Oposição na panela de pressão

Em: 29 de novembro de 2010
A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá vida fácil em sua gestão, afinal, eleger-se com o partidão PMDB de vice nunca foi sinal de grande sorte. Tancredo e Collor que o digam. Mas nem tudo serão espinhos no caminho da presidenta
A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá vida fácil em sua gestão, afinal, eleger-se com o partidão PMDB de vice nunca foi sinal de grande sorte. Tancredo e Collor que o digam. Mas nem tudo serão espinhos no caminho da presidenta

A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá vida fácil em sua gestão, afinal, eleger-se com o partidão PMDB de vice nunca foi sinal de grande sorte. Tancredo e Collor que o digam. Mas nem tudo serão espinhos no caminho da presidenta. Apesar do clima raivoso incitado durante e pós eleições, os partidos de oposição estão sem cabeça. José Serra até discursou como liderança do bloco ao assumir sua derrota, mas dificilmente conseguirá unir a maioria dos aliados em torno de seu nome. Não conseguiu isso nem durante sua campanha e não será agora, quando vaga a esmo sem mandato, que logrará sucesso.
Há aqueles que apostam numa ascensão imediata de Aécio Neves, cogitando sua eleição à presidência do Senado Federal. Duvido muito. Aécio, bom mineiro que é, já percebeu a encrenca dentro do PSDB e sabe que precisará comer quieto, deixando seus projetos pessoais e suas possibilidades de presidir o Congresso para 2013, mais perto das novas eleições nacionais e com o cenário político mais claro, já passados dois anos de gestão Dilma. Isso sem contar que um dos partidos de suposta aliança, o PTB, vem rachado desde a campanha de Serra e chegou a integrar o chamado “Blocão”, aquela chantagem disfarçada, orquestrada pelo PMDB. Ou seja, Aécio não teria um apoio integral das oposições. O ex-governador de Minas Gerais deve mesmo aquietar-se e esperar a banda passar.
Com as duas principais figuras oposicionistas engessadas politicamente, ao PSDB resta apostar na tentativa de fortalecimento dos aliados nas eleições municipais de 2012. Com a chapa quente, ampliar o número de prefeituras pode ser a única receita para ter alguma esperança em 2014. Para isso, espera contar com um início de gestão excepcional nos estados onde a oposição governará, em especial o Paraná e Santa Catarina no Sul, Pará e Tocantins no Norte, Goiás no Centro-Oeste e aquela que pode ser a jóia da coroa: o Rio Grande do Norte, a jovem célula de oposição do Nordeste, região onde Dilma ganhou com as mãos nas costas. Os estados de Alagoas e Roraima já estão em reeleição e não acrescentaram muito até aqui. São Paulo e Minas Gerais, apesar de manter o poder central nas mãos dos tucanos, terão como majoritários Alckmin e Anastasia, dois governadores que, por questões estratégico-administrativas óbvias, não irão se distanciar do governo federal petista.
Trocando em miúdos, sobrou para Beto Richa (PSDB-PR), Raimundo Colombo (DEM-SC), Marconi Perillo (PSDB-GO), Simão Jatene (PSDB-PA), Siqueira Campos (PSDB-TO) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN) a árdua tarefa de manter viva a oposição no papel de Executivo e de empenharem maciços esforços na conquista do maior número possível de prefeituras em seus estados. Juntos, eles governarão um universo de 35 milhões de habitantes distribuídos em 1.388 municípios. Quando somados aos demais estados governados pela oposição, o número é de arrepiar os cabelos petistas: os 10 governadores do PSDB e do DEM terão sob sua batuta mais de 3 mil cidades, num total de quase 100 milhões de habitantes, metade da população brasileira.
É nesse imenso cenário que destaca-se a governadora eleita do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, com a maior e mais delicada das tarefas: além de gerir uma herança duvidosa de sua antecessora, Wilma de Faria (PSB), terá que irradiar a dimensão de sua administração por toda região Nordeste e, pelo bem do desenvolvimento potiguar, manter boas e equilibradas relações com a presidente Dilma Rousseff. Em suma, e por ironia do destino, a válvula da panela de pressão oposicionista está nas mãos de uma governadora democrata. Justo o DEM, partido mais enfraquecido nas últimas eleições.
De toda forma, a tarefa hercúlea (diria até alexandrina) de Rosalba Ciarlini pode projetá-la à liderança nacional. E quaisquer que sejam as pretensões do tucanato, de Aécio e companhia, fatalmente terão que contar com um bom desempenho norte-riograndense, que também dispõe de dois líderes importantes no cenário do Senado Federal: José Agripino (DEM) e Garibaldi Alves (PMDB). Os olhos do Brasil estarão voltados para o Rio Grande do Norte, no mapa o desenho de um pequeno elefante, mas de onde poderemos assistir a erupção o vulcão Cabugi.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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