1º de maio – Simbolismo e importância

Em: 5 de maio de 2025

O trabalho se manifesta das mais diversas formas e atualmente temos uma gama de áreas, profissões, ofícios e habilidades, especialmente com a vertente tecnológica. É importante salientar que essa variedade também foi motivada por transformações sociais que vieram a impactar, decisivamente, o modo de vida e de sobrevivência das pessoas. A Revolução Industrial, por exemplo, ocorrida na Inglaterra a partir do Século 16, trouxe uma mudança radical em toda a estrutura laboral da época. Até o advento da Revolução Industrial a população tinha a produção artesanal como base. Ou seja, o próprio artesão fazia todo o processo produtivo em sua própria oficina (geralmente na própria casa), sendo o responsável por todas as etapas de produção. Porém, com a nova realidade imposta pela implementação da maquinofatura, das fábricas e da produção em massa, os pequenos artesãos, bem como muitos produtores do campo, precisaram se mudar para as cidades e passaram a ser empregados nas indústrias que haviam surgido, pois não teriam como concorrer com uma estrutura de fabricação desse porte.
O Dia Mundial do Trabalho, conhecido também como Dia do Trabalhador, em 1º de maio, é uma data muito significativa, pois traz uma justa homenagem a todos aqueles que se esforçam e dão o melhor de si para adquirir o sustento próprio e da família, além de contribuir para a construção de uma sociedade soberana e digna. Esta data passou a ser celebrada depois da greve operária que ocorreu em Chicago, nos Estados Unidos, em 1º de maio de 1886. Este acontecimento teve como temática a luta pela melhoria das condições de trabalho: a redução de jornada (de 13 horas para 8 horas), o aumento de salários, o descanso semanal e as férias.
Depois das 3 primeiras eras da Revolução Industrial, veio a chamada Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0, onde a automação tornou-se cada vez maior. A chamada ‘internet das coisas’ e a ‘computação na nuvem’ são características deste novo momento transformador da realidade nacional e mundial. Agora já estamos na fase da Indústria 5.0 ou Quinta Revolução Industrial, que é uma etapa emergente e evolutiva da industrialização, na qual os seres humanos trabalham lado a lado com máquinas e robôs. Apesar da indústria 4.0 estar mais relacionada com automação e intercâmbio de dados, a indústria 5.0 diz respeito às pessoas e ao Planeta Terra. É certo que a noção de indústria 5.0 realmente tomou forma durante a pandemia da Covid-19, quando empresas e elaboradores de políticas públicas começaram a prestar cada vez mais atenção ao desenvolvimento tecnológico, priorizando em conjunto a sustentabilidade.
Ou seja, o fato é que muitas mudanças têm ocorrido no suceder da trajetória humana no que concerne às atividades laborais, em suas muitas nuances. E em todo este tempo foram diversas as conquistas alcançadas. Ao mesmo tempo são também diversos os problemas enfrentados neste aspecto: como a desigualdade de condições e salários entre homens e mulheres, além de outras variações. Ao mesmo tempo que a invenção de máquinas e meios modernos de produzir (durante a Revolução Industrial) poderiam até substituir a força de trabalho humana em algumas áreas, essa mudança brusca nos meios de produção acarretou também diversos problemas sociais, uma vez que o intenso êxodo rural gerou uma superlotação nas cidades, sem que as mesmas tivessem as condições estruturais, de moradia digna e de saneamento básico necessárias para comportar um grande número de pessoas.
São inúmeros os problemas e entraves que permeiam a realidade trabalhista brasileira até hoje, como a falta de qualificação, os baixos salários, as altas cargas tributárias que incidem sobre os empregadores na folha de pagamentos dos seus funcionários (o que desestimula ou até precariza novas contratações), a falta de incentivo para a produção de novas tecnologias e/ou pesquisas que agreguem valor e a ausência de investimento maciço em capital intelectual; sem falar também na imensa disfunção burocrática existente, somada a outros problemas estruturais.
É certo que hoje em dia vivemos um novo cenário empresarial e financeiro. E mais do que nunca é preciso estarmos atentos e estruturarmos o nosso país para o novo momento macroeconômico existente, que está fundamentado na crescente profissionalização, qualificação e, principalmente, na alta tecnologia. Será cada vez mais natural o trabalho com base no modelo presencial, remoto e híbrido (presencial e remoto), por exemplo; mais uma mudança de paradigma impulsionada pelas novas circunstâncias. Para se adequarem e sobreviverem neste novo contexto, é preciso que os profissionais, trabalhadores e organizações se reinventem, inovem, estejam alinhados à atualidade da vida, das atividades laborais e às novas expectativas, características e exigências dos consumidores. E mais do que nunca faz-se necessário que haja a implementação de políticas públicas voltadas à empregabilidade, passando pela educação, qualificação, ensino técnico, profissionalizante e de ensino superior. Independente da diversidade de atribuições, uma coisa deve ser geral: que todos tenham as condições ideais para desempenhar suas funções, com respeito, dignidade, condições e valorização.

Lisandro Mamud

Lisandro Mamud é administrador, pesquisador em Inovação, Tecnologia e Educação do Núcleo Educotec (Ufam)
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