De olho na euforia gerada pela Copa, o comércio projeta aumento significativo nas vendas e já se prepara para lucrar. Setores como os de artigos esportivos, TVs e brindes devem apresentar os melhores resultados.
“A Copa é um evento que sempre movimenta alguns segmentos. As TVs -com as novas tecnologias, a queda de preços e a maior facilidade de pagamento- devem ter alta nas vendas”, citou o economista da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Marcel Solimeo. Ele aposta ainda em artigos esportivos e em algumas categorias de alimentos e bebidas, como cerveja e pipoca.
Conforme o presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), Lourival Kiçula, a perspectiva é de aumento entre 15% e 20% nas vendas em 2010 em relação a 2009. No ano passado, foram vendidos 9,5 milhões de TVs no país. Para este, o cenário mais otimista projeta vendas de até 11,5 milhões de unidades.
O comércio popular também espera alta de até 20% em relação a 2009, segundo a Univinco (União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências). Já a Abraleme (Associação Brasileira dos Lojistas de Equipamentos e Materiais Esportivos) prevê crescimento de 14%.
O aquecimento do comércio em alguns setores pode ajudar inclusive a elevar as vendas de um modo geral. “Em 2006, houve crescimento de mais ou menos 2% no varejo em relação a 2005, sendo que não ocorreu alteração tão grande na renda”, afirmou o presidente do Provar (Conselho do Programa de Administração do Varejo) da FIA (Fundação Instituto de Administração), Claudio Felisoni de Ângelo.
Aumento concentrado
Para Solimeo, contudo, o aumento nas vendas, por ser mais concentrado em alguns setores, não cria um impacto significativo no varejo como um todo. “Durante os jogos do Brasil, há também uma queda significativa nas vendas do comércio geral. O total de compras de impulso é reduzido. Em jogos do Brasil, a partir do meio-dia já se observa uma queda grande nas consultas ao SPC [Serviço de Proteção ao Crédito], que quase zeram durante a partida”, assinalou.
No setor de TVs, o destaque são as novidades tecnológicas. “Apostamos na alta das vendas dos TVs de LCD e LED”, afirmou Kiçula. Segundo ele, as vendas de aparelhos da nova geração suplantaram as dos modelos convencionais (de tubo) em março deste ano. “Normalmente, nossas vendas se concentram 60% no segundo semestre e 40% no primeiro. Com a Copa, a relação se inverte: 60% no primeiro semestre e 40% no segundo”, disse Kiçula.
Variedade é trunfo do varejo popular
No comércio popular, a aposta está concentrada na variedade. “As lojas vêm agregando o verde e o amarelo a diversos produtos. Temos um diferencial que é a variedade de produtos com o tema da Copa – de bandeiras, camisas e bandanas a tecidos e bijuterias, embora a maioria das vendas seja de produtos que fazem barulho, como buzinas, tambores e cornetas”, explicou o diretor da Univinco, Alexandre Navarro.
De acordo com Navarro, as vendas permanecem aquecidas até a primeira fase da Copa. “Há um estouro de vendas após o primeiro e o segundo jogo. Depois dá uma acalmada”, ponderou. Localizada na 25 de Março, a Armarinhos Fernando espera uma alta de 8% nas vendas em relação à Copa de 2006.
Seleção em xeque
Um fator que pode impactar -para o bem ou para o mal- as vendas neste período de Copa do Mundo é o desempenho da seleção brasileira na competição. Um bom papel não só mantém a euforia como estende o período de vendas relacionadas ao torneio. Já uma eliminação precoce pode ser um pesadelo para o varejo. “Se a seleção cair fora cedo, muda tudo. O consumidor fica desanimado e isso se reflete na venda de TVs”, afirma Kiçula.
“Como a maior parte das nossas vendas se concentra na primeira fase da Copa, uma eliminação precoce tende a não ter um impacto tão grande. Mas na outra ponta, a das pessoas que fazem estoques de produtos no atacado da 25 de Março para revenda, pode haver um impacto muito maior”, concluiu Alexandre Navarro.







