O custo médio do metro quadrado da construção civil do Amazonas perdeu musculatura na passagem de janeiro para fevereiro, após o pico da virada do ano. Os preços do setor subiram apenas 0,06%, em índice próximo à estabilidade estatística, ao passarem de R$ 1.916,68 para R$ 1.917,80. No mês anterior, a alta havia sido de 1,29%. Assim como ocorrido nos meses anteriores, o Estado marcou variação inferior às médias do Brasil (+0,23%) e da região Norte (+0,52%). O aumento sofrido pelas construtoras amazonenses também ficou abaixo da inflação oficial medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor – Amplo) do mês passado (+0,70%).
A aceleração parcial do preço do metro quadrado amazonense, desta vez, foi carreada unicamente pela variação positiva dos materiais de construção, em mês de estabilidade total nos custos médios das empresas com a remuneração da mão de obra. O valor médio dispendido com insumos, que representam 57,61% do total, ficou em R$ 1.104,82, superando em 0,10% os R$ 1.103,70 de janeiro. Os gastos com salários e benefícios estacionaram em R$ 812,98. Já a média nacional do setor (+0,36% e +0,06%, respectivamente) avançou em ambos os casos. Os dados são da pesquisa do Sinapi (Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil), do IBGE.
No bimestre, os preços contabilizaram incremento de 1,35% no Estado. No aglutinado dos 12 meses encerrados em fevereiro, a variação atingiu 4,71%. A comparação com as médias nacional (+1,77% e +6,71%, na ordem) e da região Norte (+1,86% e +5,79%) ainda mostram reajustes mais amenos em âmbito estadual. O Sinapi amazonense, no entanto, supera a progressão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo nos acumulados (+1,03% e +3,81%), conforme o mesmo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Em acréscimo, os materiais de construção já começam a ter seus preços pressionados pelo choque de oferta de derivados de petróleo gerado pela guerra no Oriente Médio.
Abaixo da média
A despeito da quase estabilização em fevereiro, o Amazonas subiu do 19º para o 18º lugar no ranking de maiores reajustes mensais. Empatou como Tocantins, em uma lista sem deflações, encabeçada pelo Amapá (+1,54%) e encerrada pelo Mato Grosso do Sul (0%). De janeiro fevereiro, o Estado (+1,35%) comparece antepenúltima posição, ficando acima apenas do Rio Grande do Sul (+1,32%) e da Paraíba (+1,27%), em rol liderado pelo Piauí (+4,17%). Em 12 meses, as construtoras amazonenses (+4,71%) passaram da última para a última colocação, com a variação de preços mais significativa no Mato Grosso (+10,21%) e a menor, no Rio Grande do Norte (+4,36%).
Assim como ocorrido nos dois meses anteriores, o preço médio do metro quadrado do Amazonas (R$ 1.917,80) permaneceu na 13ª posição do ranking nacional. Ficou atrás da média brasileira do setor (R$ 1.925,08) e também de todas as outras seis unidades federativas da região Norte. Os dispêndios mais significativos da construção civil em todo o Brasil estão em Santa Catarina (R$ 2.174,12), Acre (R$ 2.166,44) e Rondônia (R$ 2.114,07). Em sentido contrário, as os passivos médios mais baixos vieram de Pernambuco (R$ 1.711,27), Sergipe (R$ 1.712,33) e Espírito Santo (R$ 1.737,70).
O valor médio do material usado pelas construtoras amazonenses (R$ 1.104,82) continuou na 14ª posição entre os mais caros do país, sendo mais uma vez precedido por todos os vizinhos nortistas. Mas, assim como ocorrido em outras 15 unidades federativas, ainda supera a média brasileira (R$ 1.085,16). O rol é aberto pelo Acre (R$ 1.317,75) e encerrado por Pernambuco (R$ 991,40). O oposto se dá na mão de obra, rubrica na qual o Amazonas (R$ 812,98) continua atrás do dado nacional (R$ 839,92) e na décima colocação. O maior preço nesse tipo de comparação vem de Santa Catarina (R$ 1.036,78) e o menor, do Ceará (R$ 711,54).
A pesquisa mostra ainda que o aumento do custo do metro quadrado foi mais impactado por imóveis de menor valor. Conforme o IBGE, em fevereiro de 2025, o custo do metro quadrado de uma casa popular no Amazonas, com 1 pavimento, 2 quartos, sala, circulação, banheiro e cozinha, com acabamento normal, era de R$ 2.015,89. No mês passado, o mesmo projeto chegou a R$ 2.116,03, registrando um aumento de 4,97%. Já o valor de uma casa residencial com 1 pavimento, varanda, sala, 4 quartos, circulação, 2 banheiros, cozinha, área de serviço, quarto/wc de empregada (R$ 2.365,33), e de alto acabamento, subiu 4,21% na mesma comparação.
Fator guerra
Em texto postado no site da Agência de Notícias IBGE, o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, ressalta que o o acumulado do ano registrado pelo Sinapi, tanto na média nacional, quanto nos Estados, se deve a um fator pontual que impactou o custo da mão de obra nas empresas. “A diferença entre as taxas de janeiro e fevereiro de 2026 se deve à influência, no primeiro mês do ano, da reoneração da folha de pagamento de emprego no setor da construção civil”, explicou.
No material adicional divulgado com a pesquisa, o chefe de disseminação de informações do IBGE-AM, Adjalma Nogueira Jaques, reforça que o ritmo de crescimento de preços no Estado está significativamente mais lento do que no segundo semestre de 2025. “Essa desaceleração sugere um momento de maior previsibilidade para quem está construindo. A variação dos 12 meses coloca o Amazonas com um dos melhores controles de preços do país. A estabilidade percebida no último mês reforça a importância do acompanhamento contínuo para a elaboração de orçamentos mais assertivos”.. analisou.
O presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza, observa que a variação acumulada pelo Sinapi amazonense nos últimos 12 meses ficou atrás do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), medido pela FGV (+5,83%), embora supere a inflação do IPCA e do IGPM-M (-2,67%) – que regula a “inflação do aluguel de imóveis”. O dirigente considera que os números até sugerem um quadro positivo, mas ressalva que o comportamento dos preços do setor tende a mudar nos próximos meses, diante da atual conjuntura, com destaque para os impactos do conflito no Oriente Médio.
“Falando de futuro, temos três considerações básicas que são agravantes. Uma é a falta da mão de obra e, se a escala 6×1 mudar para 5×2, por exemplo, vai ficar ainda mais cara. Uma segunda situação complicada é que os preços já estão subindo, por conta da guerra. Temos variação em termos de transporte, energia, commodities e materiais. Não apenas de derivados de petróleo, mas também o aço. Todas as fábricas já estão projetando reajustes, que tendem a ocorrer em cascata. O terceiro fator é que a Selic pode não retroceder ao nível projetado. A gente esperava chegar no fim do ano com 12,2%, mas a guerra trouxe perspectivas inflacionárias”, concluiu.







