Dogmatismo na política e suas externalidades

Em: 3 de julho de 2026

 

 

 

Um traço marcante do Estado Medieval é a teocracia que mantinha a sociedade num estamento. Um contraste entre o conformismo gerado pela manutenção das crenças, dos valores dos camponeses e abusos da vassalagem e da realeza.

Más, o que tem a ver o modelo de poder de um Estado medieval com o dogmatismo aplicado em um Estado no Pós-modernismo?

Em um cenário onde se destaca um modelo pós-moderno de organização, a lógica e a verdade são atacadas e o resultado é a promoção da insegurança jurídica, (semelhante ao Estado Medieval). Nesse sentido, Kant aponta as vantagens de um modelo racional de gestão pública que ordena e regula a política. Um modelo de Estado proposto na visão moderna de Kant, é considerado como base de um pacto social, do “Rechtsstaat” ou Estado de direito. Assim, enquanto o subjetivismo gera o caos e a anomia, a razão Kantiana promove uma previsibilidade jurídica, resultando em harmonia política-econômica alinhada estrategicamente às diretrizes de governo às dinâmicas de mercado, criando um ambiente propício ao crescimento e consequentemente desenvolvimento de um país. O Pós-modernismo é uma característica marcante em alguns grupos políticos e instituições coletivistas. Esse movimento é dotado de subversão da linguagem e destruição da lógica com o fim de distorcer a realidade. Assim, como no Estado medieval, a corrente política que assume o comportamento de governar segundo narrativas, cria uma “bolha cognitiva” em um dogmatismo que não busca a solução do problema, pois valida uma visão de mundo muitas vezes dotada de sofismas e pessoalidade. Um exemplo de sofisma é definir uma ditadura e seu líder como uma democracia. Isso é um ataque à lógica, pois cria subversão semântica, onde o sentido do termo apenas é relacionado a quem faz parte do grupo político estabelecido.

Válido lembrar nesse ponto, a visão de Jean-Werner Muller, segundo ele, o político busca manter suas narrativas por meio de conflitos constantes, gerando uma polarização, onde os pensamentos ou posicionamentos contrários são manifestamente considerados e tratados como inimigos. É nesse cenário que o político obtém lucro do caos e desvia o foco do que efetivamente deveria propor à sociedade. As consequências das práticas de um político déspota, não limitam-se em tirar lucro do caos, geram outros impactos como a externalidade de confiança, situação em que a sociedade entra em um estado de anomia(sem normas) e a corrupção bem como a violência refletem a falta de credibilidade da sociedade nas instituições do Estado.

Os impactos de longo prazo geram externalidades negativas que consomem as possibilidades reais de desenvolvimento, uma vez que a função alocativa do governo não aplica os recursos onde serão produtivos. Más, onde poderão dar suporte à manutenção do poder. Assim, a política operando no formato dogmático utiliza-se de mentiras para manutenção do poder, divergindo apenas das religiões no aspecto moral e ético. Isso implica em uma espécie de substituição da divindade medieval por abstrações do tipo: A “salvação pela revolução”. Nesse sentido, convergiu Schumpeter ao afirmar que ideologias como a difundida em Marx são sustentadas não por evidências científicas, más por uma estrutura de crenças, como em uma religião. Para Schumpeter, o marxismo substitui a fé tradicional por uma fé secular. O dogmatismo político, seja na teocracia medieval ou em narrativas pós-modernas, revela-se como um mecanismo de poder sustentado por sofismas e crenças, incapaz de oferecer soluções reais. Em adição a produção cultural da ignorância (agnotologia ) aplicada pelo modelo para sustentar os sofismas e o lucro do caos, resultam em uma erosão da mobilidade social. Em oposição, à racionalidade kantiana aponta para um Estado de direito capaz de internalizar os custos dessas ideologias, fundamentando-se na universalidade, transparência e na razão, um antídoto contra políticas despóticas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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