Foi suspenso o Programa de Hospedagem Alternativa para a Copa de 2014 em Manaus, depois de forte pressão do setor hoteleiro representado pela ABIH-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Amazonas). A medida foi revelada logo após reunião reservada que aconteceu na manhã de terça-feira (23), na sede da Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Estado do Amazonas) localizada na zona Centro-sul da cidade.
De acordo com o presidente da ABIH-AM, Roberto Bulbol estando na eminência de virar um camelô do turismo, o projeto foi suspenso e deverá passar por uma análise cuidadosa. “Chegamos a um consenso. Reafirmo que a entidade não está participando desse edital, por isso vai ser feito uma reanálise desse projeto todo. Agora vamos esperar um pouco para ver o que vai ser decidido”, disse Bulbol ao Jornal do Commercio.
Oposição ao programa
A oposição ao programa veio à tona quando se verificou que o estatuto da associação não contempla a modalidade de hospedagem alternativa, no seu escopo. “A ABIH não pode apoiar esse tipo de programa até por questão do estatuto. A entidade ficou muito envolvida nessa questão, e o próprio estatuto não permite esse tipo de atividade”, defende Bulbol.
O presidente da ABIH-AM fez questão de frisar que a entidade além de não apoiar o programa, quer uma revisão geral dos números que serviram de base para o edital. “A ABIH não apoia esse tipo de atividade e a própria Amazonastur vai repensar e refazer todo esse projeto e depois talvez ela apresente para a associação. Temos que ver primeiro qual é a nossa necessidade. A questão fica em qual o número de pessoas que nós vamos receber? Quem vem jogar em Manaus?” Questionou Bulbol, que garante haver tempo suficiente para refazer o levantamento utilizado como base para a elaboração do edital. “E quem sabe se houver necessidade é claro que vai ter todo o apoio da associação”, afirmou o presidente da ABIH-AM.
Justificativa
Recém anunciado, o projeto do Governo do Estado era considerado um plano B para o turismo regional que visava aumentar o número de leitos na capital amazonense e Região Metropolitana de Manaus, e ainda, resguardar a figura do turista que optar por este tipo de hospedagem alternativa que vem sendo explorada de forma informal, segundo a Amazonastur. Mas, com a suspensão do programa que ainda era um projeto, lançado no dia 16 de julho, o edital elaborado pela empresa estadual nem chegou a ser publicado.
A presidente da Amazonastur, Oreni Braga, afirma que a ABIH-AM foi ouvida antes do lançamento do projeto na semana passada, no sentido de que a entidade pudesse participar e colaborar de alguma forma. “Mas, agora houve um certo apelo dos associados da hotelaria para que pudessem rever a proposta e entender melhor e avaliar o processo da hospedagem alternativa”, disse.
Oreni Braga, explicou que a hospedagem alternativa já acontece naturalmente independente do governo estar oficializando ou não. “Na verdade, bem antes de Manaus ser oficializada como cidade sede já tinham pessoas colocando seus apartamentos e suas casas para alugar”, declarou. Ela ainda fez questão de defender o objetivo do projeto. “O que nós tentamos foi regularizar essa situação da hospedagem alternativa para resguardar a figura do turista para que ele não fosse de certa forma lesado, mas já está acontecendo”, justificou.
Haverá uma nova reunião para que a Amazonastur chegue a um consenso e decida se o procedimento está adequado ou se vai deixar com que a hotelaria se manifeste e arque com o atendimento real do número de leitos necessários para os turistas durante a Copa 2014. “Temos uma projeção em cima dos indicadores que nós trabalhamos. Também há diversas projeções de outros órgãos do próprio ministério do turismo referente a quantidade de turistas que vem para Manaus. Mas nós trabalhamos em cima da nossa projeção, portanto nós nos preocupamos em não deixar com que Manaus receba um número importante de turistas, mas ao mesmo tempo nos preocupamos também em não deixar a hotelaria vazia durante o período da Copa”, conclui Oreni Braga.
UGP COPA
A maior preocupação da ABIH-AM está na questão da hospedagem alternativa de caráter temporário, ser efetivamente temporária ou se vai se estender por período indeterminado e ficar fora de controle, segundo o coordenador da UGP COPA (Unidade Gestora do projeto Copa do Mundo de 2014), Miguel Capobiango. “Os critérios que estão elencados no edital, para eles associados hoteleiros, não está muito claro de que esta questão vai ser efetivamente temporária, mas que pode perdurar por mais tempo depois da Copa do Mundo”, disse.
Para não correr riscos o Amazonastur entende que seria o momento de suspender o projeto até que se possa estudar um novo editorial que ampare ambas as operações (hotéis e hospedagem alternativa). “No momento os associados da ABIH não estão se sentindo seguros em relação a esse edital ser lançado no mercado e que isso possa vir a ser uma alternativa efetiva para ser utilizada durante a Copa sem comprometer a operação normal dos hotéis convencionais. Então por conta disso, a Amazonastur entendeu que era interessante suspender nesse momento a operação para que isso seja analisado com mais carinho e lá na frente se entenderem que isso seja realmente uma possibilidade aí sim poderá ser colocada em prática com mais critérios amarrados e de comum acordo com o mercado”, garantiu o gestor da Copa.
Abrasel
Participou da reunião a presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e da Casa do Turismo, Janete Fernandes, que saiu satisfeita com as medidas a serem tomadas para solucionar uma situação que pode vir a ser um problema se não for controlada e organizada. “A reunião foi muito proveitosa, o que a Amazonastur está tentando fazer é organizar uma coisa que já está acontecendo paralelamente. Hoje com a internet e acesso aos sites há uma facilidade muito grande em oferecer esse tipo de hospedagem alternativa”, alertou.







