por segmentos de serviços. Em âmbito nacional, a elevação de 0,3% observado na PMS de janeiro foi induzida por três dos cinco subsetores acompanhados pelo órgão de pesquisa: “outros serviços” (+3,7%), informação e comunicação (+1%) e transportes, serviços auxiliares e correio (+0,4%). Já os serviços prestados às famílias (-1,2%) amargaram a única queda da lista, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares (0%) estabilizaram.
“O resultado de janeiro manteve o setor de serviços em seu nível mais elevado e teve como destaque serviços diversificados investigados em setores distintos, como o agenciamento de espaços de publicidade, os serviços de TI, os financeiros auxiliares e atividades de correio”, assinalou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, em texto veiculado pelo site da Agência de Notícias IBGE.
“Força e resiliência”
A ex-presidente do Corecon-AM e professora do departamento de Economia da Ufam, Michele Lins Aracaty e Silva, disse à reportagem que “modesta recuperação” dos serviços surpreendeu especialistas e confirma a “força e resiliência” do setor, sufocado por juros elevados, endividamento dos agentes econômicos e economia desacelerada. Na análise da economista, o desempenho é animador, em função da relevância macroeconômica da atividade, que tem peso de 60% no PIB nacional e a principal empregadora de capital humano em todas as regiões, reforçando sua importância no crescimento e desenvolvimento.
“O aumento do setor de serviços foi impulsionado por fatores comportamentais e tecnológicos sustentados pela renda, digitalização econômica crescente e terceirização de atividades essenciais. Destaque para o turismo estadual (Manaus no Top 5) com forte recuperação em comparação às demais unidades federativas. O turista que visita a região busca experiência de natureza, conhecer a cultura e se deliciar com a rica gastronomia. Apesar de promissor, o segmento requer política pública forte, assertiva e integrada, com a participação de todas as esferas de governo, e necessidade de elevação de investimento em infraestrutura e logística”, recomendou.
O presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota, ressaltou à reportagem que os números são animadores, apesar da conjuntura atual. “A prestação de serviços atravessou um período de baixo crescimento, mas veio realmente a se recuperar. O turismo foi realmente o que mais cresceu, muito motivado pelo turismo de natureza e de pesca esportiva, e sempre com uma grande participação de brasileiros e pessoas que vêm do exterior. Isso resulta do esforço das empresas, é muito alvissareiro, e nos deixa mais otimistas, apesar do quadro ainda de dificuldades da economia e do cenário internacional de escalada de guerra”, arrematou.







