Pequenas empresas no interior de São Paulo começam a se beneficiar dos créditos de carbono. O empresário americano Thomaz Rolland, presidente da empresa Carbono Solutions, com sede na Flórida (EUA), visitou, na terça-feira (22), no interior de São Paulo, uma indústria de cerâmica interessada em vender seus créditos de carbono.
Os créditos de carbono ou redução certificada de emissões (RCE) são certificados emitidos quando ocorre a redução de emissão de gases do efeito estufa (GEE). Por convenção, uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) equivalente corresponde a um crédito de carbono. Este crédito pode ser negociado no mercado internacional.
A venda de créditos de carbono é uma das ações do projeto de desenvolvimento do APL (Arranjo Produtivo Local) de Cerâmica Vermelha do Oeste Paulista em andamento há três anos. É uma ação implantada com a ajuda do Sebrae em Presidente Prudente e da empresa Ecológica Assessoria. Trinta empresas estão interessadas em vender os créditos de carbono.
A visita de Rolland aconteceu à Cerâmica Luara, do empresário Juarez Cotrin, em Panorama. Cotrin conta que substituiu totalmente a lenha utilizada na olaria por biomassa, em um investimento que ultrapassou os R$ 300 mil. “É um investimento que será recuperado no longo prazo, mas os efeitos ambientais já podem ser sentidos agora”, avalia.
Cotrin espera vender cerca de 24 mil toneladas de crédito de carbono. Atualmente o custo da tonelada é de 6 euros. Uma parte do dinheiro será para pagar os custos da Ecológica Assessoria, responsável pelo diagnóstico e todo o projeto.
“Trabalhamos com o mercado voluntário, onde qualquer empresa pode participar como compradora”, diz Flávia Yumi Takeuchi, coordenadora da Ecológica. Segundo Cotrin, o comprador americano ficou impressionado com as novas tecnologias empregadas nas olarias.
A Luara, que existe desde 1993, produz entre 550 mil e 600 mil peças de cerâmica por mês e emprega 16 funcionários. Cotrin explica que, com participação no Arranjo Produtivo Local, dobrou o faturamento da empresa. “Os empresários estavam descrentes do mercado, não tinham organização. A participação no APL nos trouxe informação e incentivo para prosseguir”. Cotrin espera em 2008 aumentar em 15% a produção de peças.
Segundo a gestora do APL de Cerâmica Vermelha do Oeste Paulista, Selma Luz, participam do APL 72 empresas de cinco municípios – Ouro Verde, Panorama, Paulicéia, Presidente Epitácio e Teodoro Sampaio. O setor gera na região 1.400 empregos diretos. Com a atuação do Sebrae, os empresários constituíram uma cooperativa e agora partem para uma central de negócios, onde será possível vender e comprar conjuntamente.







