A abertura do processo de eleição indireta para o Governo do Amazonas, após a renúncia de Wilson Lima e Tadeu de Souza, intensificou as articulações políticas na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam) e colocou diferentes nomes no centro da disputa pelo chamado governo tampão.
A eleição será definida por votação entre os 24 deputados estaduais, o que confere ao processo um caráter essencialmente estratégico, marcado por negociações internas e formação de blocos de apoio.
À frente do Executivo de forma interina, Roberto Cidade (União Brasil) desponta como principal nome na disputa. Além da visibilidade do cargo, o parlamentar reúne apoio de parte significativa da Casa, com estimativa de adesão de pelo menos 14 deputados. Em declarações públicas, Cidade tem sinalizado prioridade na manutenção da estabilidade institucional e da governabilidade durante o período de transição.
Nos bastidores, o deputado Ednailson Rozenha (PSD) também é citado como possível candidato. Recém-filiado ao partido ligado ao senador Omar Aziz, seu nome aparece em meio às articulações políticas, embora ainda sem confirmação oficial de candidatura. A definição de apoios dentro do grupo político pode influenciar diretamente sua entrada na disputa.
Em posição distinta, o ex-deputado federal Marcelo Ramos se apresenta como alternativa de oposição ao cenário atual. Ele defende maior equilíbrio no processo e afirma que poderá lançar uma candidatura com o objetivo de tensionar o debate político dentro da Assembleia, caso não haja concorrência efetiva.
A possibilidade de novos candidatos também é considerada por analistas políticos. Avaliações indicam que, diante do formato da eleição, que exige maioria simples — ao menos 13 votos —, a composição de alianças será determinante para o resultado.
No fim da tarde dessa segunda-feira (6), o ex-deputado estadual Eron Bezerra também anunciou a intenção de disputar o cargo, ampliando o leque de possíveis concorrentes e reforçando o ambiente de incerteza na definição do próximo governador interino.
Como funciona a eleição indireta
A renúncia simultânea do governador e do vice abriu prazo de até 30 dias para a realização da eleição indireta, conforme prevê a legislação. Durante esse período, cabe à Aleam conduzir o processo de escolha do novo chefe do Executivo estadual.
Com a posse de Roberto Cidade no governo, a presidência da Assembleia passou a ser exercida pelo primeiro vice-presidente, Adjuto Afonso, responsável por conduzir os trâmites do processo eleitoral interno. Entre as atribuições está a abertura de prazo para registro de candidaturas e eventuais impugnações.
A votação será realizada pelos próprios parlamentares, em modelo que ainda terá regras definidas pela Casa, como a forma de votação — aberta ou secreta. Para concorrer, é necessário que o candidato esteja no exercício dos direitos políticos, seja filiado a partido e tenha mais de 30 anos.
Diferentemente das eleições convencionais, o processo indireto não prevê a realização de convenções partidárias, em razão do curto prazo legal.
Cenário inédito e impactos políticos
A renúncia do governador e do vice cria uma situação inédita no Amazonas e altera significativamente o calendário político estadual. Além da eleição indireta, que definirá o governador temporário, o estado terá uma nova eleição direta em outubro, quando a população escolherá o próximo chefe do Executivo.
O modelo difere, por exemplo, do ocorrido no caso do ex-governador José Melo, quando a anulação do pleito levou à realização de uma eleição suplementar direta.
Com dois processos eleitorais no mesmo ano, o cenário político tende a permanecer em constante reorganização, com impacto direto nas estratégias de partidos, lideranças e alianças para 2026.







