Cabotagem viabiliza transporte

Em: 18 de março de 2026
Desde fevereiro a Americanas está enviando suas mercadorias para o Amazonas via cabotagem, reduzindo a viagem de 15 para dez dias.
"A Americanas vem utilizando um novo modelo de abastecimento de seus produtos para o Amazonas: a cabotagem." Divulgação
"A Americanas vem utilizando um novo modelo de abastecimento de seus produtos para o Amazonas: a cabotagem." Divulgação

São três os principais modais de acesso logístico para o Amazonas: o aéreo (rápido, porém, muito caro), o fluvial (que depende da vazante dos rios) e o rodoviário (cujas estradas são péssimas), resumindo, não é fácil levar e trazer cargas do/para o Estado. Para tentar minimizar custos e tempo, desde fevereiro a Americanas vem utilizando um novo modelo de abastecimento de seus produtos para o Amazonas: a cabotagem, através de contêineres transportados em navios para acelerar o atendimento das lojas no Estado.

“A iniciativa é inédita na companhia e tem como foco reduzir o transit time, ampliar a eficiência operacional e garantir maior segurança no transporte de mercadorias para a Região Norte”, destacou Janquiel Segabinazzi, head de operações da Americanas.  

A cabotagem é considerada uma das formas mais econômicas e eficientes de transportar cargas para a região amazônica, especialmente Manaus, em comparação aos modais aéreo e rodoviário. A cabotagem é o transporte de cargas, ou passageiros, realizado por navios entre portos navegando pelo litoral, sem perder a terra de vista. No caso da Americanas, a nova rota conecta os portos de Suape, em Pernambuco, até o Chibatão, em Manaus, substituindo parcialmente o modelo anterior, baseado exclusivamente no transporte fluvial via balsa. Após Pernambuco, os navios passam por Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão até chegar ao Pará e entrarem no rio Amazonas. 

“Atualmente, todas as mercadorias da Americanas que chegam a Manaus vêm de dois dos nossos oito CDs (Centros de Distribuição), localizados em Belém e Recife, neste último, é onde a operação de cabotagem tem origem”, falou.

Apesar de a sede da Americanas ser no Rio de Janeiro, não é do Sudeste que as mercadorias seguem para Manaus.

“As mercadorias são entregues pelos nossos fornecedores diretamente nos CDs de Belém e Pernambuco. Por sua vez, essas empresas também dispõem de CDs espalhados por diversos estados do país formando uma rede de modais logísticos”, explicou.

 

20 lojas no Amazonas 

A cabotagem é um serviço logístico essencial para o Amazonas, que conecta Manaus aos portos do Sudeste (Santos) e Nordeste (Suape). Navios de contêineres seguem pela costa e sobem o rio Amazonas até o Porto de Manaus ou portos privados (Chibatão, Super Terminais), trazendo insumos para o Polo Industrial e levando o produto acabado. 

“A Americanas possui 20 lojas no Amazonas, sendo 12 em Manaus. Aproximadamente 70% do volume das lojas agora será atendido pela operação de cabotagem. Antes a carga demorava em média 15 dias para chegar à capital amazonense num modelo baseado exclusivamente no transporte terrestre mais o fluvial, via balsa. Nesse novo modelo, o tempo de trajeto foi reduzido para dez dias”, revelou.

A operação também utiliza uma base logística própria da empresa, em Manaus, o que possibilita reduzir o trajeto terrestre do porto até as lojas. 

Na viagem inicial, de fevereiro, vieram dois contêineres, priorizando itens do departamento de bomboniere, como barras e caixas de chocolate e guloseimas, para o abastecimento da Páscoa, mas a expectativa é realizar sete embarques por semana, totalizando 28 por mês e mais de 300 por ano, com volume estimado de cerca de 780 toneladas de carga mensal. 

“Os ovos de Páscoa, por serem produtos de muita sensibilidade ao calor, foram transportados em caminhões refrigerados. Para abastecer o Estado a tempo da data festiva, os ovos estão sendo enviado desde fevereiro”, avisou.

 Janquiel, “a iniciativa é inédita na companhia e tem como foco reduzir o transit time"
Janquiel, “a iniciativa é inédita na companhia e tem como foco reduzir o transit time”

A falta que a BR 319 faz

Se a BR 319 estivesse em condições totais de utilização, poderia ser uma forma a mais de as mercadorias chegarem até Manaus, segundo Janquiel.  

“A redução de custo não seria expressiva, porém, a diminuição do tempo sim, o que contribuiria para ampliar a disponibilidade de produtos nas gôndolas de forma mais rápida, atendendo melhor nossos clientes manauaras”, afirmou.

E além de Manaus, as mercadorias das Americanas chegam, ainda, a pontos mais distantes do Amazonas.

“Existem outras cidades que, além de serem mais distantes, apresentam maior dificuldade para serem atingidas, como Tabatinga, e Cruzeiro do Sul, no Acre, por sinal, Cruzeiro do Sul é a cidade brasileira mais distante da nossa operação”, disse.  

Mesmo assim, a Região Norte tem sido importante para os negócios da varejista.

“Com certeza. Nosso volume de vendas é expressivo na Região Norte. Nos últimos 12 meses a Região foi a terceira do país que melhor performou nas vendas”, comemorou.

“Entregar um amplo sortimento faz parte da qualidade da nossa entrega em todas as nossas mais de 1.400 lojas em todo país. A nova operação de cabotagem é parte dessa estratégia, pois permite acelerar a chegada de mercadorias às lojas, especialmente em períodos de grande demanda, como a Páscoa, permitindo que os produtos estejam sempre disponíveis, com uma rápida reposição”, finalizou.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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