Foods Trucks buscam nova roupagem para se adequar ao mercado local

Em: 4 de julho de 2019
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Entraves burocráticos, falta de lugares públicos para exercer a atividade e a ausência de lei que regularize a venda de alimentos sobre rodas, foram uma das principais dificuldades que levaram os foods trucks em Manaus, buscarem nova modelagem para sobreviver no mercado. Para pequenos empresários, locais particulares e food parks com diversificação de atrações surgem como alternativa para alavancar a atividade na cidade.

Segundo Álvaro Assis Neto, administrador e sócio proprietário do Snack Food Truck, de 2018 para cá, muitos pequenos empresários migraram para outra atividade e deixaram de atuar no mercado e outros buscaram novas áreas pouco exploradas na cidade  com grandes investimento na qualidade dos serviços e apostando no cardápio regional. Atualmente, com três anos de atuação no mercado, tem seu empreendimento localizado no bairro Ajuricaba, Zona Centro-Oeste, onde aposta numa diversidade do cardápio, que além de hambúrgueres, entra espeto, hot dog e até comidas regionais.

“Mesmo sem locais públicos destinados à foods truck, o segmento está procurando se organizar em parks para se adequar ao novo momento. Hoje a atividade está mais estabilizada, se manteve quem realmente apostou na ideia e manteve a qualidade que se propôs desde o início, mesmo com toda a dificuldade que enfrentamos em Manaus. Nosso objetivo é sempre buscar a qualidade, que tem que ser o básico para qualquer atividade, além de um preço acessível. Combinando isso com um local para seus filhos brincarem e uma música boa agrada a todos. Em Manaus ainda tem muita gente que não conhece nossa atividade e um dos nossos objetivos e levar nossos produtos até essa galera que ainda não nos conhece”, disse.

Dinamizar a atividade em termos  de logística para poder atuar nas ruas de Manaus de forma livre, ainda é a principal dificuldade do segmento. Em 2016, quando a atividade tinha surgido como um novo nicho de negócio, as autoridades mostraram interesse em regulamentar e criar regras para o segmento. Na época, tramitou na CMM (Câmara Municipal de Manaus), O Projeto de Lei n 142/2014, de autoria do vereador Marcelo Serafim (PSB) que dispõe as regras para a comercialização de alimentos em vias e áreas públicas. 

O objetivo da propositura era de fomentar o empreendedorismo, propiciar oportunidades de formalização e promover o uso democrático e inclusivo do espaço público. O comércio de alimentos na rua seria realizado nas categorias A, B e C. Na primeira em veículos automotores com equipamentos montados encaixava-se o Food Trucks, segundo o projeto. No entanto, a lei não foi aprovada e a atividade teve que buscar novas alternativas para atuar. De acordo com Álvaro, apesar disso, os pequenos empresário têm conseguido firmar parcerias para para alinhar outras atividades com a venda dos produtos.

“Vender nas ruas como gostaríamos sempre foi um problema, não temos como parar em qualquer local, as autoridades competentes logo no início até demonstraram vontade de buscar a regularização, porém não avançou mais. Encontrar um local legal para atender os clientes também é um desafio, não são todos que topam em apoiar a ideia, hoje no Manaus Park, o proprietário vem nos apoiando e apostando na retomada da nossa atividade”, explicou. 

Eleito pela Revista Veja em 2017, como um dos melhores hambúrgueres da cidade Manaus, o Burger WTF é o grande carro chefe que até hoje tem atraído a clientela do Wtf Burger Chef, localizado no Park Vieiralves. Segundo Vanderley Oliveira dos anjos, chefe de cozinha do food truck,a principal estratégia buscada pelos donos do negócio, tem sido a aposta de lugares diversas atividades culturais com um pegada gastronômica mais variada.  

“Os food trucks estão  mais organizados e conscientizados em oferecer boa comida, mais com uma qualidade técnica muito melhor, em preparos, manipulações de alimento e atendimento.A remodelagem de se organizar na cidade foi necessária devido ainda não termos uma lei que nos permita fazer o estacionamento dos foods nas vias. Então, o que  iniciou sendo uma proposta de rua, evoluiu para organização dentro de Parks food. Os desafios desse segmento é sempre estar inovando, buscando sempre novidades que deixe o público sempre ativo a consumir algo novo, gostoso e com preço acessível”, explicou.

Para Vanderley, acompanhar o mercado dentro de uma inovação e necessidade dos consumidores é uma aplicação de experiência  diária para continuar vendendo e abrindo todos os dias. “O Manauara hoje em dia ele busca algo novo, dentro do seu próprio tempero,  o bom atendimento e o que não pode faltar acompanhado da Boa comida e preço acessível”, frisou.

Experiência do pioneiro no segmento

Há um ano fora do segmento, em 2014, Fernando Vieira foi o pioneiro a investir no segmento em Manaus, com o Food Truck Bora Lá Manaus . Na época, com a febre do modelo de lanche de rua, a atividade tinha a possibilidade de circular em vários ponto das cidade e shows, eventos e locais público. Ele explica, que para quem quer entrar no segmento, mais do saber cozinhar é preciso saber fazer network (capacidade de estabelecer contatos), com o objetivo de formar parcerias para fortalecer o negócio.

“A lei que foi regulamentada em São Paulo não pôde ser implantada aqui. Isso nos impossibilitou de rodar em Manaus, que é o conceito primordial do food truck, pelo fato da atividade não ter um apoio da lei. Para poder estar todo dia em um lugar diferente. Na ocasião, notamos que o consumidor de Manaus não estava preparado para o conceito de food truck, porque atuávamos em diversos lugares. Talvez devido a isso, fortaleceu o segmento de food parks”, explicou.

Segundo Renata Figliuolo Tupinambá, sua  experiência de 3 anos de food truck foi de bastante lucratividade e resultados  positivos. Na época, o segmento tinham acessibilidade livre em eventos variáveis, mas esbarrava nas dificuldade de adaptação a legislação e estruturais exigidas. Além disso, ela destacou a mudança do poder de compra dos clientes dentro do mercado, que com o passar do tempo ficou mais segmentando a valores reduzidos em relação ao início da atividade. 

“A principal dificuldade foi inerente ao empreendedorismo e ao empresário no segmento de alimentos no Brasil. Todos os foods trucks que tivemos contato foram adaptados, estavam legalizados dentro das normas, mas foi um processo de entendimento de como funcionava a dinâmica de alimento dentro de um estabelecimento de características móveis. Essa foi uma dificuldade estrutural, e a compreensão de colocar o Food Truck numa estrutura empresarial e empreendedora, que é muito diferente de uma venda de alimentos na rua informal”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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