A falta de mão de obra especializada não ocorre apenas nos setores da indústria, comércio e serviços. A área médica se ressente desse problema com a escassez de profissionais nas áreas de pediatria, reumatologia, neurologia, neurocirurgia, endocrinologia e na terapia intensiva. A capital amazonense possui em torno de 4 mil médicos formados em várias especialidades, conforme a direção do Simeam (Sindicato dos Médicos do Amazonas).
Na opinião do presidente do Simeam, Mário Vianna, é grande a demanda por profissionais médicos no Estado do Amazonas. Apesar da escassez em algumas áreas, o dirigente garante que em linhas gerais os médicos estão “muito bem qualificados para atender a demanda da capital e do interior amazonense”.
No entanto, Mário Vianna não esconde a precarização nas relações de trabalho e os baixos salários dos profissionais médicos, que a exemplo de outros profissionais, passam pelos mesmos problemas no que diz respeito à questão salarial e às relações trabalhistas oferecidas tanto na iniciativa pública como privada. “Essa tem sido uma das maiores dificuldades que a categoria enfrenta”, disse.
Quanto às condições de trabalho nos hospitais e pronto-socorros, principalmente no setor público, por conta da falta de equipamentos –conforme já foi denunciado algumas vezes pela categoria à imprensa, Mário Vianna avalia que já houve melhora. “Mas ainda há muitas queixas de falta de material e equipamentos adequados”, mencionou.
No tocante à qualidade do ensino oferecido pelas universidades locais e escolas de enfermagem, Vianna disse que a graduação tem perdido qualidade. “Há com certeza falhas na formação de profissionais de saúde na área médica e demais de nível superior e técnico”, mencionou, destacando que o campo profissional dos médicos se restringe a iniciativa pública, privada e nas cooperativas.
Ao comentar o assunto, o presidente da Unimed Manaus, Asdrúbal Melo, disse que a qualificação dos enfermeiros é razoável e como há muitas escolas de enfermagem disse que fica difícil avaliar o desempenho das mesmas. “No entanto, como a Unimed pratica uma política salarial adequada, superior a de todos os hospitais privados, temos os melhores técnicos e enfermeiros do mercado”, defendeu.
Segundo Asdrúbal Melo, a Unimed Manaus possui 1.089 médicos atualmente e só admite profissionais que tenham no mínimo residência médica. De acordo com Melo, após a formatura todos os profissionais procuram aperfeiçoar sua qualificação através das residências médicas, mestrado e (ou) doutorado.
A Unimed Manaus também sente dificuldades na contratação de alguns profissionais médicos nas áreas de reumatologia, neurologia, neurocirurgia, endocrinologia e pediatria. “A escassez é geral no Brasil, haja vista que essas especialidades ainda têm um número muito pequeno de profissionais formados”, disse Melo.
Relação conflituosa
A Unimed Manaus é resultado da união de médicos, formada nos moldes de uma empresa, que oferece assistência médica e hospitalar. Asdrúbal Melo admite que a relação sempre foi conflituosa, pois as cooperativas distribuem o que sobra após pagar todos os fornecedores. “E o que sobra não é suficiente para remunerar adequadamente o cooperado, levando à insatisfação”, justificou.
No entanto, o dirigente do hospital garante que essa relação em forma de cooperativa é benéfica porque dá a todos profissionais oportunidades iguais. “Ganha mais quem trabalha mais”, assegurou, ressaltando que a empresa tem capacidade de assumir até 400 mil usuários com um atendimento de qualidade.
Área médica tem expansão de vagas
Em: 27 de abril de 2012
A falta de mão de obra especializada não ocorre apenas nos setores da indústria, comércio e serviços
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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