A educação contra o capital (Parte 1)

Em: 16 de agosto de 2013
Parte-se do princípio de que todo educador precisa entender a diferença entre capital e capitalismo para construir o processo de luta contra a opressão ocasionada pela relação de exploração do trabalhador pelo capitalista
Parte-se do princípio de que todo educador precisa entender a diferença entre capital e capitalismo para construir o processo de luta contra a opressão ocasionada pela relação de exploração do trabalhador pelo capitalista

Parte-se do princípio de que todo educador precisa entender a diferença entre capital e capitalismo para construir o processo de luta contra a opressão ocasionada pela relação de exploração do trabalhador pelo capitalista. Karl H. Marx (1818* 1883†) ensinou que o capital é anterior e posterior ao capitalismo. O modo social e histórico de produção capitalista é uma das estratégias de realização do capital…, e nesses últimos três séculos tornou-se o modo dominante de realização do capital.
O capital existia antes do capitalismo, e pode existir depois do capitalismo. É o que István Mészáros intitulou de Capital pós-capitalista, tão vigente no século 20. Os países referidos como pós-capitalistas não conseguiram romper com o domínio do capital porque o funcionamento social do capitalismo é fundado no trabalho assalariado, no Estado e no capital. Consequentemente, o capital não desaparece enquanto não forem suprimidas as três premissas que o materializa.
O capitalismo é altamente destrutivo porque o capital, ou melhor, a relação de exploração do trabalhador pelo capitalista não tem limites, precisa se expandir constantemente para existir, ou seja, o capital é incontrolável. O capital é essencialmente destrutivo devido a produção e o consumo supérfluo, a destruição ambiental em âmbito global, o desemprego e a precarização do trabalho de modo estrutural e, também, devido à política do Norte, uma política de guerra permanente.
Qualquer tentativa de modificação do sistema social, orientado pelo capital, por intermédio da via institucional e parlamentar é fracassada…, as transformações devem ser dirigidas às causas e não aos efeitos, como bem querem àqueles que consideram a ciência e a tecnologia como a panaceia para nossos problemas. A transformação exige um movimento fora do parlamento, um movimento de massa, radical, capaz de acabar com o funcionamento do sistema social do capital e da sua lógica destrutiva e desumanizante.
Quem acha que pode controlar o capital está redondamente enganado porque o capital está no controle de todo o funcionamento social. O capital é um sistema orgânico e não apenas do funcionamento das instituições políticas, entre elas os parlamentos; o capital pode permanecer no controle da produção e reprodução do funcionamento social, e depois passa, também, a controlar a dimensão política do sistema, ou seja, expansão da relação de exploração do homem e da natureza a qualquer custo.
Um exemplo de como o capital está no controle de todo o funcionamento do tecido social foi a maneira rápida de reestruturação do capitalismo de mercado no Leste Europeu e nas Repúblicas Socialista Soviéticas –diga-se de passagem, essa reestruturação se deu depois de setenta anos da Revolução Russa. Como ocorreu esse processo? O Estado passou toda a propriedade, que ainda não se fazia comum a todos, para as velhas oligarquias, e isso representa uma importante lição para o futuro.
O desmonte da URSS, o desmoronamento dos países do Leste Europeu são marcos históricos fundamentais para o entendimento do liberalismo e, depois, do neoliberalismo enquanto políticas estruturantes do Estado capitalista…, políticas que reformam o sistema de exploração do trabalho humano e dos recursos da natureza sem alterar o capital. O liberalismo manteve o capital por meio do Estado de Bem-Estar Social, e o neoliberalismo mantém o capital por meio do Estado de Mal-Estar social.
Uma educação verdadeiramente engajada para o esclarecimento deve ser praticada por todos escolares a partir da crítica, mas não pode, e nem deve, deter-se somente nela…, a crítica desvinculada de consciência revolucionária é uma evidência de que indivíduos explorados (oprimidos) estão se adaptando ao sistema do capital. Um indivíduo educado por meio da crítica esclarecida tornar-se-á sujeito histórico se, e somente se, as condições que o oprimem foram banidas para sempre.
O professor progressista deve construir competências e habilidades com os discentes a partir da crítica esclarecida contra o liberalismo e, também, contra o neoliberalismo. Por que o professor deve agir assim? Porque a crítica contra o neoliberalismo deve ser constante devido o poder político e econômico institucionalizado por essa ideologia pela maioria dos governos de todo o mundo, como esclarece István Mészáros.
É importante os discentes aprenderem que a ideologia neoliberal defende o afastamento do Estado das atividades econômicas, mas também é importante esclarecer-lhes que o apoio do Estado ao capital nunca foi tão grande e tem total apoio dos que fazem apologia ao neoliberalismo, ao anarquismo e tantas outras ideologias. Os alunos e as alunas devem sair da Educação Básica entendendo que as guerras organizadas em busca do poder são cinicamente justificadas em nome da democracia e da liberdade.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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