PIB tem leve crescimento, mas segue incerto e lento, aponta BC

Em: 30 de setembro de 2019
Expectativa para PIB aumenta, mas saldo das operações de crédito e investimento vão no sentido contrário
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Expectativa para PIB aumenta, mas saldo das operações de crédito e investimento vão no sentido contrário

O Banco Central aumentou a previsão de crescimento do PIB para este ano e prevê, ainda com “elevado grau de incerteza”, maior expansão em 2020. As estimativas para o saldo das operações de crédito e para o investimento, contudo, foram na direção contrária. As informações foram extraídas do Relatório de Inflação, divulgado nesta quinta (26).

A projeção para a elevação do PIB passou de 0,8% para 0,9% em 2019. O crescimento esperado para 2020 é de 1,8%, levando em conta a continuidade das reformas e os “ajustes necessários na economia brasileira”, com o pressuposto de que o ritmo de expansão será gradual.

“A projeção ora apresentada considera ritmo de crescimento ainda lento no terceiro trimestre, em linha com indicadores coincidentes divulgados até o momento, e aceleração no quarto trimestre, para a qual deve contribuir o impulso das liberações extraordinárias de recursos do FGTS e do PIS/Pasep”, assinalo o documento.

O BC, por outro lado, reduziu a estimativa de alta para o saldo das operações de crédito de 6,5%, previsto em junho, para 5,7%. Isso se deve à menor expectativa para a demanda de pessoas jurídicas (de +2,5% para -0,9%). Coincidência ou não, a projeção para a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) caiu de 2,9% para 2,6%. 

A redução na projeção de crédito para pessoas jurídicas foi determinada pela queda nos recursos direcionados (-7% para -12%). “A alteração é consistente com a continuidade da perda de participação dos bancos públicos no financiamento às empresas, sobretudo o BNDES. O segmento de recursos livres também apresentou dinâmica mais contida, com a substituição de crédito bancário por dívida fora do Sistema Financeiro Nacional por parte de grandes empresas”, salientou o BC.

Indústria patina

Entre os setores, as maiores apostas ainda se concentram na agropecuária, cuja projeção passou de 1,1% para 1,8%. Segundo o BC, essa revisão é compatível com o resultado mais recente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, que aumentou a estimativa de safra para produtos como soja e milho.

A projeção para o desempenho da indústria apresentou ligeira redução, de 0,2% para 0,1%, puxada pelo recuo da indústria extrativa (de 1,5% para -1,6%). Em sentido oposto, após o resultado do PIB do segundo trimestre, as apostas para a indústria de transformação e para a construção civil foram revisadas de -0,3% para -0,2% e de -1% para 0,1%, respectivamente.

A estimativa de crescimento para o setor de serviços em 2019 foi mantida em 1%, mas a projeção para o comércio aumentou, em função da “ligeira melhora na previsão para a indústria de transformação e dos efeitos das liberações extraordinárias de recursos”.

Consumo e crédito

Em sintonia, a previsão para o consumo das famílias foi revista de 1,4% para 1,6%. As perspectivas positivas em relação às pessoas físicas incorpora o impacto da liberação extraordinária de recursos do FGTS e do PIS/Pasep e tem claros reflexos na aguardada expansão de crédito para esse segmento (de +9,7% para +11%).

Para o BC, os empréstimos para pessoas físicas com recursos livres das têm sido o principal vetor de crescimento do crédito no país. Em relação ao saldo financiado com recursos direcionados para pessoas físicas, manteve-se a projeção publicada no Relatório anterior para 2019 (+6%).

“Voo de galinha

A previsão para 2020 é que as atividades da agropecuária, da indústria e de serviços avancem 2,6%, 2,2% e 1,4%, respectivamente. As taxas para o consumo das famílias (+2,2%) e para a Formação Bruta de Capital Fixo (+2,9%) também devem avançar, conforme o BC. 

Já a projeção de crescimento do estoque do crédito é de 8,1%, puxado pelas pessoas físicas (+11,2%), mas também amparado pelas empresas (+3,8%). O BC demonstra cautela em relação à elevação do endividamento das famílias e destaca que o saldo das pessoas jurídicas deve seguir limitado pela queda de 5% na verba de bancos públicos, embora haja previsão de alta de 9,5% na oferta de recursos livres.

Na análise do presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco de Assis Mourão, os números refletem o avanço nas reformas e medidas anticíclicas do governo para estimular o consumo, assim como o panorama atual de juros e inflação em baixa. Mas, a fragilidade do setor privado e o endividamento das famílias ainda inspira cuidados para evitar novos “voos de galinha” no PIB. 

“O comércio mundial está em baixa pela guerra tarifária entre China e Estados Unidos, com impactos relevantes no dólar. Devemos ter uma pequena elevação dos investimentos só no próximo ano, mas isso vai depender do andamento das reformas e das medidas que o governo tomará depois disso. A revisão do PIB dá uma leveza, mas o desemprego continua alto, assim como as incertezas”, arrematou.

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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