A construção civil apresentou sólido crescimento no primeiro semestre, segundo sondagem da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Nos primeiros seis meses do ano, o indicador relativo ao nível de atividade (uma escala que vai de 0 a 100) manteve-se acima dos 50 pontos, o que indica alta.
Em junho, o indicador do nível de atividade ficou em 53,8 pontos, um pouco abaixo do registrado em maio que foi de 55,8 pontos. A expectativa para julho é que o nível de atividade chegue a 65,2 pontos. Apesar de ser um resultado positivo, o índice está um pouco abaixo das expectativas dos meses anteriores.
Segundo o diretor de pesquisa da CNI, Renato da Fonseca, o forte setor está ligado a incentivos do governo e a uma demanda cada vez maior. “Os incentivos [governamentais] para a área da construção civil foram estruturados no longo prazo, como o caso do programa habitacional, aceleração de algumas obras de infraestrutura e até a perspectiva de início de algumas obras. Por isso esse setor tem se mantido num crescimento muito forte”, explicou.
A situação financeira das empresas da construção civil se manteve estável no segundo trimestre registrando 55,1 pontos – no trimestre anterior o índice foi de 55,5 pontos.
O indicador de acesso ao crédito mostrou crescimento no segundo trimestre quando foram registrados 51 pontos, contra os 50,6 do primeiro trimestre do ano. Com base nos números da pesquisa, o dirigente salienta que o acesso ao crédito está mais fácil para a construção civil do que para a indústria.
Já o número de contratações do setor também se manteve acelerado, o indicador da evolução do número de empregados ficou em 52,9 pontos.
Falta de qualificação
A falta de qualificação profissional, contudo foi apontada como o principal problema para 62% das empresas ouvidas. Entre as grandes corporações, essa preocupação parece ser ainda maior: 80% delas aponta ser a falta de qualificação o maior problema. Entre as médias empresas, esse percentual fica em 63,4%. Para as pequenas empresas, a falta de qualificação fica atrás apenas do acesso ao crédito, apontado como o maior entrave para 64,6% dos entrevistados.
No caso das médias, 63,45 disse ser esse o principal problema. Para as pequenas, a falta de qualificação profissional ficou atrás da questão do acesso ao crédito, no qual 64,6% delas disseram ser esse o maior problema contra 57,3% da qualificação.
Segundo o assessor econômico da CBIC (Câmara Brasileira da Construção Civil), Luiz Fernando Mendes, a falta de mão de obra qualificada no setor explica o tímido crescimento de alguns anos atrás. “Estamos trabalhando com um setor que ficou muito tempo crescendo pouco. Houve um conjunto de profissionais que foram para outros setores e esse pessoal saindo do mercado está tendo que se requalificar para voltar. Com o setor voltando a atividade, vai se ter uma maior procura por profissionais qualificados”, afirmou.
Renato da Fonseca disse que o setor reconhece a falta de qualificação da mão de obra, mas já está tomando medidas para resolver a questão. “Hoje as empresas estão investindo muito na qualificação, as escolas de capacitação, como o Senai [Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial], estão intensificando o processo de capacitação para a construção civil, inclusive capacitando dentro do canteiro de obras. Isso vai certamente minimizar o problema”, concluiu.







