Mudar a visão e o relacionamento que os usuários têm com a concessionária do sistema de água e esgoto da capital amazonense se aproximando da população: este é o grande objetivo da Manaus Ambiental. Instalada aqui há apenas cinco meses a empresa é a mais nova participante da história dos 343 anos da cidade. Em entrevista ao Jornal do Commercio, o diretor-presidente Alexandre Bianchini traçou os objetivos da empresa para os próximos 30 anos e garantiu que, ainda nesta semana de aniversário, Manaus ganha um presente:
Jornal do Commercio – Manaus está completando 343 anos nesta quarta-feira. Qual é o presente que a Manaus Ambiental está preparando para a cidade e quais presentes já foram dados?
Alexandre Bianchini – Nós assumimos a concessão há apenas cinco meses, e neste tempo já implantamos o plano de operação, fizemos cinco novos poços, revitalizamos mais 16. Construímos adutoras, reformamos a estação de tratamento, aumentamos em 300 litros/segundo a produção de água aqui na Ponta do Ismael. Com o novo plano de operações conseguimos abastecer cerca de 40 mil residências, o que equivale levar água a 80 mil pessoas, mais ou menos. Estamos investindo de forma planejada, usando engenharia, com calma para dar os passos de maneira correta, avançando nas áreas que até então tinham um abastecimento precário. Agora, vem o presente de aniversário: na próxima semana, ou no mais tardar na outra, vamos inaugurar duas adutoras, uma no Nova Cidade e outra no Cidade de Deus. Vamos dobrar a quantidade de água disponibilizada nessas duas áreas. Vai ser mais um avanço que conseguimos na cidade. Vamos investir R$ 45 milhões neste primeiro ano de operações. Na sequência, R$ 70 milhões onde começam os investimentos na área de esgoto. Manaus hoje tem apenas 15% do esgoto coletado e tratado. A média nacional é de 20% em cidades acima de 200 mil habitantes. Quer dizer, estamos abaixo da média nacional. Nós vamos levar Manaus, até o ano de 2026, a algo em torno de 70% de esgoto coletado e tratado, o que já passa a ser considerada média internacional. E até o fim da concessão vamos atingir de 90% a 95% de esgoto coletado e tratado. Passaremos a ser referência nacional em saneamento básico, considerando que a média nacional é 20%. A população vai sentir bastante essa alteração, por exemplo, com os igarapés mais limpos, uma situação muito diferente da que encontramos hoje.
JC – Como convencer a população de que essas melhorias não ficarão apenas no campo das promessas e realmente serão implantadas?
Bianchini – O grupo Águas do Brasil (um dos acionistas da Manaus Ambiental) tem uma dificuldade muito grande em ficar fazendo promessas e promessas, diante de um quadro no qual a empresa já estava aqui há mais de dez anos, só prometeu e não resolveu o problema. O que nós temos a dizer é que nós não somos aventureiros e não estamos aqui para fazer promessas. Temos um trabalho realizado em 14 outras cidades do país, onde somos o maior grupo de saneamento privado e esse trabalho já foi realizado nesses locais. Pegamos cidades com 0% de coleta e tratamento de esgoto e hoje já estão com 90%. Pegamos outras cidades com 40% e hoje chega a praticamente 100% de coleta de esgoto. Também chegamos em cidades cujo abastecimento de água cobria apenas 75% do total e hoje já está com 100% da cidade. Das cidades nas quais operamos hoje, nenhuma delas tem índices de coleta e tratamento de esgoto abaixo de 70% e nenhuma delas tem o índice de abastecimento de água que foge a 100%. Já solucionamos o problema de água em todas elas e estamos solucionando o problema de esgoto. É este modelo que estamos trazendo para Manaus. Não somos aventureiros. Não viemos a Manaus para macular essa imagem que criamos no país como o maior operador privado. Viemos para Manaus para transformá-la em referência nacional em saneamento básico. Juntando a experiência de todos os membros do Grupo Águas do Brasil estamos atingindo 750 anos de experiência. O grupo vem crescendo e vem agregando profissionais do mercado e essa capacidade técnica cada vez mais está aumentando.
JC – O contrato de concessão firmado com a prefeitura tem validade de 30 anos. Qual será o investimento nesse período?
Bianchini – É importante lembrar que a cidade ainda vai crescer e os investimentos feitos levarão em conta todo esse crescimento. Manaus é hoje a capital que mais cresce no país. Em dez anos Manaus cresceu 400 mil habitantes, e esse crescimento tende a continuar. Inclusive, somos consideradas uma das dez capitais que mais crescem no mundo, não é apenas no Brasil. Então, quando a gente fala que em 2026 estaremos com 70% do esgoto coletado e tratado já estamos prevendo o crescimento da cidade. Todo investimento que faremos, tanto em água, quanto em esgoto, já é prevendo o crescimento da cidade. A gente não pode falar assim: “Vamos resolver o problema hoje”. Não dá para resolver o problema hoje. Vamos ficar aqui por 30 anos e vamos investir aqui R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhões em água e R$ 2,2 bilhões em esgoto. Todo esse investimento já prevê o crescimento da cidade de forma planejada.
JC – Desse total de R$ 3,4 bilhões, quanto já foi investido nesses cinco meses de atuação da Manaus Ambiental?
Bianchini – Já investimos em torno de R$ 25 milhões. Vamos investir mais R$ 20 milhões agora para fechar os primeiros 12 meses de gestão.
JC – O grupo chegou a Manaus no mês de maio último, em pleno período eleitoral, no qual mais uma vez, a água se torna um dos temas centrais. Quais são as propostas que a Manaus Ambiental irá apresentar ao candidato, ou à candidata, que vencer a eleição neste domingo para resolver o problema?
Bianchini – Vamos continuar com o mesmo planejamento com o qual estamos trabalhando. Não podemos nos influenciar por questões políticas. A nossa preocupação é com a cidade. Temos a meta de atingir 95% de abastecimento contínuo de água para toda a cidade até o fim do ano, que nós vamos conseguir através desse novo plano, dos novos poços que perfuramos e daqueles que revitalizamos, das duas novas adutoras e do aumento da produção na Ponta do Ismael. E no ano de 2013 nós vamos atingir a universalização dos serviços de abastecimento de água. No ano que vem, 100% da cidade vai estar abastecida de forma contínua. A nossa grande meta é que para a eleição de governador, em 2014, a discussão seja sobre quem resolveu o problema da água e não que existe o problema da água. Agora, eu posso dizer uma coisa: não vai ser a empresa sozinha que vai resolver. Estamos buscando parcerias tanto com o poder municipal, como estadual, Ministério Público, Câmara dos Vereadores, Assembleia Legislativa. Esse é um problema de todos e todos querem a mesma coisa. Temos a mesma intenção. Se todo mundo caminhar junto isso se tornará, não um problema, mas sim um orgulho para a cidade de Manaus.
JC – Um dos principais problemas ligados à falta de abastecimento são as ligações clandestinas. Qual é o comportamento do usuário de Manaus com relação aos chamados “gatos”?
Bianchini – A gente enxerga de duas formas: existem aqueles que realmente fazem por má índole, que fazem para se beneficiar, prejudicando a coletividade; e existem aqueles que dão uma resposta à não prestação de serviço da maneira correta. Nós pretendemos atacar essas duas frentes. Na questão do relacionamento com o cliente, que é o mais importante para nós, queremos mostrar que a empresa faz parte da cidade, que a empresa é da população, que a empresa é parceira da cidade. E para isso estamos criando vários novos procedimentos comerciais que já foram implantados, e a população já vem sentindo essa diferença. Vamos implantar novas sedes na zona leste. Vamos inaugurar uma nova loja no início de 2013. Ou seja, estamos criando uma série de procedimentos para nos aproximar da população e mostrar que a empresa não é mais punitiva, a empresa é parceira. E àqueles que usam este expediente em benefício próprio, prejudicando a coletividade, vai ser alvo de fiscalizações, trabalho técnico e muito equipamento. Estamos trazendo tecnologia de ponta para procurar essas pessoas. Obviamente, em um primeiro momento, vamos dar oportunidade de negociação e começar um novo futuro, escrever uma nova história. Mas, se o assunto fugir ao domínio e não houver, pelo outro lado, a perspectiva de negociação vamos nos utilizar do que a lei preconiza. A campanha porta a porta será constante. A gente vai visitar os clientes. Já começamos essas visitas pelo São José, estamos indo ao Mutirão e vamos rodar a cidade com possibilidades de negociação e flexibilidade, buscando soluções para o abastecimento e problemas de conta. A Manaus Ambiental vai estar dentro da casa do cliente e próxima a ele. Essa é a forma que o grupo Águas do Brasil está acostumado a trabalhar e esta é a cultura que estamos trazendo para Manaus.
JC – Qual é a mensagem final da empresa para o aniversário de Manaus?
Bianchini – Manaus vive esse problema de saneamento desde sua existência. Por incrível que pareça, ela é um exemplo de meio ambiente para o mundo. Quando se fala de Manaus se fala de uma cidade plantada no ambiente com maior biodiversidade do mundo. Mas, na verdade, tem os índices de abastecimento de água e de coleta e tratamento de esgoto bem abaixo da média nacional. O que a gente tem a dizer à população de Manaus é que o nosso trabalho será sério, consistente, planejado, à base de engenharia. Nós vamos nos aproximar da população e vamos fazer isso de forma cuidadosa. Estamos tendo que “trocar as quatro rodas com o carro andando”. Vamos trabalhar juntos com a população. É assim que se resolve o problema. Manaus pode esperar que a solução, desta vez, vai acontecer.







