“Dar uma carteirada é uma atitude de usar cargo próprio, profissão ou status social para intimidar alguém, obter vantagens indevidas ou escapar de obrigações. A expressão deriva da exibição de uma carteira funcional ou de identidade profissional com o objetivo de impor autoridade e exigir privilégios. O termo se popularizou no Brasil associado à frase clássica “Você sabe com quem está falando?”. Embora seja frequentemente usada por autoridades ou pessoas influentes, a prática não se limita ao serviço público. Exemplos comuns incluem apresentar uma identificação policial para não pagar ingresso em uma casa noturna, utilizar o cargo de chefia para furar uma fila de atendimento.” Estas são algumas definições de uma atitude covarde e desavergonhada de muitos brasileiros. É o cúmulo da falta de caráter, um cidadão que se “acha autoridade” impor seu pretenso status para humilhar pessoas ou destratar outrem. Eu digitei autoridade entre aspas porque esse título se aplica aos verdadeiros profissionais que sabem exatamente “o tamanho da sua cadeira”. “Ser uma autoridade significa ser reconhecida como referência em um determinado assunto ou deter o poder legítimo para tomar decisões e orientar outros. Essa condição é conquistada por meio do alto conhecimento, da competência comprovada ou do exercício de uma carga, inspirando confiança e respeito, e não por medo ou imposição.” Infelizmente, muitos imbecis ou pessoas desnutridas de um mínimo de civilização, abusam desse tal poder que pensam que possuem. Já foi presenciado muita “autoridade” se tremer na frente do cano de uma arma, ou gritando por socorro em situação de perigo acidental. Dia desses, uma vizinha minha me contou uma passagem com ela, há décadas: ela e o marido estavam no trânsito, em alguma cidade do nosso país. Ela estava dirigindo e era uma jovem juíza recém-empossada em um elevado cargo. Então, ela avançou o sinal vermelho. A guarda de trânsito a parou. Ela, de imediato, mostrou a carteia profissional e disse, em alto e bom som: sou uma juíza! Me libere já! A guarda, uma jovem de idade aproximada da juíza, disse, com calma, mas firme: a senhora deveria dar exemplo, pelo cargo que ocupa na sociedade. Reconheço e respeito a sua autoridade, mas respeite a minha agora, nesse momento do meu trabalho! A juíza ficou extremamente envergonhada. Calou-se, recebeu e assinou a multa. Ou seja, a juíza ofertou um exemplo a milhares de “pseudo-autoridades” por aí. Na oportunidade, o marido concordou com a guarda de trânsito. Décadas se passaram e pelas voltas que o mundo dá, se tornaram amigas, a ponto de um filho de uma ter casado com a filha da outra. E geraram quatro netos. E eu tenho a honra de conhecer todas as pessoas envolvidas nessse caso. E a vida segue, com a certeza que ainda temos autoridades dignas no Brasil.















