A linha Tucuruí/Macapá/Manaus, conhecida por Linhão, obra que foi a leilão em março de 2008, teve o início das operações prorrogado para o semestre deste ano, mas por enquanto o que não faltam são dúvidas. A principal é a dificuldade de informação entre as operadoras e as concessionárias detentoras da licitação desta obra vultosa.
A linha de transmissão está sendo construída em três trechos e custará cerca de R$ 3 bilhões. O Linhão irá interligar o sistema elétrico da usina hidrelétrica de Tucuruí, no Pará, a subestação de Lechuga em Manaus, no Amazonas, na Região Norte. Construída em circuito duplo, de 1.800 km de extensão, permitindo levar energia hidrelétrica à região amazônica, atendida atualmente pelos chamados sistemas isolados de usinas térmicas a óleo diesel.
Segundo o diretor técnico da MTE (Manaus Transmissora de Energia) responsável pela construção do Trecho C, compreendido de Oriximiná-Silves-Lechuga, em 500 kV, com extensão de 586 km, nos Estados do Amazonas e Pará, está prevista a conclusão do trecho em 28 de fevereiro do corrente, mas que não haverá fornecimento imediato de energia desta subestação, por ser necessária a conclusão completa do Linhão. Os responsáveis pelos outros trechos não se manifestaram sobre o andamento das obras.
Considerado um dos dois maiores empreendimentos de linhas de transmissão de energia em construção no país, o Linhão também está prestes a receber as licenças ambientais de operação, concedida pelo Ibama e que permitirá o início efetivo de funcionamento dessa rede. Os prazos para liberar a operação dos projetos foram confirmados pelo coordenador-geral de infraestrutura de energia elétrica do Ibama, Thomaz Miazaki de Toledo, no início deste mês.
A conclusão do Linhão prevista para acontecer até junho deste ano terá grande impacto na economia amazonense e também na qualidade de vida, com a diminuição das interrupções de fornecimento de energia, popularmente conhecidas por apagões da Eletronorte.
Interligação
O Linhão de Tucuruí interligada ao UTE Mauá 3 pelo SIN é mais um excelente opção para atender a região. Mas há certa temeridade pelo abandono das termoelétricas que funcionam como uma espécie de backup em caso de crise ou acidente no processo de geração de energia.
Na opinião do 2º vice-presidente da Fieam, Américo Esteves a região amazônica apresenta intempéries naturais, como as tempestades tropicais sazonais, que podem causar ruptura na transmissão de energia do Linhão para as cidades, polos produtores, distritos industriais e residências. Neste caso, as termoelétricas funcionam como plano B. “Se permanecerem as duas fontes geradoras de energia vai ser excelente, além de suprir a nossa necessidade e a nossa deficiência, vai proporcionar uma segurança muito grande, com sobra de energia”. E nesse cenário poderá admitir a exportação do excedente de geração de energia para países vizinhos.
Segundo Esteves a grande questão da região está na transmissão e distribuição de energia. A geração é suficiente, inclusive para servir à exportação. “A Amazonas Energia diz que tem controle sobre a geração de energia, o problema está na distribuição que é muito precária”, alertou. O Distrito 2 está numa área muito acidentada por isso requer maior investimento em terraplanagem e melhorias na rede de transmissão, o custo acaba ficando superior em comparação à outras localidades.
A lógica é buscar alternativas para instalação de outro Distrito Industrial, que já começa a se formar em torno da subestação de Lechuga, pertencente à Região Metropolitana de Manaus, indo em direção reta e plana para o município de Rio Preto da Eva nas margens da rodovia AM-010. “Aquela localização ficou propicia para basear o Distrito 3. Até pela topografia da área, pela proximidade do Linhão e com a interligação com o Distrito 1 através da avenida das Torres”, confirmou.
E, com o início da obra de extensão da avenida Governador José Lindoso, a avenida das Torres, em Manaus. O novo traçado que possui 11,1 quilômetros de pista e vai da avenida Timbiras, na Cidade Nova, até a rodovia AM-010, que liga a capital aos municípios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara, vem confirmar a especulação de empresas em instalar suas atividades naquele local. O investimento total na continuação da via é de R$ 221,7 milhões, com recursos do Orçamento Geral da União, financiamento da Caixa Econômica Federal e contrapartida do Governo do Estado do Amazonas.
Gás natural
A conclusão do Linhão de Tucuruí prevista para acontecer em junho deste ano terá grandes impactos na economia amazonense e também na qualidade de vida com a diminuição das interrupções (apagões). Na economia, a conexão de Manaus ao SIN permitirá que o Amazonas explore o seu grande potencial de gás natural, o que vai possibilitar que o Estado ao invés de receber energia, forneça energia, exportando para outras regiões, uma energia relativamente de baixo impacto ambiental.
Segundo a Eletrobras Amazonas Energia, a obra da UTE Mauá 3 está em andamento, em estado avançado e de acordo com o cronograma da empresa contratada. Estar orçada em aproximadamente R$ 1 bilhão para produzir 583 MW e que consumirá 2,3 milhões m³/ dia.







