O valor médio das dívidas em atraso dos consumidores inadimplentes do Amazonas, somadas todas as pendências em seu nome, corresponde a 2,85 salários mínimos (R$ 2.845). Os dados foram levantados em conjunto pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), e fornecidos pela CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus).
O número do Estado é 24,18% superior à renda média mensal do trabalhador brasileiro (R$ 2.291) mensurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas está 13,86% abaixo da média do consumidor nacional (R$ 3.239,48), conforme a mesma base de dados. Cada consumidor negativado têm, no geral, duas dívidas em aberto.
A sondagem revela ainda que, embora o valor médio seja elevado, a soma das dívidas da maioria absoluta dos consumidores amazonenses está próxima do valor do salário mínimo (R$ 998) e não chega aos quatro dígitos. Em torno de 30% devem até R$ 500 e 25% de R$ 501 a R$ 1.000. Na média nacional, esses percentuais são maiores: 37% e 53%, respectivamente.
A fatia de consumidores do Amazonas com contas atrasadas a pagar entre R$ 1.000 e R$ 2.500 é de 20%, empatando com o Brasil. Os que devem entre R$ 2.500 e R$ 7.500 são 15% do total – um ponto percentual a menos do que a média nacional (16%). As dívidas acima de R$ 7.500 são objeto de preocupação para 10% dos amazonenses negativados – o mesmo percentual do país.
Indagado sobre o porquê dos números e possíveis tendências para os próximos meses, o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayg, disse que é muito difícil tentar antecipar algo nesse sentido, já que o panorama econômico – e político – do Brasil segue muito instável até mesmo para previsões de curto prazo.
“Tudo que posso dizer é que as taxas em janeiro e fevereiro foram de 3,5%, caindo para 3,4% em março e voltando a subir para 3,5% em abril. Tivemos uma queda para 3,2% em maio, mas isso não quer dizer nada. Precisamos esperar mais estabilidade de empregos e mudanças na economia que favoreçam contratações e queda na inadimplência”, ressaltou.
Conjuntura desfavorável
Na contramão dos números brasileiros, a taxa de inadimplência do Amazonas em maio (3,2%) ficou bem abaixo da pontuação registrada exatos 12 meses antes (3,8%). No total, 26 mil pessoas saíram do cadastro do SPC Brasil no mês anterior, mas 30 mil entraram. A CDL-Manaus contabiliza, atualmente, 345 mil cadastros em seu estoque, com dívidas de até cinco anos.
Em nível nacional, o volume de consumidores com contas em atraso e restrições no CPF avançou 2,3% na comparação de maio com o mesmo mês de 2018. Entre as regiões, os Estados do Norte registraram a segunda menor elevação (+1,23%), perdendo de longe para o Nordeste (+0,53%). O maior incremento na taxa de inadimplência ficou no Sudeste (+3,83%).
Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, os números nacionais de inadimplência refletem o atual quadro de dificuldades econômicas no país, com as famílias brasileiras ainda enfrentando elevado nível de desemprego, renda comprimida e alta taxa de endividamento.
“A conjuntura ainda é desfavorável, pois a economia tem enfrentado dificuldades para esboçar uma reação mais forte. As expectativas, que eram positivas até uns meses atrás, estão sendo revisadas seguidamente para baixo, o que afeta a confiança de consumidores e empresários. Além do cenário macroeconômico adverso, o descuido dos consumidores com as finanças leva à situação de descontrole e ao atraso”, concluiu Pellizzaro Junior, em texto distribuído por sua assessoria de imprensa.







