Com um volume de mais de R$ 191 milhões de recursos alocados para 187 projetos abrangendo 83 municípios dos 153 da sua área de atuação, a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) contabilizou os resultados da aplicação de seus recursos durante este ano. Para o superintendente adjunto da Suframa, Oldemar Ianck, o próximo ano será marcado pela retomada do desenvolvimento da interiorização e pela possível chegada do novo PPB dos celulares.
Jornal do Commercio – O que o PPB (Processo Produtivo Básico) dos celulares de alta tecnologia vai exigir na implantação?
Oldemar Ianck – Para a produção imediata dos modelos de celulares high-tech, o novo PPB exige uma flexibilidade um pouco maior de algumas etapas de produção, como a importação de alguns insumos, mas dá como compensação a nacionalização de componentes básicos e peças. A proposta é tão boa que já temos até um mercado inicial, o Chile, com o qual aproveitamos um acordo fechado através do Mercosul para iniciarmos as exportações desse produto.
JC – Mas existe tecnologia suficiente no PIM (Pólo Industrial de Manaus) para essa adequação ao novo PPB?
Ianck – Sem dúvida nenhuma. Basta lembrar que o maior produtor mundial de celulares, a Nokia, se encontra em Manaus.
JC – O Amazonas vai conseguir fazer um acordo dentro da lei de informática para se implantar esse novo PPB só porque vai trazer benefícios para Manaus?
Ianck – Foi pensando justamente nisso que o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) convocou a superintendente da Suframa para uma reunião, porque a negociação em Brasília será de altíssimo nível e os atores envolvidos são todos os Estados interessados na produção de bens de informática. É certo que teremos o apoio do ministro interino, Ivan Ramalho, já que ele convocou a superintendente Flávia Grosso justamente para ampliar o maior nível de decisão possível.
JC – Qual o orçamento previsto pela Suframa para desenvolvimento da interiorização em 2008?
Ianck – O orçamento total da Suframa previsto para o próximo ano é de R$ 500 milhões, dos quais 156 milhões já foram descontingenciados. Desse volume, 115 milhões é resultado de convênios efetivados em sua maioria no fim deste ano e que somente vão produzir frutos em 2008, ano que considero muito importante para a interiorização do desenvolvimento por parte da Suframa.
JC – E quando sai o restante do orçamento do órgão?
Ianck – As negociações foram feitas com todos os entes políticos, dos governadores às bancadas estaduais. Existe ainda um compromisso assumido publicamente pelo presidente Lula, que determinou junto aos ministros a viabilização dessa primeira parcela de um total de três. Estamos no aguardo de que as duas próximas parcelas, em torno de R$ 150 milhões e R$ 160 milhões cada uma, sejam viabilizadas no decorrer do próximo ano ou pelo menos uma parcela ainda em 2008 e outra no ano seguinte.
JC – Como o senhor analisa o desempenho da Suframa neste ano?
Ianck – As indústrias do Pólo Industrial de Manaus tiveram um desempenho muito bom este ano, devendo fechar com um faturamento perto de US$ 25 bilhões e 104 mil empregos diretos consolidados. Além disso, a Suframa conseguiu manter o processo de crescimento das empresas locais acima de 10% ao ano e consolidar segmentos industriais como o de cosméticos.
JC – Que setor puxou esse crescimento industrial?
Ianck – O pólo de duas rodas já representa entre 22% e 23% do faturamento total do PIM. Somente em capital investido, os investimentos alcançam cerca de US$ 1 bilhão por ano. A produção na região também aponta expansão expressiva, já que neste ano projeta-se a produção de cerca de 1,8 milhão de motocicletas. Fechamos 2006 produzindo 1,516 milhão de unidades. Hoje já temos 1,7 milhão. Outro setor interessante foi o segmento de bicicletas, que também deu suporte aos números do pólo, com a previsão de um salto das







