A indústria de componentes do PIM (Pólo Industrial de Manaus) é a que mais transfere os custos com mão-de-obra para o preço final do produto, conforme representantes das indústrias. O presidente da Sinaees (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares de Manaus), Wilson Périco, informou que nestes casos os encargos salariais comprometem entre 30% e 35% o valor do bem fabricado. Já para as empresas fabricantes de produtos acabados este índice representa de 2% a 3%.
O executivo informou ainda que o fator mais preponderante sobre o preço final dos eletroeletrônicos é o custo com matéria-prima. “Numa ordem crescente vem a carga tributária, mão-de-obra e, em seguida, energia elétrica”, garantiu o dirigente. A indústria de meios magnéticos, que fabricam CD e DVD, foi citada por Wilson Périco como uma das que mais converte os gastos com energia para o valor do produto.
Segundo o presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Maurício Loureiro, a matriz de gastos industriais pode ser traçada numa linha crescente, variando conforme o negócio. “Para as empresas de transformação plástica, por exemplo, o insumo de maior peso será a energia elétrica, depois salários e, por último, matéria-prima”, afirmou.
Em termos percentuais, a energia representa para as termoplásticas, 50% das despesas e 10% são dispensados para salários, encargos sociais e trabalhistas. De acordo com Loureiro, os outros 40% são divididos entre imobilizações de prédios, máquinas, equipamentos e impostos.
No âmbito da pesquisa, desenvolvimento e serviços, a mão-de-obra foi apontada como a área com despesas mais significativas devido à necessidade de especialização. “O pagamento dos funcionários será equivalente a 70%, enquanto que os outros 30% serão gastos com imobilizações prediais e laboratórios”, afirmou o presidente do Cieam. Já os custos das empresas de montagem vão variar de acordo com o tipo de produto e mão-de-obra aplicada.
A má-administração e os impostos foram apontados pelo dirigente como outros fatores que influenciam no preço final do produto. “A ineficiência administrativa pode ser um custo oculto de maior valor e que pode ser verificado a partir de uma fiscalização”, comentou. Porém, conforme o executivo, os encargos sociais e trabalhistas são os que mais pesam sobre o valor do produto.
Loureiro explicou que para cada R$ 1,00 pago ao trabalhador o governo recebe R$ 1,20 de contribuição direta em impostos. Segundo ele, a partir dessa lógica pode-se dizer que o governo é sócio majoritário do trabalhador e do empregador. “Portanto, quem determina as demissões não é o dono do negócio ou patrão, mas o mercado. Isso ocorre muitas vezes por decisões equivocadas do governo”, afirmou.
Gastos com matéria-prima e energia são elevados
Já o presidente da Aficam (Associação das Empresas Industriais e de Serviços do Pólo Industrial do Estado do Amazonas), Antônio Carlos Lima, afirmou que de maneira geral a matéria-prima lidera os custos das empresas. No entanto, o executivo afirmou que a questão é variável, pois os gastos com energia das indústrias de transformação, como de plástico e papel, por exemplo, são mais elevados. “Já para as fábricas de montagem, as despesas com energia elétrica não são tão significantes”, explicou.
De acordo com o dirigente, a intensidade do impacto dos encargos com salários sobre o valor do produto final das empresas vai depender do tipo de produção. “Os fabricantes de televisores de LCD têm como compensar, porque o seu produto possibilita um retorno significativo”, disse. Já o pólo de componentes apresentaria maiores dificuldades de ajustar os gastos, conforme Lima.
A questão também foi considerada como relativa pelo diretor executivo da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Flávio Dutra. “A metalurgia é um setor que possui maiores gastos de energia devido ao uso constante de fornos, influenciando no preço do produto”, assinalou.
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