Vaga com carteira assinada em queda no interior em maio

Em: 3 de julho de 2019
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A criação de empregos no interior arrefeceu em maio. Apenas seis dos 22 municípios amazonenses listados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) – em um universo de 61 – seguiram o Estado e apresentaram alta no saldo de postos de trabalho com carteira assinada em todas as comparações de períodos. 

A lista inclui Benjamin Constant, Boca do Acre, Fonte Boa, Manacapuru, Nova Olinda do Norte, Parintins, além da capital. O número foi inferior ao registrado em março (11) e abril (oito). Autazes, Lábrea, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, que haviam pontuado positivamente no mês anterior, caíram para o campo negativo. Coari e Eirunepé se saíram mal em todas as comparações, enquanto Iranduba registrou seu primeiro incremento mensal.

Entre abril e maio, oito municípios ficaram acima da média estadual (+0,22%). No interior, o maior crescimento (+2,92%) e de número de vagas (+56) veio justamente de Iranduba. Primeiro lugar em ambos os casos, Manaus gerou 864 postos de trabalho, com ganho de 0,21%. Os piores resultados em alta percentual e saldo vieram de São Paulo de Olivença (-3,90%) e Itacoatiara (-21), respectivamente. Benjamin Constant, Borba e Manicoré seguiram estáveis.

No acumulado do ano, 11 municípios pontuaram acima da média amazonense (+0,80%), com destaques positivos para São Paulo de Olivença (+15,62%) e Manacapuru (+9,98%). Em números de vagas, os campeões foram Manaus (+2.895) e Parintins (+180). As maiores quedas vieram de Coari (-21 vagas) e Careiro (-7,08%).

Em 12 meses, 12 municípios ficaram à frente do Amazonas (+2,35%), em um total de 15 que encerraram no azul. Os maiores incrementos relativos vieram de Fonte Boa (+38,10%) e Autazes (+19,18%), e os saldos mais expressivos em termos absolutos vieram de Manaus (+9.225) e Manacapuru (+423). Na outra ponta, Iranduba (-10,14% e -222 vagas) ainda sustenta a pior posição nesse tipo de comparação.

Atividades mais frequentes no interior do Amazonas, como agropecuária e administração pública, estiveram entre os setores econômicos com piores números no Caged, em maio. A primeira registrou seu primeiro avanço de 2019  na passagem de abril para maio (+0,01%), ao gerar um único emprego. Mas, acumula quedas no ano e em 12 meses.  

Já a agropecuária foi a única atividade do Estado a amargar retração em todas as comparações de períodos. A diferença entre desligamentos (131) e admissões (129) foi de apenas dois empregos no comparativo mensal, mas produziu variação negativa de 0,05%. Em 12 meses, o setor cortou oito postos e encolheu 0,21%. Mas, acumula a extinção de 481 vagas no ano, correspondendo a um corte de 11,13% em relação ao estoque anterior. 

O presidente da Faea (Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas), Muni Lourenço, atribuiu a queda no saldo de empregos aos efeitos da cheia dos rios e informou que os segmentos mais atingidos do setor primário foram a fruticultura – principalmente banana –, além da mandioca e da pecuária.

Mercados e feiras 

Procurada pelo Jornal do Commercio, a Prefeitura de Coari respondeu, por nota à imprensa, que vem mantendo os investimentos na cidade para garantir que a economia do município se mantenha aquecida e fomentando emprego e renda, principalmente na área de produção rural, mercados e feiras.

“Além disso, a prefeitura está gerando cerca de 800 empregos para os coarienses, com a realização de diversas obras por toda a cidade, o que injeta dinheiro para as famílias do município”, ressaltou o texto divulgado pela Secretaria de Comunicação Social de Coari.

Verão e cheia

O prefeito de Iranduba, Francisco Gomes – também conhecido como Chico Doido –, atribui a retomada do saldo de postos de trabalho em maio justamente ao polo oleiro. Em depoimentos anteriores, ele havia mencionado que o segmento vinha sofrendo com o desmonte do segmento nos últimos anos e chegou a perder 30% de suas empresas, em função de problemas ambientais no processo produtivo e da alta dos custos.

Na análise do prefeito, a chegada do verão – com a menor incidência de chuvas – está favorecendo a construção civil em geral e as obras públicas em particular, aumentando a demanda por tijolos. O mesmo não pode ser dito do setor hortifrutigranjeiro do município, que ainda sofre os efeitos da cheia e está “no fundo da água”. 

“Outro problema é o avanço dos loteamentos, porque muita gente prefere vender terra a investir na agricultura. E o pior é que fizemos um levantamento e verificamos que há muita irregularidade nesses terrenos. Estamos indo atrás dos proprietários para que ajustem sua situação”, concluiu. 

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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