Ressurreição e fé

Em: 25 de março de 2026

É comum principalmente perto da Semana Santa revistas de circulação nacional enfocarem a figura de Jesus Cristo sob os mais variados ângulos. No entanto dentre todas as reportagens que li, nunca uma foi tão agressiva ao cristianismo quanto à da revista “Galileu” (Editora Globo) circulando desde semana passada. Sob o título “O que aconteceu depois da Páscoa”, a extensa matéria que inspirou a capa da revista com a manchete de “A invenção do Cristianismo” afeta a dignidade cristã-católica.Nas entrelinhas, é destilado veneno nas palavras “Thiago, irmão de Jesus” (ditas por inúmeras vezes) insinuando que Maria teve outros filhos, posição própria de outras religiões. Martinho Lutero em 1521, dedicou ao Magnificat o seguinte texto: “Este santo cântico da bem-aventurada Mãe de Deus deveria ser bem aprendido e tido em consideração por todos, porque neste hino Maria nos ensina a maneira de louvar e amar Deus… Ela quer ser o maior exemplo da graça de Deus de modo a estimular todos à confiança e ao louvor da graça divina (Lutero em “Escritos Religiosos” pág.431-512).

Realmente instalou-se no novo milênio a crise ética e da ética nos mais variados setores, no caso nos meios de comunicação. Dizia Ortega Y Gasset: “Ao cultivar com insensato exclusivismo o nervo do interesse e o dogma da utilidade foi empobrecida a consciência ética do homem e foi embotada nos indivíduos todas as emoções propriamente morais”. Na revista, deturparam-se declarações de teólogos católicos. Insultado o cristianismo ante a definição de “seita judaica” repisada num artigo ofensivo ao direito e livre arbítrio  de cada um. Citar Nietzshe, ateu confesso, para agredir Paulo, o apóstolo da comunicação social da época é dose cavalar. Sim, porque Paulo no Areópago fazia de sua oratória o que hoje a mídia faz com o mundo. A mídia nada mais é que um Areópago do 3º milênio. Se bem usada, cria. Se não, destrói. E Paulo edificou o BEM. O autor ousou colocar um rabino tão estimado sobre o tema da Unidade pregada por João Paulo II às religiões monoteístas. É bom lembrar que unidade não significa o mesmo que uniformidade. Unidade é conviver com o outro tendo como objetivo cêntrico, Deus, mas respeitando as diferenças religiosas. Já uniformidade é ser idêntico em todos os aspectos. A unidade, é o ecumenismo levado a efeito. Na matéria em questão houve a tentativa de formar opinião no leitor indicando-lhe conceitos e idéias a seguir: o ceticismo. Isso uma opção de cada um. Jamais a indução. Uma das principais normas éticas e morais do “criador de opinião pública” segundo o dicionário de Teologia Moral de F. Compagnoni, pág. 1203 – Ediciones Paulus) dita o seguinte: 1) “Os “mass media” não podem considerar o receptor (as massas) como um objeto passivo a quem se pode manipular, mas como um “partner” (parceiro). Nunca distorcer as notícias e ter sempre o compromisso de fazer com que a opinião pública coincida com a opinião justa”. O autor do artigo é por certo um existencialista. Crê apenas no que tocam. Conta mas Betinho era humanitarista como João Paulo II. uma antiga lenda medieval que Tomé (apóstolo de Cristo) depois de tocar com a mão nas chagas de Jesus ficou com esta vermelha de sangue até a sua morte. Porque não acreditou na Ressurreição. Por isso, a incredulidade pode ser uma forma de assassinato; mas não assassinato daquilo que não se crê, senão o suicídio daquele que não se atreve a crer…

 

CARMEN NOVOA SILVA, é Teóloga e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial do Santuário de Aparecida-SP

 

Carmen Novoa

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