Depois da crise mundial, o setor amazonense de vestuário ainda luta para se reerguer. No ano anterior, o segmento foi o único do PIM (Polo Industrial de Manaus) que não obteve cifras superiores às apresentadas em 2009, de acordo com dados da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus).
Nos 12 meses de 2010, o faturamento da indústria de vestimentas foi de US$ 17.57 milhões, um decréscimo de 3,40% em confronto aos US$ 18.19 milhões de dois anos atrás.
Além disso, embora a quantia investida no ano passado (US$ 9.69 milhões) tenha sido 70,97% superior à de 2009 (US$ 5.67 milhões), os algarismos gerados se mantiveram menores que os dos períodos de 2005 a 2008, que oscilaram entre US$ 22 milhões e US$ 30 milhões.
Segundo o presidente do Sindconf/AM (Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus, Material de Segurança e Proteção do Estado do Amazonas), Engels Lomas de Medeiros, a crise determinou uma desaceleração nos investimentos, uma ‘pisada no freio’. Como o segmento de vestuário é destinado a roupas profissionais, caiu o nível de encomendas nessas indústrias. “Se uma multinacional passa por dificuldades, entre todas as demandas da empresa, a compra de fardas pode ser segurada, deixada para depois”, detalhou.
Nível de emprego
Por este motivo, para voltar à ativa, desde 2009, o sindicato conta com o Polo de Moda, que tem o objetivo de estimular novos negócios, assim como a criação de roupas regionais.
De acordo com Medeiros, o projeto já começa a dar resultado e os empreendimentos estão se fortalecendo e contribuindo no nível de emprego. “São dez empresas que vendem no local e mais de 40 que também participam do projeto. Quase todo mês tem evento de capacitação, permitindo a geração de mão de obra”, salientou.
A coordenadora do Polo, Emanuelle Pampolha, possui uma empresa residente, a Pérolas da Amazônia, e uma não-residente, a Estamparia. Ela fala que o projeto ainda anda há passos de ‘formiguinha’, mas gera oportunidades para a manutenção das empresas, além de capacitar o próprio empresário.
Com parceiros como Afeam (Agência de Fomento do Estado do Amazonas), Fieam (Federação da Indústria do Estado do Amazonas), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) e o próprio sindicato, os empresários participam de eventos, missões e feiras nacionais e locais para divulgar suas marcas.
Mas, ‘nem tudo são flores’. A empresária Marta Barbosa, da Armure Confecções, foi uma das primeiras participantes e admite que o Polo acabou não sendo tão vantajoso para a sua empresa, por não ter se transformado em uma incubadora como projetado.
De acordo com o gerente da unidade de Acesso a Inovação e Tecnologia, Célio Picanço, uma incubadora garante uma infraestrutura com prédio, sala de reunião, rede de internet, água, energia, telefone, além de um administrador que vai ajudar a pequena empresa a tomar decisões para permitir seu avanço e ganho.
Polo de Moda ajuda, mas não resolve
De acordo com Marta Barbosa, não houve vantagem na opção pelo Polo, ainda mais quando a população amazonense não tem hábito de consumir na região. “Se fosse uma incubadora, as empresas estariam protegidas e orientadas”, frisou a empresária.
A estilista Thammy Pezzi também participou do Polo e diz que sua marca já existia antes do projeto, por isso, não houve grandes mudanças na empresa. No entanto, segundo ela, o fato de serem pioneiros contribui para que encontrem obstáculos pela frente.
Fase de engatinhar
Por isso, Thammy ressalta que a importância do Polo incide na consistência de microempresas, aquelas que ainda estão na fase de engatinhar. Ela diz que já houve muitas mudanças, o que permitiu uma melhora no andamento do projeto e uma previsão satisfatória para 2011.
A proprietária da Wall Griffe, Ingrid Greijal, garante que o Polo é a base para iniciar sua coleção, mas o destaque é individual de cada empresa. “É somente o incentivo para andar com as próprias pernas”, concluiu.







