O segmento da construção civil apresentou encolhimento no mercado de trabalho. Até o mês de abril deste ano cerca de mil funcionários foram demitidos, enquanto no mesmo período de 2013 esse número foi de apenas 200 desligamentos. Os dados têm como base o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O Sinduscon-AM (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Amazonas) confirma a baixa produtividade no primeiro semestre e alega diversos fatores econômicos e políticos para esse cenário.
“Esperávamos um crescimento de pelo menos 2% neste setor, mas o mundo vive uma crise na qual também estamos inseridos. Vemos uma insegurança por parte das empresas quando constatamos que a quantidade de lançamentos é inferior ao previsto”, disse o presidente do Sinduscon-AM, Eduardo Lopes.
De acordo com Lopes, outra justificativa para o aumento de novos postos de trabalho é o término de obras executadas desde o final de 2013. O presidente afirma que ao encerrar as atividades a empresa geralmente dispensa o operário e não contrata um novo profissional, gerando assim um novo posto. “É cedo para falarmos em crise. Geralmente a situação muda no segundo semestre. Porém, o retrato deste momento é o que vemos nos relatórios do Caged”.
Para o presidente do Sintracomec-AM (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial, Construção e Montagem de Gasodutos e Oleodutos e Engenharia Consultiva de Manaus e do Estado do Amazonas), Cícero Custódio, o aumento das vagas de emprego é resultado dos pedidos de demissões, que segundo ele, são de ordem voluntária do trabalhador. Custódio relata que é comum os operários que completam determinado tempo de atuação com carteira assinada pedirem o desligamento para receberem o benefício do seguro-desemprego ao mesmo tempo em que conseguem uma outra ocupação, também na área da construção civil, porém, sem os devidos registros trabalhistas. “Esse segmento é muito rotativo. Geralmente o funcionário negocia para sair da empresa, recebe os valores rescisórios e ao mesmo tempo trabalha de maneira informal. Isso comprova esse aumento significativo da taxa de demissões”, explica.
Segundo Custódio, a partir do mês de agosto o cenário da construção civil vai contar com boas notícias. O sindicalista informa que cerca de seis novas construtoras devem chegar à cidade para desenvolver seus projetos. Com isso, haverá contratação de mais mão de obra. “O mercado não está desaquecido. Algumas empresas já programam vir para Manaus e anunciam as contratações. Na verdade, faltam trabalhadores”, destaca. “Vale lembrar que teremos em torno de 3 mil contratações”, completou. As futuras obras terão duração média de um ano e meio.
Copa e as obras frustradas
De acordo com o presidente do Sinduscon-AM, Eduardo Lopes, a situação do setor da edificação deveria ser bem diferente, caso todos os projetos, concernentes às obras e reformas, que foram programados para a cidade tivessem sido executados. “O quesito mobilidade urbana foi um dos que não foi implementado conforme o previsto pelas autoridades. O cenário seria bem diferente se essas programações tivessem acontecido”, alegou. “O que tivemos de obras foram: a construção da Arena da Amazônia, a reforma do aeroporto e agora, o asfaltamento do quadrilátero da Copa. E o quê mais?”, indagou.
Reajuste para a classe trabalhista
Ao considerar o desaquecimento do setor, o Sinduscon-AM anunciou a adoção do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) estipulado em 6,08%. Por meio de nota o sindicato explicou que nos anos de 2009 a 2013 ofertou percentuais muito acima do índice, corrigindo as perdas com a inflação e acrescentando ganho real, fatos que acompanhavam o momento em que o país e o Estado passavam.
As negociações para a definição do reajuste dos trabalhadores tiveram como base a evolução do mercado e as oscilações da economia.







