FGV – Inflação da 3ª idade fica abaixo do IPC-BR

Em: 13 de janeiro de 2012
Entre os produtos pesquisados pelo IPC-3i, os alimentos foram responsáveis pelas cinco principais quedas de preço em 2011
Entre os produtos pesquisados pelo IPC-3i, os alimentos foram responsáveis pelas cinco principais quedas de preço em 2011

A inflação do idoso em 2011 encerrou, pela primeira vez em oito anos, abaixo da média da inflação varejista medida em todas as faixas etárias, segundo o coordenador de Análises Econômicas da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Salomão Quadros. Criado em 2004, o IPC-3i (Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade) avançou 6,19% no ano passado, contra 6,36% no IPC-BR (Índice de Preços ao Consumidor – Brasil) em 2011, beneficiado por taxas de inflação mais favoráveis em alimentos e em energia elétrica.
O IPC-3i abrange domicílios com mais de metade de seus membros com idade acima de 60 anos ou mais, enquanto o IPC-BR abrange todas as faixas etárias. Entre os produtos pesquisados pelo IPC-3i, os alimentos foram responsáveis pelas cinco principais quedas de preço em 2011. É o caso de alho (-35,81%); laranja pera (-22,66%); abacaxi (-14,08%); batata-inglesa (-5,27%); e limão (-8,19%).
No ano passado, no IPC-3i, os preços dos alimentos subiram 6,10% Mas no IPC-BR, os alimentos subiram mais, 6,17% em 2011. “Isso tem mais a ver em como as pessoas gastam seu dinheiro do que com quedas e desacelerações. O que aconteceu é que alimentos mais consumidos pela população idosa, em comparação com o adquirido por consumidores de todas as faixas etárias, subiram menos de preço, ou tiveram queda”, resumiu.
Um dos pontos destacados pelo especialista foi tarifa de energia elétrica residencial, que subiu 5,47% no ano passado. Embora tenha sido acima da elevação de 2010 (2,83%), a taxa ficou abaixo das variações do IPC-3i e do IPC-BR em 2011. “Como as famílias de terceira idade usam mais energia elétrica, por ficarem mais tempo em casa, e esta tarifa subiu menos, isso trouxe certo alívio quando comparado com outras famílias que não tem maioria de idosos”, disse.
Mas na margem, fatores sazonais conduziram à aceleração do IPC-3i, que saltou de 0,91% para 1,67% do terceiro para o quarto trimestre de 2011, acima da taxa do IPC-BR para o quarto trimestre (1,59%). Alimentos in natura mais caros, devido à redução da oferta, prejudicada por problemas climáticos característicos desta época do ano, levaram ao resultado, segundo Quadros. Ele não descartou a possibilidade de a inflação do idoso fechar 2012 novamente abaixo da média. “Este avanço de preços no final do ano passado, e o que vai ocorrer no início do ano, com a continuidade de alimentos in natura mais caros por conta do clima, é passageiro”, afirmou.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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